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Viajar porque sim

Paixão por viagens, escrita e fotografia

Ter | 15.06.21

A ponte 516 Arouca, passadiços, baloiços e afins

 

Eu, pecadora, me confesso: já percorri a ponte 516 Arouca. E gostei da experiência. Quer isto dizer que sou fã de pontes suspensas, passadiços, baloiços e todas as demais infra-estruturas cuja intenção principal é apenas serem chamariz para o turismo? Claro que não. Devemos riscar do nosso mapa e votar ao esquecimento todos estes equipamentos que têm crescido que nem cogumelos um pouco por todo o nosso país? É óbvio que também não. A polémica está instalada e avoluma-se na proporção do aumento destes locais, que atraem cada vez mais atenções e pessoas. Não sou nem me considero tecnicamente habilitada para emitir juízos sobre o assunto. Apenas posso falar sobre o que vejo e sinto, e reflectir sobre o assunto. Que é precisamente o que vou fazer.

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Deixem-me, antes de mais, contar-vos como foi esta minha recente experiência. Fim-de-semana combinado com amigas para ir conhecer Cinfães e uma parte da margem sul do Douro (altamente recomendável, e hei-de falar aqui sobre isso), a recente inauguração da 516 e o facto de nenhuma delas ainda ter ido aos passadiços do Paiva fizeram-nos decidir aproveitar a proximidade geográfica e reservar um dia para este passeio.

 

Não tivemos muita sorte com o tempo, sempre cinzento e meio chuviscoso, e nitidamente a piorar quando chegámos a Alvarenga. Optámos por esta entrada porque a do Areinho obriga a subir (e depois descer, obviamente) a escadaria inicial de acesso aos passadiços, e no grupo há uma pessoa que tem uma certa fobia a descidas. Além disso, o plano era também ir depois provar o célebre bife de Alvarenga, uma sugestão à qual não consegui resistir – há já vários anos que evito comer carne de qualquer tipo, mas não sou fundamentalista e abro excepções quando estou em viagem, principalmente quando os outros pratos não me agradam por aí além; e constato, com muita pena minha, que continuo a gostar imenso de um belo bife de vaca. Mas adiante…

 

O carro ficou estacionado junto ao cemitério de Alvarenga, onde uma seta indica o acesso à ponte por um caminho pedonal que atravessa uma parte da aldeia e segue depois por um belo trilho de terra batida entre árvores. É um percurso de cerca de um quilómetro, que teria sido bem mais agradável se não estivesse a chover e não fosse esse o dia em que estava a decorrer o Trail Passadiços do Paiva, que passava precisamente por ali e nos obrigou a desviarmo-nos constantemente dos corredores, além de levarmos com a água enlameada que faziam saltar na corrida. Não estava, a bem dizer, um dia bom para actividades ao ar livre, nem para eles, nem para nós.

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As entradas na ponte são com hora marcada, porque é preciso limitar o número de pessoas que acedem, e porque cada grupo leva um guia. As torres onde estão fixados os extremos da ponte são uns mamarrachos altos que desfeiam a paisagem, e só não é pior porque ao longe ficam meio escondidas pelas árvores, sobretudo a da entrada de Alvarenga. Não pudemos levar os chapéus-de chuva para a ponte, o que é compreensível porque se tornaria perigoso por causa do vento (que não era muito, felizmente). Incompreensível é não terem feito nem sequer um pequeno telheiro de abrigo junto às entradas, que servisse para proteger tanto os funcionários que ali trabalham (do lado por onde entrei tinham um chapéu-de-sol daqueles das esplanadas, do outro lado nem isso) como os visitantes que têm de estar à espera para entrar. Seria uma protecção da chuva, mas sobretudo do sol no Verão, que aquela zona é bem quente.

 

No início, e também quando chegamos ao lado oposto, o guia dá algumas explicações sobre a ponte, a envolvente, e a fauna e flora da região. São explicações curtas e nada maçadoras, pois já se sabe que quem ali está quer mesmo é passar pela experiência sem ter de ouvir grandes dissertações. E atravessar a ponte é, de facto, uma experiência diferente de tudo o resto que podemos ver e fazer no nosso país. A paisagem é lindíssima, como não podia deixar de ser, com a Cascata das Aguieiras a despenhar-se pela encosta abaixo e as vistas sobre quilómetros da Garganta do Paiva de ambos os lados da ponte (e por baixo!), o rio a correr lá bem no fundo. Mas o que mais me impressionou foi mesmo a sensação de estar a uma grande altura tendo em volta um espaço completamente aberto e a perder de vista – quase como se estivesse a pairar. O gradeamento da ponte nem sequer nos chega aos ombros e não serve de grande bloqueador visual, e os cabos de suporte são praticamente invisíveis, mais ainda num dia em que o céu estava da mesma cor. A somar a isso, a ligeira vibração da ponte contribuiu para a impressão de que não estava a pisar chão firme, quase como se estivesse num barco.

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Depois de terminar a primeira travessia houve quem continuasse para os Passadiços, mas a maioria dos visitantes voltaram para trás pelo mesmo caminho, incluindo nós. Já tínhamos mesa marcada para o famoso bife, que não defraudou as expectativas. O restaurante, um dos vários que há na localidade, é grande mas estava a abarrotar, e havia fila de espera. Se em tempos de pandemia é assim, nem imagino como será em época normal. E não creio que a maioria dos clientes estivesse ali por causa da ponte ou dos passadiços… Nós, portugueses, somos capazes de fazer dezenas (às vezes centenas) de quilómetros para ir comer qualquer coisa de especial que nos apeteça, só porque sim.

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Quando saímos do almoço o mundo estava diferente, sol brilhante numa tarde calma e quase sem nuvens. Aproveitámos para ir até Espiunca, onde deixámos o carro, e fomos percorrer passadiços durante três ou quatro quilómetros, voltando depois para trás. Um passeio muitíssimo agradável, relaxante, que me deu a oportunidade de ver o rio a uma outra luz, pois da primeira vez que os percorri (podem ler tudo neste post) também estava, por coincidência, tempo chuvoso.

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Já passei por algumas outras experiências “radicais”, mas atravessar a 516 Arouca foi na verdade diferente. Não estou a dizer que tenha sido a mais fantástica de todas – até porque me sentia incomodada com a chuva, que a certa altura caiu com alguma intensidade e começou a encharcar-me, apesar do impermeável. Mas, embora já tenha cruzado outras pontes suspensas, esta foi de facto única no género, pelo menos até agora.

 

O que é que me levou a querer ir à 516 Arouca? Pois a curiosidade, está claro. De conhecer uma coisa nova, querer saber como é em vez de só ouvir pela boca dos outros, que cada um tem uma perspectiva diferente consoante a sua própria experiência. E, sobretudo, de querer pôr-me à prova, numa situação única e que não é, de maneira nenhuma, para todos. Não sou medricas, não tenho fobia de alturas, nem sofro de vertigens. Mas também não sou propriamente uma supermulher, e há situações que impõem respeito, ou mexem com os meus terrores de criança (e alguns de adulta…). Gosto de saber até onde consigo ir, conhecer os meus limites e tentar esticá-los mais um bocadinho. Já passei por situações que achei irem ser favas contadas e depois não foram, e por outras que pensei serem mais difíceis e ultrapassei sem grandes problemas. É com estas experiências que me vou conhecendo melhor.

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Aqui há uma meia dúzia de anos, descobriu-se que o turismo podia ser uma galinha dos ovos de ouro para Portugal. Acontece que o turismo é um “produto” com tantos outros e, nos tempos que correm, para vender há que apostar no marketing. Se os primeiros passadiços de madeira instalados no nosso país tinham como finalidade proteger os cordões dunares da nossa costa, não tardou muito até que alguém percebesse que seriam também uma forma de tornar acessíveis às pessoas comuns, para fins de lazer, zonas que habitualmente exigiam algum nível de agilidade para serem visitadas, bem como outras de acesso praticamente impossível. Quase de um dia para o outro, passámos a poder andar, correr ou pedalar em áreas de floresta, ria, pântano, areia, rocha, e tudo o mais que as edilidades autárquicas se têm lembrado de aproveitar para atrair visitantes aos seus territórios. Nalguns casos, a madeira veio substituir ou alternar com trilhos de terra batida pré-existentes, noutros simplesmente criou percursos novos onde apenas havia terra ou água.

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A fórmula resultou: portugueses e estrangeiros aderiram em massa a estas novas oportunidades de estarem mais facilmente em contacto com pedaços de natureza que até então lhes estavam praticamente vedados, e muitas localidades desconhecidas (ou quase) começaram a florescer com este aumento de atenção. Mais gente significa mais cafés, mais almoços, mais dormidas na região, mais uma “lembrança” que se compra. Mas também significa mais barulho, mais intrusão, mais lixo, mais impacto ambiental. Negativo, ou nem tanto? Fizeram-se estudos antes de tomar as decisões? Segundo o que tenho lido, parece que não – e também parece que não estão a ser avaliadas quaisquer potenciais alterações que tenham ocorrido ao longo dos anos de utilização de várias destas estruturas.

 

Se resulta bem para uns, então também deve resultar bem para outros, e as “modas” pegaram. Primeiro foram os passadiços. Com o sucesso dos do Paiva (que, dizem os ambientalistas, não faziam falta nenhuma), começaram a surgir estruturas no género em tudo quanto é sítio – alguns nem sequer são passadiços propriamente ditos, são apenas escadas de madeira absolutamente redundantes, como é o caso, por exemplo, dos que instalaram nas Fragas de São Simão, que nada vieram acrescentar a não ser poluição visual, pois os acessos à praia fluvial já eram mais do que suficientes. Pelo contrário, aumentaram a pressão humana num local idílico, que já foi relativamente tranquilo e agora fica apinhado de gente mal o tempo aquece. Também os passadiços que estão a ser construídos junto ao Pulo do Lobo, perto de Mértola, não fazem grande sentido num local que sempre foi de fácil acesso a partir de qualquer das margens. E estes são só dois exemplos.

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Depois foram os baloiços. Aos dois ou três mais antigos, juntaram-se recentemente tantos que já lhes perdi a conta. Embora não tenham o impacto ambiental dos passadiços, como são “instagramáveis” por natureza acabam por atrair hordas de pessoas ao local onde estão instalados – e quem diz pessoas diz carros, como é óbvio, e a consequente poluição. Alguns estão em sítios onde já existiam outras infra-estruturas de lazer, e por isso acabam por não fazer grande mossa, mas outros foram colocados em locais onde não há mais nada a não ser beleza natural.

 

Agora chegaram as pontes. As notícias da inauguração da 516 Arouca correram mundo (e a polémica de ser ou não a mais longa do mundo não a prejudicou, antes pelo contrário – é aquela coisa de não importar se dizem bem ou mal, o que interessa é que falem…) e visitantes não hão-de faltar, apesar das queixas do preço elevado (pode ser caro para o nosso nível de vida médio, mas para qualquer estrangeiro será uma pechincha). A ponte vem até insuflar vida nos próprios passadiços, que já têm demasiada concorrência. As torres estragam a paisagem, é verdade, mas a ponte em si, vista de longe, pouco se nota. Sobre o custo e o facto de alegadamente ter sido feita com dinheiros públicos, que poderiam ter sido usados para outro tipo de investimento, penso que é uma questão que deveria ser bem esclarecida e discutida. Se tiver sucesso, como provavelmente terá, fica uma porta aberta para que outras estruturas no género comecem a aparecer. E será que fazem falta? Esta é, quanto a mim, mais uma matéria discutível e que não deve ser apenas analisada do ponto de vista do turismo.

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Devemos então pôr completamente de lado este tipo de infra-estruturas turísticas? Ou, indo mais longe, o turismo será mais nocivo do que vantajoso? Como é óbvio, não tenho qualquer idoneidade para dar uma resposta cabal as estas questões. Mas podemos olhar para o que é feito noutros países, seja de bom ou de menos bom, e tirar algumas conclusões.

 

Tomemos como exemplo o super famoso Parque dos Lagos de Plitvice, na Croácia. É um dos parques naturais europeus mais concorridos – no ano de 2019 recebeu cerca de 1,8 milhões de visitantes. Uma parte do percurso de visita, que está bem delimitado, é feito sobre passadiços de madeira, outra em trilhos de terra batida. São passadiços simples, que apenas têm corrimãos nas zonas inclinadas. Permitem que o passeio se faça por zonas que de outra maneira dificilmente seriam acessíveis, sobretudo junto à água. Como os lagos apenas ocupam 1% dos 300 km2 deste que é o parque nacional mais antigo da Croácia (foi criado em 1949), a parte mais visitada é muito reduzida por comparação com a extensão total da área. Além disso, não é barato (um adulto paga actualmente, nos meses de época alta, cerca de 40€). É, obviamente, um caso de sucesso do ponto de vista turístico, e que se manteve dentro de limites razoáveis durante muitos anos.

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Património Mundial da UNESCO desde 1979, passou há alguns anos a também ser alvo de polémica. O aumento brutal de popularidade e de visitantes levou a que o governo (que recebe a quase totalidade da receita de bilheteira do Parque) autorizasse mais construção nas aldeias que estão incluídas na área protegida, além de muitas quintas e edifícios antigos estarem a ser reconvertidos para alojamento temporário. No entanto, o investimento em estruturas de abastecimento de água e de drenagem de águas poluídas não está a acompanhar esta evolução e está a poluir as águas de um dos rios que abastecem os lagos, o que levou a que em 2017 o relatório da missão UNESCO que visitou o Parque levantasse questões que, a não serem resolvidas, poderão colocá-lo na lista do Património Mundial em perigo.

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Numa latitude e registo bem diferentes, temos a Costa Rica. Nos poucos mais de 51 mil km2 de área deste país (0,001% da área da Terra) encontra-se 2,5% da biodiversidade do nosso planeta. A Costa Rica é conhecida pelas suas excelentes políticas de conservação da natureza e cerca de 28% do seu território está classificado como área protegida – 186 locais, entre parques nacionais, refúgios da vida selvagem, reservas biológicas e reservas florestais. Sendo o turismo (e sobretudo o ecoturismo) uma das principais fontes de riqueza do país, é evidente que não faltam atracções e infra-estruturas de todos os tipos para os cerca de 1,7 milhões de visitantes anuais. Aqui as pontes suspensas já não são novidade, pois entre as actividades mais populares encontramos os passeios ao nível das copas das árvores. Existem em quatro parques explorados privadamente, dois no Parque Nacional do Vulcão Arenal e dois na Reserva de Monteverde. A mais longa encontra-se precisamente num dos parques desta Reserva: incluída num percurso pedestre de 2,5 km com seis pontes no total, está colocada a 50 metros de altura e tem 236 metros de comprimento. São pontes suspensas simples, estreitas e pouco aparatosas, praticamente escondidas entre a vegetação densa, e servem de ligação entre os trilhos de terra batida do percurso, interrompidos por gargantas abruptas.

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Claro que nem tudo são rosas naquele que é considerado o país mais sustentável da América Latina. Apesar do esforço para reduzir a desflorestação que tem sido feito desde finais dos anos 70 e da implementação de uma política descentralizada de gestão e conservação das suas várias regiões, a Costa Rica continua a debater-se com questões graves, persistentes e de vária ordem, muitas delas causadas pelo aumento do turismo. Guias ilegais, que levam os visitantes por trilhos em áreas interditas, caçadores furtivos e colectores de ovos de tartaruga, que vendem as suas mercadorias exóticas a bares e restaurantes, ou o abate de grandes áreas arborizadas para a construção de alojamentos turísticos desproporcionados, são problemas que se somam a outros de ordem geral, como as rotas do tráfico de droga ou a prospecção de ouro nos rios.

 

Quer isto dizer que os benefícios económicos do turismo têm sempre como contraponto desvantagens ambientais e uma descaracterização cultural? Não forçosamente. Tudo depende, como é evidente, de como se olha para esta fonte de rendimento, dos limites que são (ou não) impostos ao seu desenvolvimento, e da forma como são geridas as questões mais complexas que o seu incremento sempre levanta. Bons exemplos há muitos. Organismos e associações regionais que optam por incentivar a continuação de modos de vida e de produção mais tradicionais (em vez de orientarem a maioria das pessoas para profissões padronizadas, como a restauração ou a hotelaria). Reinvestimento de lucros em soluções ambientalmente mais sustentáveis, tanto por parte de entidades privadas como públicas. Ou projectos que juntam a observação da vida selvagem com a sua conservação – como sucede, só para citar um exemplo aqui bem perto, no Parque Ornitológico de Pont-de-Gau, na região francesa da Camarga. Por esta região húmida, classificada como reserva da biosfera pela UNESCO, passam anualmente cerca de 150 mil aves em migração. Entidade privada com parceiros institucionais e comerciais, desde meados dos anos 70 que o Parque Ornitológico desempenha não só as funções de gestão e conservação de uma área de 60 hectares do Parque Natural Regional da Camarga, como também as de facilitar ao público o acesso à observação de uma enorme população de aves (tanto sazonais como permanentes) que vivem em completa liberdade e educar as gerações mais jovens no sentido da eco-responsabilidade, e ainda a de acolher e cuidar, no seu centro de tratamento, de um grande número de aves doentes ou feridas (cerca de 600 por ano) que lhes são confiadas, e das quais cerca de 40% são libertadas após a sua recuperação, que pode durar entre alguns dias e vários meses.

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O turismo (e sobretudo a sua massificação) é, de facto e em muitos casos, fonte de grandes e variados problemas. Mas pode também, se “utilizado” de outras formas, fazer parte da solução. Independentemente do que nos é oferecido e da forma apelativa como essa oferta é feita, podemos sempre pesar os prós e os contras das nossas opções quando viajamos, e adoptar princípios e condutas que sejam menos danosos para o nosso mundo ou mesmo, idealmente, que contribuam para um desenvolvimento ponderado dos lugares que visitamos.

 

Mas voltando à questão mais comezinha que deu origem a este texto. Se por um lado é possível compreender o entusiasmo com que no nosso país actualmente se divulgam e acolhem todas as “novidades” turísticas que têm vindo a surgir nos últimos anos (mais ainda agora, quando toda a gente está sequiosa de voltar a usufruir de uma liberdade total e já se perspectiva um possível fim desta pandemia), por outro lado parece-me ser importante – e antes que este frenesim descambe e depois seja mais difícil contê-lo – reflectir e ter algum espírito crítico em relação ao que está, ou não, a ser feito, e como está a ser feito.

 

Não é preciso cair no exagero de encarar pontes suspensas, passadiços, baloiços e afins como obras demoníacas, nem o turismo como um pecado, mas é de todo aconselhável ter a noção de que as nossas escolhas quando viajamos têm sempre algum impacto no mundo que nos rodeia.

 

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