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Viajar porque sim

Paixão por viagens, escrita e fotografia

Qua | 09.02.22

Diário de uma viagem à Islândia IX

Água branca, gelo azul e areia negra

 

O Vatnajökull é o maior glaciar da Islândia (abrange cerca de 8% do país) e da Europa, cobrindo uma área de 7700 km2 (quase o triplo do tamanho do Luxemburgo). A sua formação principiou há cerca de 2500 anos, mas era consideravelmente mais pequeno quando os primeiros habitantes se fixaram na Islândia. A partir do século XIII a atmosfera da Terra arrefeceu e os glaciares islandeses começaram a aumentar de tamanho; esta progressão só terminou em finais do século XIX. Deste glaciar gigante nascem cerca de 30 outros glaciares mais pequenos individualizados, dos quais o mais turístico é o Breiðamerkurjökull – uma enorme língua de gelo que termina no muito famoso lago Jökulsárlón.

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Dia 9

 

Nos cerca de 70 km que percorremos desde a Seljavellir Guesthouse, onde tínhamos passado a noite, até ao primeiro destino deste dia (e um dos spots mais aguardados desta viagem) o Vatnajökull foi omnipresente na paisagem do lado direito da estrada – por onde desfilaram também quintas, uma ou outra minúscula aldeia, e alguns edifícios abandonados. A temperatura da superfície terrestre aumentou em média cerca de 1°C desde a era pré-industrial, e mais ainda na região do Árctico, o que tem provocado o degelo de muitos glaciares, e o Vatnajökull não é excepção. Nos últimos 30 anos, as suas massas de gelo têm vindo a recuar vários quilómetros, perdendo simultaneamente centenas de metros de espessura. A culpa é, como já todos sabemos, do aquecimento global provocado pelos gases com efeito de estufa. É claro que ao ver este fantástico gigante gelado não nos apercebemos de como a situação é grave (e não só na Islândia), mas o pequeno documentário “After Ice” abre-nos os olhos para a realidade.

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A maravilha a que chamam Jökulsárlón é outra evidência deste facto. Por incrível que pareça, a lagoa glaciar que é actualmente um dos lugares mais visitados da Islândia só começou a formar-se nos anos 50 do século passado. Hoje em dia tem mais de 100 metros de profundidade e todos os anos aumenta de tamanho também cerca de 100 metros – tantos quantos os que o glaciar regride. A lagoa oferece-nos uma das paisagens mais incríveis e invulgares que podemos ver no mundo. A cor da água espelha a do céu, fabulosamente azul na altura em que lá chegámos, água onde flutuam centenas de icebergues que se desprenderam do glaciar. Nem todos são da mesma cor, e muito menos uniformes: alguns são essencialmente brancos, outros mostram grandes manchas negras, uns têm um azul quase turquesa indescritível, outros ainda são meros pedaços de gelo transparente. Muitos são altos como casas, outros têm apenas umas dezenas de centímetros. Os mais leves movem-se lentamente para sul em direcção ao mar, que está ali a poucas centenas de metros e acabam por derreter na areia, ou misturam-se com a água salgada.

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Além da paisagem, o Jökulsárlón tem outra atracção: as focas. A espécie mais habitualmente avistada é a foca-comum, mas por vezes também aparecem focas-cinzentas. A lagoa e os rios adjacentes são férteis em peixe: salmão, truta, robalo, galeota, capelim e arenque, entre outros. Naquele dia a pesca devia estar especialmente atractiva. Dezenas de andorinhas-do-mar árcticas azafamavam-se voando e mergulhando, e duas focas vieram fazer-lhes companhia, em modo relax, navegando calmamente e apenas mergulhando quando achavam mesmo necessário.

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Fomos andando pela margem até ao mar, passando sob a ponte que faz parte da Ring Road. Na praia, a areia é negra e está cheia de pingentes de gelo, que lhe dão o seu também famoso nome: Praia dos Diamantes. A ondulação era quase inexistente, as ondas minúsculas morriam mansamente aos nossos pés enquanto andámos por ali, enregelados pelo vento frio que soprava directamente do glaciar – embora estivessem uns supostamente razoáveis 12°C, o vento dava-nos a sensação de estar muito mais frio. Grandes pedaços de gelo continuavam a flutuar à nossa frente, muito azuis, relutantes em misturar-se com a água do mar acinzentada, e toda a atmosfera parecia pintada de um turquesa muito claro e meio baço, a contrastar com o negrume da areia e dos seixos rolados que pisávamos. Atrás de nós, o branco do glaciar quase a tocar o branco das nuvens, e por baixo faixas de terra escura. Um mundo feito de contrastes.

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Por esta altura já eram horas de almoço. Esta área do sul da Islândia é bastante inóspita e não há grande oferta de sítios onde comer. E se no norte do país é fácil encontrar alojamentos com cozinha, no sul esta opção já é mais rara, por isso a nossa estratégia tinha passado a ser almoçar em restaurante e depois socorrermo-nos de um supermercado para comprar o jantar e o pequeno-almoço do dia seguinte. Foi por isso que decidimos parar para almoçar no Frost, uns 10 quilómetros mais à frente na Ring Road. Instalado numas casas baixas de madeira acinzentada, onde também propõem passeios de barco, este restaurante self-service tem um buffet razoável (em qualidade e preço) e paredes envidraçadas com excelentes vistas para a paisagem em redor. Está encostado ao Fjallsárlón, outro lago extremamente fotogénico que, sendo bem mais pequeno do que o seu vizinho, tem a vantagem de nos permitir ver o glaciar mais de perto e até mesmo assistir, com um bocadinho de sorte, ao desmoronamento de grandes pedaços de gelo. Depois de comer fomos até perto do lago, e juro-vos que nunca na minha vida apanhei ao mesmo tempo tanto vento e frio. A ventania gelada era absolutamente impressionante, e percebi a razão pela qual o nosso carro de aluguer tinha no interior um autocolante a avisar que o seguro não cobria a reparação de portas arrancadas pelo vento…

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A Islândia é o mais religioso dos países nórdicos (a religião predominante é a luterana), embora apenas 10% dos islandeses sejam praticantes frequentes. O país tem cerca de 350 igrejas, sensivelmente uma por cada mil habitantes, o que é uma taxa bastante elevada. Isto explica-se porque até à abertura da Ring Road, em 1974, as deslocações no país eram extremamente difíceis e morosas devido ao perfil acidentado da ilha, pelo que cada localidade, por mais pequena que fosse, precisava de ter a sua própria igreja. Todas as igrejas construídas antes de 1918 estão protegidas por lei, bem como várias outras que vão sendo preservadas por recomendação da Comissão de Antiguidades do Estado. Algumas pertencem ao património do Museu Nacional da Islândia, e a igreja de turfa de Hof é uma delas. A um mero desvio de 500 metros da Ring Road, Hof é um aglomerado muito antigo de pequenas quintas, algumas das quais também oferecem alojamento aos visitantes. A igreja foi erguida em 1884 no local onde existia uma outra mais antiga, e dedicada a São Clemente – na época, o culto predominante na Islândia era o católico. A Hofskirkja é a mais recente das seis igrejas de turfa remanescentes no país. Passou para a tutela do Museu Nacional em 1954, altura em que foi reconstruída e reconsagrada.

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Embora a fachada e o interior desta pequeníssima igreja sejam de madeira pintada, as paredes são compostas por grandes pedras colocadas umas de encontro às outras. O telhado é formado por lajes também de pedra e toda a construção foi coberta de turfa praticamente até ao nível do terreno elevado em que está meio enterrada. Rodeada por árvores baixas e por um muro de pedra também coberto de vegetação, quase passa despercebida. À volta e atrás, simples cruzes brancas com uma placa preta gravada indicam o local onde estão sepultados antigos habitantes da localidade, que estava isolada até à construção da Ring Road.

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Neste nono dia da viagem estávamos já a entrar na região mais turística da Islândia, e por volta das duas da tarde chegámos ao Parque Nacional Skaftafell, outro dos lugares mais visitados do país. O motivo? A cascata Svartifoss, que não é uma das maiores nem mais espectaculares, mas é sem dúvida uma das mais originais. Só é acessível a pé, por isso deixámos o carro no enorme estacionamento que fica junto ao restaurante e ao parque de campismo – um dos poucos parques de estacionamento pagos que encontrámos – e encetámos o percurso de dois quilómetros que leva à queda de água. Nós e mais umas largas dezenas de visitantes, que em época normal serão decerto muitos mais. Voltei novamente a sentir-me sortuda por ter a oportunidade de viajar no país sem que houvesse a habitual pressão turística.

 

O trilho até à cascata é sempre a subir (mais de 140 metros de desnível) e estavam uns primaveris 18°C, porque o sol tinha conseguido ganhar a batalha contra as nuvens. Mesmo tendo deixado o anoraque no carro, e pela primeira vez nesta viagem, a subida fez-me ficar cheia de calor. No caminho passámos por uma outra cascata, a Hundafoss, modesta pelos padrões das cascatas islandesas mas bem vinda como paragem para descansar um pouco e ver a paisagem – predominantemente verde, salpicada pelo branco das angélicas em flor, com o também branco do Vatnajökull a espreitar ao longe.

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A aproximação à Svartifoss faz-se do alto, e neste primeiro contacto conseguimos vê-la na totalidade, caindo vinte e tal metros a pique numa espécie de pequena cratera aberta na montanha, que deixa à vista as colunas hexagonais de basalto que a tornam famosa. Consta que esta cascata foi uma das inspirações para o arquitecto Guðjón Samúelsson conceber a Hallgrímskirkja, a icónica catedral de Reiquiavique.

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Depois descemos até ao nível do rio, onde alguns miúdos aproveitavam o inesperado dia solarengo para brincar na água, indiferentes à sua temperatura pouco convidativa. Vista de baixo, a parede de rocha escura faz lembrar os tubos de um descomunal órgão de igreja. Por vezes chamam-lhe “cascata negra” – tem pouco caudal e a cor da pedra transparece, matizando a água de tons sombrios. As colunas basálticas têm ainda outra particularidade menos simpática: devido à erosão, desprendem-se aos poucos, em pedaços, e constituem por isso um perigo real para os visitantes, que são instados a não saírem dos acessos marcados à plataforma de observação perto da cascata (e a desobediência é castigada com multa e expulsão do parque, que na Islândia não se brinca em serviço).

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Existem na Islândia cerca de 30 sistemas vulcânicos activos, e 13 deles já tiveram erupções desde que a ilha foi colonizada, no século IX. Em conjunto, nos últimos 500 anos deram origem a um terço de toda a lava produzida a nível mundial. É por baixo da calota de gelo do Vatnajökull que se encontram dois dos vulcões que mais “agitação” têm provocado: o Grímsvötn (o campeão, com várias erupções nas últimas décadas, a mais recente com data de 2011) e o Bárðarbunga que, com os seus 2.009 metros acima do nível do mar, é a segunda montanha mais alta da Islândia. A última erupção do Bárðarbunga ocorreu entre Agosto de 2014 e Fevereiro de 2015, e apesar de não ter produzido muita cinza vulcânica, emitiu grandes quantidades de dióxido de enxofre e teve bastante impacto na qualidade do ar do país. Mas a erupção anterior, em 1996, teve outros efeitos nefastos: provocou a liquefacção de parte do glaciar, com as consequentes inundações e o desprendimento de enormes icebergues que arrasaram a ponte do Gígjukvísl e destruíram a maior parte da ponte do Skeiðará, na altura a ponte com maior vão existente na Islândia. Duas vigas torcidas desta ponte, arrastadas pela enchente, ficaram meio enterradas no solo e permanecem na planície arenosa de Skeiðarársandur, à beira da Ring Road, transformadas em monumento destinado a recordar-nos que a natureza é mais poderosa do que o Homem.

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Este é também o melhor sítio para observar a Hvannadalshnjúkur, a montanha mais alta da Islândia, cujo pico se ergue até quase 2.110 metros de altura numa das orlas do vulcão Öræfajökull.

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Continuámos a galgar quilómetros de asfalto em excelente estado num percurso plano e sem curvas. Ao lado da estrada, riscas alternadas de erva primeiro verde, depois vermelha, e terra castanha muito escura, tudo salpicado aqui e ali por bolas de pêlo claro (ou seja, ovelhas). As montanhas passaram do cinza-quase-negro ao verde e foram diminuindo de tamanho, afastando-se cada vez mais até desaparecerem na planura da paisagem, substituídas depois por colinas e quintas que iam surgindo aqui e ali, e por vezes também por grandes extensões de água.

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Ao fim de uma hora, nova paragem para visitar mais um lugar notável: o Fjaðrárgljúfur, o desfiladeiro abrupto por onde corre o rio Fjaðrá. É uma ravina estreita e de recorte sinuoso, com cem metros de profundidade e dois quilómetros de comprimento, formada pelo esvaziamento de um lago glaciar nos finais da última idade do gelo, que desgastou a pedra macia e apenas deixou a rocha mais resistente. É possível percorrer o desfiladeiro junto ao rio, que é muito raso e pouco abundante, mas nós não estávamos preparados com calçado impermeável, por isso fizemos o mesmo que a maior parte dos outros visitantes: subimos o trilho que acompanha a crista da ravina. Como recompensa, uma vista mais abrangente sobre muitos quilómetros da paisagem em volta, e em especial sobre as curvas caprichosas do Fjaðrá, uma fita azul brilhante entre as paredes sombrias e recortadas da garganta rochosa que o protege.

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Três quartos de hora depois chegámos a Vík í Mýrdal, conhecida por ser a localidade mais a sul da Islândia. Pequena, com meia dúzia de ruas muito direitas, casas com telhados cinzentos (algumas com ar de pré-fabricadas), rodeada de mar e verde, há quem lhe chame encantadora. Eu achei-a desenxabida. Subindo a encosta chegámos à igreja, o único edifício que chama a atenção, obrigatória em qualquer fotografia do local. Depois subimos mais um pouco até ao cemitério, o melhor miradouro sobre as redondezas. (Parêntesis filosófico: porque será que tantos cemitérios ficam em pontos altos? Para que os mortos estejam mais próximo do céu?). Aqui, como que para compensar a ausência de vida a que o local foi destinado, no lado da estrada oposto ao cemitério há uma abundância dela: meia dúzia de cavalos islandeses de várias cores, bem tratados e com um ar simpático, pastavam na erva fina, alheios ao vento fresco que lhes agitava as crinas bem penteadas.

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Vista de cima, a vilazinha ganha alguma graça, sobretudo porque se vêem ao longe os rochedos de Reynisdrangar, sobressaindo do oceano como dedos apontados ao céu. Amigos como são de histórias e seres fantásticos (já falei disso no post sobre a península de Snæfellsnes), os islandeses também têm no seu folclore uma lenda associada a estes rochedos. Ao que parece, os trolls só sobrevivem no escuro, e à noite descem das montanhas em busca de alimento. Sucede que uma bela noite, em tempos idos e por razões desconhecidas, dois trolls tentaram puxar para terra um veleiro, tarefa que se mostrou mais árdua do que previam. Distraídos que estavam, não se aperceberam de que o dia estava a nascer, e ao serem tocados pelos primeiros raios de sol, transformaram-se em pedra – e ali estão até hoje, em jeito de aviso aos incautos.

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De forma mais pragmática (e menos romântica), à entrada da praia de Reynisfjara também há avisos, estes em forma de placas afixadas: é preciso ter cuidado com as ondas e nunca virar as costas ao mar, pois a rebentação no local é extremamente traiçoeira e já várias pessoas morreram por terem sido surpreendidas por uma onda mais forte que as arrasta, sem qualquer hipótese de salvação. Sorte nossa, naquele dia o mar estava mansinho e a ondulação era incipiente – um autêntico dia de Verão (um dos melhores que apanhámos em toda a viagem), com céu limpo e o sol alto a bafejar-nos com uns agradáveis 17°C, apesar de já serem 7 da tarde.

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A praia de Reynisfjara é de pedrinha preta, e não está propriamente vocacionada para apanharmos banhos de sol. Na verdade, é sobretudo visitada devido ao carácter peculiar da sua falésia, com colunas hexagonais de rocha basáltica idênticas às de Svartifoss. Formadas a partir de lava vulcânica basáltica rica em ferro e magnésio, que se contrai muito rapidamente e solidifica quando exposta ao ar, estas mudanças alteram a composição química e o aspecto da lava, que assume uma configuração geométrica e, neste caso específico, colunar – um fenómeno relativamente raro no nosso planeta. As colunas, de alturas variáveis, são um parque de diversão para os miúdos, que se divertem a escalá-las, e até há uma gruta para explorar.

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Mais acima na falésia, os paralelepípedos dão lugar à vegetação rasteira, e tornam-se no habitat perfeito para a nidificação dos deliciosos puffins (de que já falei num dos posts sobre os Westfjords). Este não é o lugar ideal para os ver de perto, mas lançam-se frequentemente em voo para o mar, à procura de comida, quais kamikazes temerários. Outro local excelente para observar estas aves tão fofas é a península de Dyrhólaey, no extremo oeste de Reynisfjara, facilmente identificável de longe pelo arco escavado na rocha.

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Neste dia cheio de “vedetas” da paisagem islandesa, ainda faltava ver mais uma. A Skógafoss é outra das cascatas mais fotografadas da Islândia, e é fácil perceber porquê: fica a um curto desvio da Ring Road, tem parque de estacionamento ao pé, e vê-la não implica subidas nem descidas, o que a torna acessível a toda a gente. Como se isso não bastasse, é também uma queda de água espectacular – uma cortina de água absolutamente vertical, gigante nos seus pouco mais de 60 metros de altura e quase 30 de largura, cai com estrépito num leito de terra negra, criando uma neblina permanente. Com o sol mais baixo no horizonte, a cascata já estava completamente na sombra, e por isso não se via nenhum dos efeitos de arco-íris pelos quais a Skógafoss é tão popular entre os fotógrafos, sejam eles profissionais ou simples turistas. Do lado direito da cascata há um trilho (com 400 degraus!) que dá acesso à parte superior do curso do rio, onde há várias outras quedas de água – mas nenhuma delas tão colossal.

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O nosso alojamento desta noite, embora não tenha sido o mais barato da viagem, foi o mais fraco no que toca à qualidade. A Welcome Guesthouse Edinborg fica bem situada, perto da Ring Road e a apenas meia dúzia de minutos da Skógafoss, com belas vistas para a montanha Eyjafjöll (onde dorme o Eyjafjallajökull, responsável pelas erupções de 2010, que obrigaram uma vintena de países a suspender o tráfego aéreo durante vários dias). Mas nota-se que já viu melhores dias e está a precisar de alguma renovação. Ainda assim, o quarto era suficientemente cómodo e estava tudo bem limpo, e pudemos usar o frigorífico e fazer as refeições no grande salão do andar superior, completamente sozinhos apesar de haver mais pessoas alojadas na casa.

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A cortina blackout deixava escapar, pelas frinchas laterais, alguma claridade da noite branca. Mas o aquecimento funcionava bem, o colchão e o edredão eram bons, e o cansaço de mais um dia cheio fez com que nenhum pormenor fosse incomodativo o suficiente para impedir uma boa noite de sono – a única coisa de que precisava no final de cada dia desta maravilhosa viagem.

 

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O roteiro e várias informações práticas sobre a Islândia estão aqui: Coleccionar paisagens surreais na Islândia

 

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Diário de uma viagem à Islândia - Água branca, gelo azul e areia negra