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Viajar porque sim

Paixão por viagens, escrita e fotografia

Ter | 07.05.19

Um cheirinho a sul de França - I - Carcassonne e o Canal du Midi

 

Acabei de chegar de uma curta viagem de meia dúzia de dias pelo sudoeste de França. Escusado será dizer que venho encantada, com a cabeça mais leve e o cartão da câmara bem cheio de fotografias. Esta viagem levou-me de Toulouse a Arles, parando em vários pontos ao longo do Canal du Midi, na Camarga e na Provença.

 

Como (quase) sempre, o roteiro foi preparado por mim depois de alguma pesquisa e sugestões de quem já conhecia a região. E também como sempre, alguns lugares ficaram um pouco aquém das expectativas, enquanto outros foram uma fantástica surpresa – tanto para mim, como para quem me acompanhou.

 

As maiores surpresas

Entre outros sítios que também surpreenderam pela positiva, para lá de qualquer dúvida há dois que tenho de destacar: Seuil de Naurouze e Fontaine-de-Vaucluse. O primeiro é um local tipo “no meio de nenhures” absolutamente maravilhoso pela tranquilidade e carácter bucólico. É a pedra angular do projecto de construção do Canal du Midi (o mais antigo canal marítimo da Europa que ainda se encontra em funcionamento, projectado por Pierre-Paul Riquet no séc. XVII para unir o Oceano Atlântico ao Mar Mediterrâneo evitando a navegação em águas abertas, e actualmente Património Mundial da UNESCO), o ponto mais elevado do Canal que tem de ser continuamente alimentado pelas águas e também o sítio onde essas águas se dividem, umas correndo para se juntarem ao rio Garonne em Toulouse, as outras dirigindo-se para Sète e desaguando no Mediterrâneo. Quanto a Fontaine-de-Vaucluse, é o sítio onde nasce o rio Sorgue – a maior nascente subterrânea do país, onde as águas parecem surgir do nada, aparecendo aos borbotões sob a altíssima escarpa rochosa que rodeia e quase “encerra” o vale.

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A maior desilusão

Já não se vêem cavalos selvagens na Camarga. Considerada uma das raças de equídeos mais antigas do mundo, o cavalo camarguês – de porte pequeno e pelagem branca quando adulto – já está completamente domesticado e hoje em dia só se avista parado em zonas cercadas ou levando calmamente turistas em passeio.

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O que só não desiludiu porque já estava preparada para a realidade

Definitivamente, Carcassonne. A Cité (cidadela) está transformada numa espécie de parque temático medieval, embora sem carrosséis. Está tudo muito bem (talvez bem demais) reconstruído/recriado, limpo, agradável, a Basílica de Saint-Nazaire é bonita, as lojas e restaurantes adequam-se ao tema, e ainda há breves reminiscências do que terá existido em tempos naquele lugar (como as estruturas de madeira de algumas casas, deixadas à vista); mas está tudo, definitivamente, dedicado ao turismo, e o ambiente torna-se um bocado artificial. Enquanto por lá passeei, a sensação de “déjà vu” não me abandonou – mas isto claro que foi só a minha impressão pessoal. De qualquer modo, vale sempre a pena a visita.

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O ROTEIRO

 

Dia 0

O voo para Toulouse foi ao final da tarde, e com os atrasos do costume no aeroporto de Lisboa (uma hora, devido ao congestionamento no tráfego aéreo, que agora é constante) já chegámos quase às dez da noite, o que apenas nos deu tempo para levantar o carro alugado e chegar ao hotel para dormir.

 

Onde ficámos:

Zenitude Hôtel-Résidences Toulouse Métropole - 1 allée Antoine Osète, 31100 Toulouse https://www.zenitude-hotel-residences.com/fr_FR/residence/toulouse/129

 

Dia 1

Toulouse → Seuil de Naurouze → Castelnaudary → Carcassonne → Homps → Ponte-canal de Repudre → Étang de Montady (Nissan-lez-Ensérune) → Túnel de Malpas → Les 9 Écluses de Fonseranes → Villeneuve-lès-Béziers (Total: 200 km)

Um dia essencialmente dedicado a conhecer alguns dos pontos mais emblemáticos do Canal du Midi, e logo na primeira paragem acertámos na “mouche”: o Seuil de Naurouze é um lugar maravilhoso com vários caminhos para passear, incluindo uma belíssima alameda de plátanos. Como bónus, na Écluse de l’Océan (uma das 64 eclusas/conjuntos de eclusas que existem ao longo dos 240 km do Canal) tivemos a sorte de encontrar um barco que percorria o canal e pudemos ver a eclusa a funcionar – o que não voltou a acontecer até ao fim do dia, uma vez que nesta altura do ano ainda não há muitas embarcações em movimento (o ponto alto é, obviamente, nos meses de Verão, quando dezenas de embarcações são alugadas para férias).

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Castelnaudary é uma vila meio sonolenta mas cheia de charme. Além de várias ruelas onde o tempo parece ter parado e do que resta de um dos vários enormes moinhos de vento que existiram em tempos por ali, existe no Canal uma interessante eclusa quádrupla (as 4 eclusas de Saint-Roch) que permite às embarcações ultrapassarem um desnível de cerca de 10 metros.

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Sobre Carcassonne não há muito a dizer – as fotografias são eloquentes, e já vos falei mais acima das minhas impressões sobre o lugar. Ainda por cima o tempo estava pouco convidativo, com um vento forte e gelado e chuviscos ocasionais, o que não ajudou à vontade de andar a passear na rua. Aproveitámos para almoçar num restaurante simples mas engraçado, onde provámos “flammekueche”, uma especialidade da Alsácia (nordeste de França, estando nós no sudoeste, mas viajar também tem destas idiossincrasias…) a meio caminho entre a pizza e o crepe, mas muito saborosa.

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Perto da localidade de Nissan-lez-Ensérune há duas curiosidades para conhecer. Uma delas, o Étang de Montady, é uma zona anteriormente pantanosa que foi drenada por monges no séc. XIII. Para o efeito, abriram valas radiais a partir de um único ponto central, para o qual a água conflui e se escoa por uma galeria subterrânea através da colina de Malpas, para depois se juntar às águas do Canal (para beneficiar a sua obra, Riquet teve a inteligência de aproveitar o que já estava feito). Os lotes de terreno, agora cultivados, têm por isso uma configuração triangular, facilmente visível de longe, e o local de observação ideal é o Oppidum d’Ensérune, um ponto alto onde é possível visitar as ruínas de uma antiga povoação da época romana.

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Foi precisamente esta obra que inspirou Riquet a construir a “curiosidade” seguinte: o Túnel de Malpas, onde o Canal passa sob a colina de Ensérune. Tem 165 metros de comprimento e a sua arcada ergue-se 8 metros acima da superfície do Canal. Foi escavado em segredo (Riquet tinha muitos detractores…) no tempo recorde de uma semana, através de rocha muito dura.

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Perto da cidade de Béziers, uma última paragem antes do cair da noite. As 9 eclusas de Fonseranes são mais uma grande e invulgar obra de engenharia concebida para o Canal du Midi, e permitem franquear um desnível de 21,5 m em altura ao longo de 312 metros. São também um dos locais mais visitados desta região (cerca de 320 mil visitantes por ano), e após obras recentes estão agora rodeadas de um enorme e bem cuidado parque/jardim, muito minimalista e moderno.

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Uma nota final para o nosso alojamento nesta noite. O La Chamberte é um casarão de província que agora fica no meio de Villeneuve-lès-Béziers, uma vila sossegada por onde também passa o Canal. Bem recuperado, tem quartos amplos e cheios de pormenores que recriam o espírito do lugar, e um pequeno e muito bonito jardim que nos acolhe logo na entrada. Tem ainda a vantagem de funcionar como restaurante (mediante marcação), e posso afiançar-vos que a comida é muitíssimo boa, original e feita com produtos locais ou até mesmo caseiros. Tanto o jantar como o pequeno-almoço foram simplesmente excelentes.

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Onde comemos:

Nattyfood - 12 Rue du Grand Puits, 11000 Carcassonne, France - https://www.facebook.com/contactnattyfood/

 

Onde ficámos e comemos:

La Chamberte - 10 Rue de la Source, 34420 Villeneuve lès Béziers, France - https://www.lachamberte.com/

 

 

Fiquem por aí para saberem como foi o dia seguinte da viagem →

 

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