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Viajar. Porque sim.

Paixão por viagens, escrita e fotografia

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Croácia - diário de viagem XV - Zadar ou o apelo à tranquilidade

 

A cidade de Zadar, situada mais ou menos a meio caminho entre Dubrovnik e Zagreb, foi o destino escolhido para conhecermos nos dois últimos dias da nossa viagem pela Croácia.

 

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Os 350 km entre Dubrovnik e Zadar fazem-se em cerca de 4 horas, grande parte delas sempre em auto-estrada, pelo que ao início da tarde já estávamos a chegar.

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Tínhamos reservado alojamento nos Apartamentos Kolovare Beach, numa rua paralela à que acompanha a zona a que pomposamente chamam “praia” – e que pelos nossos padrões é apenas uma nesga de areão grosso no meio de árvores e junto à água, facto que não nos incomodou minimamente porque praia era algo que não tencionávamos fazer ali. Estes apartamentos ficam a poucos minutos a pé da parte mais antiga de Zadar, e nas traseiras têm uma espécie de terreiro a que só se acede por um portão devidamente fechado, onde o carro ficou em sossego até voltarmos a precisar dele para deixar a cidade.

 

Apesar de o edifício já ser antigo, os apartamentos são modernos e suficientemente espaçosos, e têm uma pequena kitchenette equipada com tudo o que é necessário. Foram, mais uma vez, uma boa escolha.

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Zadar é uma cidade diferente, uma espécie de anti-clímax do bulício e da aglomeração de Dubrovnik. Situada no extremo norte da Dalmácia, numa zona costeira que inclui mais de 300 ilhas e ilhotas, acumula nos seus anais 3000 anos de história tumultuosa e dinâmica. Habitada pelos Romanos, destruída pelos Cruzados e pelos venezianos, governada depois por austríacos, franceses e italianos, foi também uma das cidades fortemente atacadas em Outubro de 1991 pelos rebeldes sérvios e o seu património cultural sofreu avultados danos. Mas, tal como no passado mais remoto, Zadar parece conseguir encontrar sempre uma forma de renascer das cinzas e se reinventar. É actualmente uma cidade moderna e arejada mas não descaracterizada, conseguindo manter a patine que lhe foi dada pelos séculos em feliz e harmoniosa convivência com novos e arrojados motivos de atracção.

 

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A zona histórica da cidade fica numa península, que se percorre de sul para norte quando entramos pela mais impressionante das oito portas ainda existentes na muralha que rodeia parcialmente esta área: a Porta da Terra. Situada junto ao pequeno porto de Foša, foi construída em estilo renascentista no séc. XVI por um arquitecto veneziano e apresenta a particularidade de ter três arcos – o maior ao centro, para a passagem de veículos, e dois mais pequenos a ladeá-lo, por onde passam os peões.

 

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Seguimos em frente por uma rua estreita, que uns metros à frente passa a ser exclusivamente pedonal, entre fachadas de igrejas com pormenores góticos, arcos que dão acesso a pátios interiores e escadinhas, lojas de todas as espécies e esplanadas convidativas.

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De repente, a rua desemboca num espaço tão amplo que até surpreende: é o Fórum, onde vestígios de ruínas romanas coabitam com o ex libris da cidade, a imponente Igreja de São Donato – construída no séc. IX e um dos maiores exemplos da arquitectura bizantina na Dalmácia –, com a Torre do Sino que se ergue por trás da catedral de Santa Anastácia, e com a Igreja de Santa Maria e a sua Torre de Koloman.

 

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Atravessando o Fórum para o lado esquerdo entramos na Riva, um extenso passeio limitado em todo o comprimento de um dos lados por um parque e alguns edifícios apalaçados, e do outro pelo Adriático, com o recorte da ilha Ugljan ao fundo.

 

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É na ponta noroeste da Riva que está uma das duas mais modernas atracções de Zadar, e a razão principal que me tinha levado a incluir a cidade na nossa viagem pela Croácia: o Órgão do Mar (Morske Orgulje, em croata). Concebido em 2005 pelo arquitecto Nikola Bašić, devidamente assessorado por vários peritos, poderia à primeira vista passar por uns simples degraus de mármore que descem até à água, como que em prolongamento da linha costeira. Poderia… não fossem dois “pequenos” pormenores. O primeiro é obviamente o som. Começamos a ouvi-lo ainda longe, uma espécie de melodia rouca que vai subindo de tom à medida que nos aproximamos. Sob aqueles 70 metros de degraus largos de aspecto inofensivo esconde-se uma interessante obra de engenharia: os degraus inferiores deixam entrar água e ar, que é encaminhado para câmaras de ressonância – 35 tubos de diferentes comprimentos, diâmetros e inclinações, orientados verticalmente em relação à costa, terminando numa espécie de corredor, cada tubo munido de apitos que reproduzem 7 acordes de 5 tons – e depois empurrado pela água novamente para o exterior através de orifícios talhados na parte superior das escadas. Os sons produzidos são meio irreais e absolutamente hipnóticos, convidando à contemplação e à tranquilidade. Como a ondulação do mar está constantemente em mudança, a melodia produzida pelo órgão nunca é exactamente a mesma e cada conjunto de sons é único e virtualmente irrepetível.

 

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O que nos leva ao segundo pormenor: o grande grupo de pessoas que ali se junta, sobretudo ao final do dia para observar o pôr-do-sol. A experiência é única. E depois, quando o sol já se esconde, começa outra experiência. Alguns metros ao lado, mais uma instalação para despertar os nossos sentidos e o nosso encantamento. Também concebido por Bašić, a “Saudação ao Sol” é um painel circular colocado no chão, com 22 metros de diâmetro e formado por 300 placas de vidro e células solares, que “acordam” quando a noite cai e começam a emitir intermitentemente luzes de cores variadas. O conjunto está programado para interagir com o ritmo das ondas e dos sons emitidos pelo Órgão do Mar. Além disso, funciona como uma espécie de pequena fábrica de energia, produzindo cerca de 46,500 kWh por ano, usados não só para a própria instalação, como também para a iluminação de toda a zona da marginal. O anel metálico que limita o painel tem gravados os nomes dos santos das antigas e novas igrejas da península, os dias em que eles são celebrados e alguns pormenores astronómicos associados a esses dias. Também incrustados no chão, outros painéis mais pequenos mimetizam o sistema solar e compõem uma espécie de caminho de ligação entre as duas instalações.

 

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Estas duas atracções formam entre si um conjunto absolutamente original, e o seu efeito global é incrível, como podem ver neste vídeo:

 

Seguindo o conselho que nos tinha sido dado pela funcionária da agência que nos levou ao apartamento, o restaurante que escolhemos para o nosso último jantar em terras croatas foi o 2Ribara. Localizado na Blaža Jurjeva, uma ruazinha perpendicular à rua Borelli (uma das que ficam no enfiamento da Porta da Terra), tem uma decoração moderna, sóbria e depurada, mas com um ambiente simples e simpático. A comida é de boa qualidade e bem confeccionada mas sem complicações, com predominância de grelhados, e o serviço muito atencioso.

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No regresso ao apartamento, fizemos um desvio para a esquerda por umas escadinhas que sobem dentro do arco de um edifício colado à Porta da Terra. Este é um dos acessos à Praça dos Cinco Poços, onde o bar-discoteca ao ar livre Svarog já se mostrava equipado a rigor, iluminado por luzes de várias cores e pronto a acolher os noctívagos.

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Quanto a nós, o dia seguinte ia ser bastante longo e a promessa de uma boa noite de sono no conforto do apartamento falava mais alto do que a vontade de diversão, pelo que não nos demorámos por ali.

 

 

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