Dez conceitos para uma viagem ao Japão no Outono
No Japão, a mudança das folhas chama-se kōyō (紅葉): o momento em que os verdes cedem lugar aos vermelhos e dourados. Ir ao encontro dessa transformação é praticar momijigari (紅葉狩り) – observar, procurar, acompanhar o Outono no seu percurso natural.
Pela sua própria natureza, esta estação do ano é propícia a um ritmo de viagem mais lento, mais contido, mais atento. Uma viagem que não serve só para coleccionar paisagens ou cumprir listas, mas para sentir, olhar com atenção, reparar nos pormenores, observar os costumes locais, mergulhar na cultura – tanto quanto possível quando temos o tempo contado. O momijigari não exige deslocações rápidas nem ângulos perfeitos; pede vagar, presença e disponibilidade para aceitar que nem todos os dias oferecem o mesmo espectáculo, nem todos serão radiosos ou irão espantar-nos.
A cultura japonesa está construída sobre a atenção aos detalhes, o respeito pelo colectivo e a aceitação tranquila da impermanência. Existe um equilíbrio (embora nem sempre perfeito) entre tradição, disciplina e sensibilidade. Alguns conceitos japoneses ajudam a compreender esta forma de estar. Não como conceitos abstractos, mas como práticas discretas que atravessam o quotidiano – e que, num contexto de viagem, ganham uma clareza particular.
A partir de dez destes conceitos especiais da cultura japonesa, esta é uma crónica quase minimalista da minha viagem ao Japão, com o kōyō e o momijigari como pano de fundo.
Mono no Aware (物の哀れ)
A consciência da impermanência
O Outono em Quioto torna visível a fragilidade de tudo o que existe. Esta percepção de transitoriedade está intimamente ligada à religiosidade japonesa, onde o xintoísmo e o budismo coexistem e se complementam, moldando a forma como se observa a natureza e se vive o dia-a-dia. Nos santuários xintoístas, como o Fushimi Inari Taisha (Santuário Principal de Inari), a sequência infinita de torii (portais de entrada para o mundo sagrado) simboliza não apenas devoção, mas também a passagem contínua do tempo e a presença do divino em cada instante. Nos templos budistas, como o Kiyomizu-dera (Templo da Água Pura), o Kōdai-ji ou o Entoku-in, a arquitectura, os jardins e a disposição das pedras são projectados para cultivar a contemplação, a atenção plena e a aceitação da transitoriedade, valores centrais do budismo.
No Outono, a mudança de cor das folhas das árvores torna-se metáfora visual desta consciência, e lembra-nos de que mesmo o que parece eterno está em constante transformação. Mono no aware é essa compreensão serena da impermanência: a beleza do kōyō existe também porque não dura, e é precisamente essa condição que lhe dá profundidade.
O que fica: aceitar a transitoriedade como parte integrante da experiência.
Komorebi (木漏れ日)
A luz entre as folhas
Em Arashiyama, o Outono intensifica o contraste entre luz e sombra, e o sol perpassa pelos bambus altos e pelas árvores em ângulos inesperados. Komorebi nomeia precisamente este fenómeno: a luz filtrada pelas copas.
No recinto dos templos Jōjakkō-ji, o sol peneirado ilustra este efeito profundamente sensorial. A luz não ilumina tudo; escolhe fragmentos – um tronco, um caminho, um detalhe em pedra. Infiltra-se entre as folhas das árvores, iluminando discretamente o musgo, as folhas caídas e os telhados do recinto. Nada dura muito tempo. O instante seguinte já é diferente. As florestas de bambu são labirintos verdes com alturas de tsunami, onde os caules altos filtram o sol em linhas verticais de sombra e claridade, criando uma sensação de movimento constante.
No Tenryū-ji (Templo do Dragão Celestial), o jardim paisagístico abre-se em planos amplos, e a luz sobre o lago faz reflectir as cores das encostas arborizadas, fundindo a paisagem construída e a natural numa mesma paleta. E ao longo das margens do rio Katsura, as cores do Outono multiplicam-se na água, expandindo os jogos de luz fragmentada. Komorebi é o instante em que a paisagem nos revela mais um pormenor, reclamando a nossa atenção plena.
O que fica: aprender a reparar nos detalhes mais breves e delicados, na beleza efémera das coisas.
Yūgen (幽玄)
A profundidade que não se explica
O conceito de yūgen manifesta-se naquilo que não se mostra por completo. Em Nara, o Outono transforma a Floresta Primordial de Kasugayama num cenário de mistério. Os cervos, que desde há centenas de anos são considerados mensageiros dos deuses, circulam livremente pelos parques e caminhos – assim como que guardiões do espaço sagrado, reforçando a comunhão entre homem, natureza e espiritualidade. Pelos caminhos, alinham-se centenas de lanternas de pedra, gastas pelo tempo e cobertas de musgo, que dão ao cenário um toque ainda mais irreal.
No Santuário de Kasuga-taisha (Santuário da Primavera), logo após a entrada, ergue-se o Shato-no-Ohsugi (cedro gigante), uma magnífica árvore com 800 a 1000 anos, imponente e silenciosa, que simboliza longevidade e a conexão entre a natureza e o decreto divino de Kasuga-taisha de cuidar das plantas. O santuário é alvo de uma veneração extraordinária, como o provam os milhares de lanternas de bronze, muitas folheadas a ouro, oferecidas em prece por fiéis ao longo dos séculos. Todas estas lanternas são acesas durante os festivais Mantoro Matsuri – acredita-se que a luz ajuda a superar a escuridão da ignorância, oferecendo momentos para reflexão, gratidão e oração por boa sorte.
No recinto do Tōdai-ji (Grande Templo do Leste), o edifício maior abriga a monumental estátua de Buda Vairocana, rodeada por outras grandes esculturas de entidades sagradas. A escala imponente das estátuas e a obscuridade do interior reforçam a sensação de profundidade, intimismo e contemplação.
A atmosfera de Nara no Outono é perfeita para sentir o yūgen – aquilo que se intui mais do que se vê, a beleza que é subtil, feita de sombras e do que está sugerido, não declarado, e que só se descobre quando percebemos que apenas somos parte do cenário.
O que fica: nem tudo precisa de ser totalmente visível para ser significativo.
Ikigai (生き甲斐)
Razão de viver
Ikigai refere-se àquilo que dá sentido à vida. Não precisa de ser algo grandioso; pode estar nas pequenas constâncias do dia-a-dia.
Afastada das rotas turísticas mais concorridas, Matsumoto é uma cidade onde a vida decorre de forma tranquila. O ikigai revela-se na convivência equilibrada entre criação, quotidiano e paisagem.
O Castelo de Matsumoto é sólido, funcional e sem ostentações. Tal como a cidade, que é descomplicada e amigável. O Outono aqui mostra-se discreto, integrado na vida local, não encenado para os visitantes. Só se destaca quando subimos ao Castelo e olhamos através das suas janelas gradeadas. No lago que envolve a muralha reflectem-se as árvores tingidas de vermelho, castanho e amarelo, revelando o esplendor do kōyō.
Matsumoto é a cidade-natal de Yayoi Kusama, a quase centenária artista plástica e escritora que é actualmente um dos maiores expoentes da arte contemporânea. Para lá da exposição permanente dedicada aos seus trabalhos, também o exterior do Museu de Arte de Matsumoto é uma homenagem à artista, integrando a sua estética singular no contexto citadino – a arte como parte do ritmo de vida local.
Em Matsumoto, o ikigai percebe-se como algo simples e persistente, que se encontra nos gestos diários, no cuidado com o espaço, na relação tranquila entre passado e presente, entre o que é inovador e o que é antigo e merece ser preservado.
O que fica: encontrar propósito na continuidade, não apenas nos momentos excepcionais.
Shinrin-Yoku (森林浴)
O banho de floresta
Do antigo percurso da Nakasendō – uma das cinco estradas imperiais do Período Edo (1601 ou 1603-1868) no Japão, que ligava Edo (Tóquio) a Quioto através do interior montanhoso – permanecem hoje alguns trechos, o mais famoso dos quais liga as aldeias de Magome e Tsumago. O trilho estende-se por oito quilómetros de piso irregular, alternando calçadas de pedra originais, caminhos de terra atapetados de folhas e cruzados por raízes de árvores, degraus sustentados por toros de madeira, subidas, descidas e planos a direito, por vezes acompanhado pelo som da água de ribeiros. Tudo isto envolto num cenário de floresta que no Outono se veste de cores extravagantes, do rosa-choque ao vermelho mais berrante, do castanho-arroxeado ao dourado refulgente.
O caminho não exige esforço técnico; exige disponibilidade. Shinrin-yoku traduz-se literalmente como “banho de floresta”, mas não implica actividade física estruturada. Trata-se simplesmente de caminhar, permitindo que o ambiente influencie o corpo e a mente. No Japão, esta prática é reconhecida como forma de bem-estar. Neste excerto do Nakasendō, surge de forma natural: o trilho antigo, o ritmo tranquilo, a ausência de estímulos excessivos.
Neste contexto, o Outono não é espectáculo, mas atmosfera. A floresta não se impõe; envolve.
O que fica: a ideia de que estar na natureza não é escapar, mas regressar a um estado mais essencial.
Wabi-Sabi (侘寂)
A beleza do que envelhece
Rodeada pela beleza dos Alpes japoneses, Takayama é uma cidade surpreendente, onde o moderno e o antigo coabitam sem choques. No extenso bairro de Sanmachi, as casas mantêm as suas fachadas de madeira escura, marcadas pelos anos. Nada parece restaurado em excesso. As superfícies mostram desgaste, irregularidade, uso contínuo. Apesar das concessões ao turismo, muitas lojas dedicam-se à venda de artesanato de qualidade e de produtos locais tradicionais, como chá ou saquê. Há um sentido de beleza contida que se prolonga nos interiores de restaurantes e cafés tradicionais, onde vigas de madeira, iluminação baixa e objectos vintage criam ambientes que nos transportam para outras épocas.
O wabi-sabi valoriza esta estética: o simples, o imperfeito, o incompleto. O Outono reforça a sensação, acrescentando pontos de cor, textura e ainda mais sombra à atmosfera. Aqui, a beleza não está no novo, mas no que foi cuidado ao longo do tempo.
O templo mais antigo da cidade é o Hida Kokubun-ji, que remonta a meados do século VIII. Bem cuidado e conservado, a madeira escura dos edifícios e do seu pagode de três andares e a gingko centenária, tronco robusto e folhas-leque douradas pelo kōyō, ilustram simultaneamente uma espiritualidade discreta e a recusa em ocultar a passagem dos anos.
Takayama celebra a Primavera e o Outono em dois eventos anuais que se realizam desde há cerca de 400 anos. Os Takayama Matsuri são considerados dos mais belos festivais do Japão, e a sua longevidade reflecte bem a lógica japonesa de continuidade: rituais que se repetem, que se ajustam ao tempo, mas preservam o essencial. Um conceito que dialoga directamente com o wabi-sabi e com a noção de tempo cíclico tão presente na cultura do país. Os carros alegóricos (yatai) que desfilam durante o festival são um prodígio. Doze no total, todos diferentes e preciosamente decorados, têm um significado religioso, simbólico e comunitário profundo. Cada carro foi construído como oferta religiosa e pertence a uma comunidade específica, reflectindo a fé e o esforço colectivo dos bairros (machi) da cidade, e reforçando os laços sociais e a continuidade das tradições ao longo de gerações. Os yatai são expostos rotativamente (apenas quatro de cada vez) no Takayama Matsuri Yatai Kaikan, um salão do edifício onde estão guardados, e de onde apenas saem nos dias dos festivais.
À beira-rio, em cada manhã, o mercado de Miyagawa revela uma rotina simples: barraquinhas modestas, produtos sazonais, comida de rua e artesanato. Realiza-se desde o período Edo, quando agricultores e artesãos das aldeias em redor de Takayama começaram a reunir-se junto ao rio Miyagawa para vender excedentes agrícolas, flores e produtos artesanais directamente à população da cidade. Hoje em dia, mais do que um mercado turístico, mantém ainda a função original de proximidade, reflectindo um modo de vida assente na relação directa entre quem produz e quem consome – um exemplo muito claro de wabi-sabi aplicado ao quotidiano.
O que fica: aceitar a imperfeição como sinal de autenticidade.
Ma (間)
O espaço necessário
O Museu ao Ar Livre de Gora dispõe esculturas em diálogo com o espaço aberto, onde o vazio entre cada obra faz tanto parte da experiência quanto as obras artísticas exibidas. Para chegar a Gora, a viagem faz-se em camadas: o comboio da linha Hakone Tozan serpenteia pela montanha, invertendo várias vezes o sentido da sua marcha para conseguir vencer o desnível, num ritmo imposto pelo perfil orográfico. De Gora para Hakone, o percurso continua por etapas – primeiro de funicular, subindo lentamente pela encosta; depois de teleférico entre Sōunzan e Ōwakudani, de onde a vista abrange todo o espaço de montanha que as nuvens baixas deixam alcançar; e a seguir descendo pela vertente oposta, novamente de teleférico, com o olhar suspenso sobre vales profundos e florestas densas e prenhes de cor. O itinerário não encurta a distância; prolonga-a, criando tempo para observar.
Em Hakone, ma revela-se na relação entre movimento e pausa, entre paisagem e deslocação. No Lago Ashi, protegido pelas montanhas que o cercam, a água cria um espaço de imobilidade, de acolhimento silencioso, mas também de separação – entre o que está oculto abaixo da superfície e o que se descobre acima dela. O Torii da Paz, ancorado no lago, marca a transição simbólica entre o profano e o sagrado. Ao Kuzuryū-jinja (Santuário do Dragão com Nove Cabeças), recolhido na floresta, só chegamos depois de ascender muitos degraus. Em Hakone, ma é o tempo e espaço entre um lugar e outro, a terra de ninguém que permite a existência plena de algo depois dela. E que, ao mesmo tempo, transforma a deslocação em experiência.
O Outono reforça esta percepção: os espaços enchem-se de cor, mas mantêm-se abertos.
O que fica: reconhecer o valor do espaço – seja físico, mental ou emocional.
Wa (和)
A harmonia
Wa é um valor central da sociedade japonesa: harmonia entre pessoas, natureza, espaço e tempo.
Nas aldeias gasshō de Ainokura e Shirakawa-go, o conceito de wa manifesta-se na integração natural entre clima, paisagem e arquitectura comunitária. As casas gasshō-zukuri têm telhados íngremes, concebidos para suportarem a copiosa neve do inverno japonês; fazem lembrar mãos em oração, e é esse o motivo do seu nome (gasshō significa “oração”). São construídas em madeira e palha, e não levam pregos.
Em Shirakawa-go, a maior e mais conhecida destas aldeias alpinas, os telhados inclinados de palha formam um padrão uniforme e imponente, que contrasta com as encostas da montanha, pintadas com as cores de Outono. Descoberta pelo turismo, algumas das suas casas funcionam como loja ou museu, mas muitas ainda são habitadas pelos proprietários.
Em contraste, Ainokura, menor e mais intimista, preserva um estilo de vida rural único no Japão, um ritmo de vida mais silencioso e discreto, onde cada construção mantém proximidade com o terreno e com os vizinhos. Ambas as aldeias demonstram como wa se traduz em equilíbrio: os habitantes cuidam das casas uns dos outros, respeitam os ciclos naturais e adaptam os espaços às exigências do local e do clima.
Percorrer estas aldeias fez-me compreender que a harmonia japonesa não é apenas estética, mas prática, social e ambiental – um modo de existir em comunhão com tudo o que nos rodeia.
O que fica: procurar harmonia em vez de excesso.
Kokoro (心)
A unidade entre mente e coração
Em Tóquio, o conceito de kokoro manifesta-se nos espaços de tranquilidade que emergem no meio da cidade movimentada.
Nos jardins tradicionais, cada detalhe é pensado com vista a atingir o equilíbrio, e a mantê-lo. A atenção concentra-se no essencial. Pedras colocadas com propósito, areia cuidadosamente trabalhada, musgo que cresce sem interferência. Pouco acontece, e ainda assim tudo está presente.
Kokoro reúne coração, mente e espírito numa única ideia. Não separa a razão da emoção. Os jardins convidam à observação silenciosa, à errância reflexiva. Não pretendem impressionar; e, ainda assim, conseguem-no sobremaneira. Seja no Rikugien, ao percorrer os seus trilhos que contornam lagos com pequenas pontes, colinas artificiais e árvores centenárias, no Koishikawa Korakuen, onde a variedade de plantas e espelhos de água se vão revelando gradualmente, ou no Ninomaru, dentro do complexo do Castelo de Tóquio, observando as lindíssimas carpas koi com barbatanas longas, o Outono empresta ainda mais emoção às paisagens desenhadas destes jardins. É a época ideal para o kokoro – para integrar percepção e sentimento.
O que fica: alinhar pensamento, emoção e acção num mesmo ritmo.
Zanshin (残心)
A atenção que permanece após o gesto
Nos santuários e templos de Nikkō, o zanshin surge como a consciência que se mantém mesmo depois de atravessarmos um espaço ou completarmos um gesto. Os recintos budistas e xintoístas, dispersos pela floresta, convidam à observação e reflexão, à atenção que não se esgota no instante, mas se prolonga na memória. Não é possível absorver tudo de uma só vez. Há que registar e deixar assentar. Esta necessidade torna-se quase imperiosa no santuário de Tōshō-gū, onde a abundância decorativa raia o exagero e exige foco. Antes da entrada, o pagode Gojū-no-tō, com os seus cinco exuberantes níveis sobrepostos, evoca os elementos da natureza e uma ideia de estabilidade silenciosa. O portão Yōmei-mon, coberto por centenas de esculturas minuciosas, o uso de madeira ricamente lacada e de folha de ouro nos diversos edifícios e portões, e a profusão de elementos, compõem um conjunto visual denso, onde cada detalhe tem uma intenção simbólica. As figuras muito populares dos Três Macacos Sábios e do Gato Adormecido remetem para vigilância, autocontrolo e protecção – ideias que reforçam a necessidade de presença continuada.
Em contraste, o santuário interior (Okusha), onde repousa o túmulo de Tokugawa Ieyasu (fundador do shogunato de Tokugawa, que governou o Japão durante 250 anos, até 1868), é um espaço austero, silencioso, afastado da ornamentação exterior. Chegar lá exige esforço: é necessário subir uma escadaria de 207 robustos degraus de pedra, construída em vários níveis por entre os cedros que revestem a encosta. Um percurso exigente, que requer firmeza e reforça o sentido de transição e de intenção.
Em Nikkō, o zanshin não está ligado a um ponto específico, mas sim à forma como a atenção se mantém activa ao longo dos percursos, persistindo mesmo depois de termos partido, mantendo a conexão com o espaço e o momento. Uma espécie de presença prolongada.
O que fica: manter consciência para além do resultado imediato.
***
Na impossibilidade de explicar todo o Japão através de conceitos, eles são, ainda assim, pistas para compreender um pouco melhor a essência do espírito japonês.
Viajar pelo Japão no Outono é aceitar que a experiência não é constante nem previsível. As folhas mudam, caem, desaparecem. Algumas paisagens surgem no momento certo; outras não. Talvez seja isso que o momijigari ensina: não simplesmente a procurar o que quer que seja, mas a aceitar que tudo tem o seu tempo. E, nesse processo, aprender a olhar – com mais atenção, menos ruído e maior respeito pelos outros e por aquilo que nos rodeia.
(Este artigo foi publicado pela primeira vez no blogue Delito de Opinião)
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