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Viajar porque sim

Paixão por viagens, escrita e fotografia

Qui | 22.04.21

Minas, da superfície às profundezas

 

À procura de um programa diferente para o fim-de-semana ou as férias? As sugestões que vos trago hoje resumem-se uma palavra: minas. Uma palavra pequenina, mas que no entanto consegue congregar entretenimento para todos: para quem gosta de ruínas, para quem viaja com crianças, para quem quer ser surpreendido, para quem simplesmente quer conhecer um pouco mais do nosso mundo. Prontos para partir nesta aventura?

 

 

Mina do Lousal

 

Fica perto de Ermidas do Sado, a meio caminho entre Santiago do Cacém e Ferreira do Alentejo – duas localidades que só por si merecem uma visita. Descoberto o jazigo em 1892, foi explorado entre 1900 e 1988 tanto a céu aberto como no subsolo. O minério retirado tinha sobretudo enxofre, mas também cobre, chumbo e zinco, e valores residuais de ouro e prata.

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Depois do encerramento, o local foi alvo de uma cuidadosa e bem-sucedida revitalização e é hoje um museu a céu aberto com três núcleos visitáveis: o Centro de Ciência Viva, espaço expositivo e de divulgação científica e tecnológica, que inclui várias áreas específicas para os mais pequenos; o Museu Mineiro, instalado no edifício onde funcionou a central eléctrica; e a galeria subterrânea da Mina do Lousal, com 300 metros de comprimento, onde ficamos a conhecer alguns pormenores do trabalho mineiro desenvolvido debaixo de terra.

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Centro de Ciência Viva do Lousal

http://www.lousal.cienciaviva.pt

Avenida Frédéric Velge Lousal, Lousal

Horário (de terça a domingo, incluindo feriados): 10h-18h; encerra nos dias 24, 25 e 31 de Dezembro e 1 de Janeiro

Informações / Marcações de visitas guiadas: telefone 269 750 520

e-mail: info@lousal.cienciaviva.pt

 

 

 

Mina de São Domingos

 

Fica no concelho de Mértola o lugar onde entre 1858 e 1965 existiu uma exploração mineira de pirites de cobre, e que hoje nos oferece uma paisagem de ficção científica ímpar no nosso país. Edifícios em ruínas, equipamentos abandonados, lençóis de água parada e vastas áreas pedregosas com cores acobreadas ou acinzentadas, um cenário pós-apocalíptico surpreendentemente atraente e fonte inesgotável para quem gosta de fotografar.

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São vários os locais a visitar: a Casa do Mineiro – Centro de Documentação, com um espaço museológico onde se recria a casa de uma família mineira e um núcleo de arquivo e estudo de documentos de vários tipos, que permitem reconstruir e preservar a história do extinto complexo mineiro; as ruínas das oficinas ferroviárias e metalúrgicas, lugar de produção e manutenção de grande parte do equipamento metalomecânico utilizado na operação da mina; a corta, uma espécie de lago com água colorida que resulta da exploração que foi feita a céu aberto; e os locais da Moitinha e da Achada do Gamo, onde encontramos as ruínas do que foram os dois centros principais da actividade de mineração aqui desenvolvida.

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Cerca de 20 km a sul da Mina de São Domingos há que visitar a aldeia fluvial do Pomarão, onde foi construído o porto que apoiava a logística de transportes da mina, estando na altura as duas localidades ligadas por uma via férrea.

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Casa do Mineiro – Centro de Documentação

http://fundacaoserraomartins.pt/

Rua de Santa Isabel nº 30/31, Mina de São Domingos, 7750-146 Corte do Pinto

Horário (todos os dias): 9h-12h30 e 14h-17h30

Informações: telefone 286647534  e-mail: fserraomartins@gmail.com

 

 

 

Mina de sal-gema de Loulé

 

Explorada actualmente pela empresa Tech Salt, é possível desde Outubro de 2019 visitar a mina Campina de Cima, em Loulé, local onde há mais de 50 anos se extrai sal-gema numa área de cerca de 1200 hectares que já tem mais de 35 km de galerias. O sal (cloreto de sódio) extraído desta mina destina-se sobretudo à alimentação animal, à segurança rodoviária (limpeza de neve) e ao controlo da vegetação infestante nos espaços públicos, entre algumas outras aplicações.

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Na visita à mina, que é obviamente sempre feita com guia e dura cerca de 2 horas, descemos até 230 metros de profundidade num elevador com um sistema de guiamento flexível (sem carris e com cabos), inovador na altura da sua instalação e que oferece maior segurança. Num percurso de quase 1,5 km ficamos a conhecer as particularidades geológicas da mina e a forma como é operada, muito diferente da ideia clássica que temos do trabalho mineiro. Além disso, ao contrário da maior parte das explorações mineiras subterrâneas, trabalhar nesta mina não acarreta problemas pulmonares, antes pelo contrário: são requisitadas com frequência para tratamentos de haloterapia, sobretudo para quem sofre de asma.

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Tech Salt, S.A.

http://www.techsalt.pt/

Rua Betunes, 27 r/c, 8100-616 Loulé

Localização da mina: 37°08'05.6"N 8°00'28.7"W

Horário: dias úteis às 9h30, 11h, 14h30 e 16h

As visitas podem ser marcadas online, por e-mail ou por telefone

Informações / Marcações: telefone 925 969 369  e-mail: turismo@techsalt.pt

 

 

 

Área mineira de Argozelo

 

Situadas na freguesia com o mesmo nome, concelho de Vimioso, as Minas de Argozelo começaram a ser exploradas em inícios do século XX. Aqui se extraiu estanho e tungsténio, sobretudo a partir de 1958 e até 1993, ano em que foi declarada a sua falência. Nos anos 80, antes do colapso do poço principal devido a problemas geotécnicos, a exploração desta mina atingia já sete pisos, com uma profundidade máxima de 170 metros.

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A área inclui vários locais de interesse que podem ser visitados: o Centro Interpretativo, onde estão expostos materiais e documentos diversos que contam a história da exploração da mina; a entrada do acesso inicial à mina, visitável apenas mediante pedido e com acompanhamento; o parque mineiro, antigo local da exploração e onde encontramos, ao ar livre e em estado de degradação, partes do equipamento usado para a mineração; e a ponte do mineiro, uma ponte suspensa sobre o rio Sabor, construída com madeira e cabos de aço, que muitos mineiros cruzavam quando se dirigiam para o trabalho.

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A melhor forma de conhecer todos estes locais é percorrendo a “Rota dos Mineiros de Argozelo”, percurso pedestre que tem início no Centro Interpretativo e nos leva pelos caminhos usados pelos mineiros.

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Centro Interpretativo das Minas de Argozelo

Cortinha do Calvário, 5230-027 Argozelo

Horário: dias úteis 9h-12h e 14h-17h; sábados, domingos e feriados 10h-12h e 14h-17h

Informações / Marcações: telefone 273 588 004  e-mail: sofiadiz@cm-vimioso.pt

 

 

 

Conhal do Arneiro

 

No artigo “À volta do Tejo” que já aqui publiquei falei de um percurso pedestre que passa pelo local onde existiu uma exploração mineira de ouro de aluvião que os Romanos desenvolveram até à Idade Média. O conhal fica no Monte do Arneiro, concelho de Nisa, e ocupa uma área superior a 70 hectares.

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Ali encontramos inúmeras pilhas de calhaus rolados (conhos), amontoados por entre as árvores e arbustos que hoje ocupam os canais (a Levada da Vala dos Mouros) por onde em tempos circulava a água utilizada na lavagem dos sedimentos, transportada desde a Serra de S. Miguel e da Ribeira de Nisa até ao local da exploração.

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Para compreenderem melhor este local e como era antigamente feita a mineração, aconselho que visitem primeiro o Centro Interpretativo do Conhal, instalado na antiga Escola Primária ao pé da igreja.

 

Centro Interpretativo do Conhal

http://www.cm-nisa.pt/centrointerpretativoconhal.html

Antiga Escola Primária do Duque, Santana, Arneiro (Nisa)

Horário: terça a sexta 14h-18h / sábados, domingos e feriados 9h30-12h30 e 14h-18h

(encerra às 2ª feiras e nos dias 25/12, 01/01, 2ª feira a seguir à Páscoa (Feriado Municipal) e dia 01/05)

Informações: telefone 245 098 059  email (CM Nisa): geral@cm-nisa.pt

 

 

***

 

Notem que nas galerias subterrâneas da Mina do Lousal e da Mina de sal-gema de Loulé a visita é feita respeitando todos os critérios de segurança e higiene necessários, como por exemplo o uso de capacete (colocado sobre uma touca de protecção) e – nesta altura específica – de máscara facial.

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(Este roteiro foi publicado pela primeira vez no website Fantastic)

 

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