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Viajar porque sim

Paixão por viagens, escrita e fotografia

Seg | 25.05.20

Viajar devagar

 

Aqui há tempos li um artigo sobre um casal que visitou 60 países num ano. 60 países??? Em 12 meses??? Isso dá uma média de 5 países por mês, o que significa menos de uma semana em cada um. É certo que o elemento feminino do casal refere no blogue que só esteve um dia no Cairo (aqui sobraram-lhes alguns dias para estarem mais tempo noutro lado…) – e eu até concordo que o Cairo não é das cidades mais agradáveis para uma estadia demorada mas… um dia??? E mais: conseguiram ver nesse dia os três locais que se propunham visitar: a Esfinge e as Pirâmides de Gizé, o Museu Egípcio e o mercado de Khan el-Khalili. A prová-lo lá está uma foto muito gira da jovem, lindamente vestida, com as Pirâmides em fundo – uma foto perfeita para o Instagram ou qualquer outra rede social.

 

Bom, eu acredito que só lá tenham estado um dia. Até acredito que tenham visitado o que dizem – mas terá sido certamente entrada por saída, com pouco mais de tempo do que o suficiente para tirarem umas fotos bonitinhas e “instagramáveis”. Para o Museu é preciso pelo menos meio dia, mesmo não vendo tudo ao pormenor; outro tanto gasta-se à vontade em Khan el-Khalili; e Gizé também não se visita em quinze minutos, mesmo sem contarmos com o tempo da deslocação.

Esfinge, Gizé, Egipto.jpgGizé, Egipto

 

Cada vez me faz mais confusão esta forma de viajar. Percebo que se queira aproveitar ao máximo o tempo para ver tudo o que for possível – há tantos lugares para visitar, e as horas passam tão rápido… – sobretudo se temos apenas alguns dias ou semanas de férias até regressarmos à rotina diária. Mas quando se trata de pessoas que largaram o trabalho fixo para andarem pelo mundo, não consigo entender de maneira nenhuma esta necessidade de correria.

 

Vivemos demasiado depressa nos dias de hoje. Contra mim falo, que ando constantemente a tentar esticar as horas do dia para nelas caberem tudo aquilo que quero ver, ler, escrever, conversar, aproveitar, e ainda descansar. Também eu já fiz viagens de carro de 12 horas seguidas, circuitos turísticos com jornadas de percorrer 600 quilómetros em autocarro – com paragens pelo meio para ver isto ou aquilo durante meia hora, uma hora no máximo – cruzeiros em que se chega de manhã a uma cidade para de lá sair ao fim da tarde e acordar no dia seguinte num outro lugar. Já fiz, sei como é e, muito francamente, não é a forma de viajar de que eu mais gosto.

Barrinha de Esmoriz, Portugal.pngBarrinha de Esmoriz, Portugal

 

Quando comecei a viajar regularmente para fora de Portugal, ainda antes da era dos telemóveis e da internet, tudo era marcado através das agências de viagem. E, apesar de todas elas terem pacotes fixos de viagens pré-feitas, era perfeitamente possível organizarem-nos uma viagem por medida. Consegui por isso arranjar sempre viagens mais ou menos de acordo com as minhas preferências de tempo. No mínimo 5 dias para uma cidade grande, e nunca menos de duas semanas para umas férias de praia e passeio num qualquer país mais distante. Quando as agências passaram a praticamente só oferecer pacotes de uma semana, comecei eu própria a organizar as minhas viagens, de forma a aproveitar ao máximo o (pouco, sempre pouco…) tempo que tenho disponível para viajar, mas ao ritmo a que eu gosto.

Mosteiro de Barsana, Maramures, Roménia.jpgMosteiro de Barsana, Maramures, Roménia

 

Viajar devagar tem outro sabor. Não é viajar sem destino, porque organizo previamente um roteiro com aquilo que não quero deixar de ver; e é claro que tenho de marcar passagens e fazer eventualmente algumas reservas – porque não me apetece chegar à meia-noite a uma cidade e ainda ter de ir procurar alojamento, por exemplo, ou querer alugar um carro e não ter porque é época alta e estou num sítio onde a oferta é reduzida. Mas na minha “organização” reservo sempre tempo para poder conhecer com calma os lugares que vou visitar, e deixo espaço para o imprevisto e para a vontade de ficar mais tempo aqui ou ali, para passear com calma, para alterar o percurso se me apetecer.

Cascata de Naraío, Galiza, Espanha.JPG

Fervenza de Naraío, Galiza, Espanha

 

Viajar devagar é também um estado de espírito. Gosto de andar sem grande rumo numa cidade, fazer uma caminhada de vários quilómetros em vez de ir de carro, descobrir uma praia fantástica numa qualquer aldeola ainda fora dos roteiros turísticos, olhar para um mapa e decidir que em vez de ir para sul vou para leste. Gosto sobretudo de ser surpreendida – dar por acaso com algum sítio de que nunca ouvi falar e pelo qual me apaixono a ponto de querer ficar mais tempo, conhecer os seus recantos, comer num qualquer restaurante despretensioso mas onde a comida é deliciosa, falar do meu país com quem me pergunta de onde sou, e em troca ficar a saber alguns segredos que só conhece quem ali vive.

Flores, Açores, Portugal.JPGFlores, Açores, Portugal

 

Viajar devagar permite-me criar uma ligação maior ao lugar que visito. Ao terceiro dia em Londres já olho automaticamente primeiro para a direita antes de atravessar uma rua, ao terceiro dia em Veneza já me oriento nalgumas ruelas sem precisar do mapa, ao terceiro dia em Annecy já conheço dois restaurantes onde se come bem e os empregados são conversadores. Ao fim de alguns dias numa cidade ou numa região começa a instalar-se um sentimento de familiaridade que, longe de me entediar, faz-me sentir mais relaxada e confortável. Começo a reconhecer algumas palavras na língua e escrita locais, já sei onde é o frigorífico das bebidas frescas no supermercado e não preciso de perguntar novamente se um determinado prato típico local leva queijo ou é picante. Começo a sentir-me em casa, mas numa casa nova que estou excitantemente a descobrir aos poucos.

Annecy, França.jpgAnnecy, França

 

Viajar devagar consolida as minhas futuras memórias do que vivi em cada lugar onde estive. Na voragem da correria o cérebro só vai conseguindo reter uma coisa aqui, outra acolá. Tenho uma memória sobretudo visual e olfactiva, preciso de estar efectivamente num local para absorver o seu ambiente, observar os pormenores, sentir as emoções que ele me desperta – ou não! Só assim consigo mais tarde reviver as experiências que tive, e ao revivê-las transporto-me para lá, é quase como estar a viajar novamente.

Londres, Reino Unido.JPGKyoto Garden, Londres, Inglaterra

 

Embora nem sempre me seja possível viajar tão devagar quanto de facto gostaria – ah, esta incapacidade de multiplicar para o dobro os dias de férias e os fins-de semana…! – tenho vindo cada vez mais a escolher a qualidade em detrimento da quantidade. Não quero simplesmente coleccionar lugares, não quero vangloriar-me de que visitei quatro cidades numa semana, não quero chegar de uma viagem com a sensação de que vi muita coisa mas não conheci quase nada. Quero viver plenamente cada experiência, sentir o local onde estou, desacelerar, ter tempo, aproveitar o tempo.

Drave, Portugal.JPGDrave, Portugal

 

E é por isso que, sempre que posso, viajo devagar.

 

(texto publicado originalmente no blogue Delito de Opinião)

 

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Viajar devagar.jpg

 

 

 

Qua | 20.05.20

Roteiro de fim-de-semana: dois dias no Porto

 

A nossa cidade invicta está cada vez mais bonita e surpreendente. Sempre que a visito descubro algo que ainda não tinha visto, e mesmo assim ainda fica muito por ver. É por isso que vos proponho um roteiro para conhecerem (ou revisitarem, porque não?) o essencial da acolhedora e multifacetada cidade do Porto.

 

Dia 1

 

Vamos começar o primeiro dia bem cedo no coração da cidade, onde muitos portuenses festejam a passagem de ano e outros acontecimentos: a Avenida dos Aliados. No topo desta avenida erguem-se os lindíssimos Paços do Concelho. Sabiam que este icónico edifício começou a ser construído em 1920 mas só foi terminado em 1955? A soberba torre central tem 70 metros de altura e um relógio de carrilhão, e à frente do edifício há uma imponente estátua de bronze de Almeida Garrett, ali colocada em 1954 para comemorar o centenário da morte deste escritor portuense. Todo o conjunto arquitectónico da avenida é magnífico e continua bem preservado, apesar de grande parte dos seus edifícios mais emblemáticos estarem agora ocupados por negócios triviais.

Paços do Concelho

Avenida dos Aliados

Avenida dos Aliados

Ao fundo da avenida, já na Praça da Liberdade, não há como resistir a parar na Arcádia para comprar os famosos chocolates (fabricados artesanalmente desde 1933), ou beber um café acompanhado de um dos seus variados e deliciosos quindins ou outra gulodice no género. Afinal de contas, há que providenciar energia para os vários quilómetros que vão ser percorridos – a pé! – durante este dia.

Arcádia

 

Viramos à direita e subimos até à Igreja dos Clérigos, a obra de Nicolau Nasoni que é o ex-libris do Porto. Visita imprescindível, embora seja necessário “trepar” 225 degraus em espiral para chegar ao topo, pois é do alto dos 75 metros da sua torre de granito escuro que temos uma vista ímpar de 360 graus sobre a cidade em toda a sua extensão. A torre abriga o Museu da Irmandade dos Clérigos (a visita está incluída no bilhete), cujo diversificado património de arte religiosa remonta ao século XIII, e dá-nos também a possibilidade de ver a partir de um plano mais elevado o interior da harmoniosa igreja barroca, onde predominam o mármore rosa e a talha dourada.

2 Torre dos Clérigos

3 Igreja dos Clérigos

Torre dos Clérigos
http://www.torredosclerigos.pt/pt/
R. de São Filipe de Nery, 4050-546 Porto
Horário: 9h-19h (o horário difere nos dias 24, 25 e 31 Dezembro e no dia 1 Janeiro)
Informações: telefone 220 145 489  email: info@torredosclerigos.pt

 

Do outro lado da Praça de Lisboa há mais uma visita obrigatória: a Livraria Lello. Aqui temos de nos munir de muita paciência para enfrentarmos não uma, mas duas filas. A primeira é para comprar os bilhetes, numa loja ao lado, onde também estão os cacifos para guardar mochilas e sacos grandes (trancam com moeda, que é depois devolvida), que não são permitidos no interior da livraria. Bilhete na mão, há que esperar noutra fila até sermos autorizados a entrar, e a duração desta espera vai obviamente depender da afluência. Que é sempre muita, note-se. Longe vai o tempo em que a Lello era “simplesmente” uma maravilhosa livraria conhecida pela sua fachada neogótica e interiores revoluteantes em estilo Arte Nova, onde se inclui a famosa escadaria de madeira com os degraus revestidos a vermelho. Ainda assim, apesar de sempre a abarrotar de visitantes, continua a ter uma atmosfera especial, com as suas paredes totalmente forradas de livros e a luz filtrada pelo singular tecto em vitral.

4 Livraria Lello

5 Livraria Lello

6 Livraria Lello

Livraria Lello
https://www.livrarialello.pt/pt-pt/
Rua das Carmelitas 144, 4050-161 Porto
Horário: 9h30-19h (o horário difere nos dias 24 e 31 Dezembro; encerrada: 1 Janeiro, Domingo de Páscoa, 1 Maio, 24 Junho e 25 Dezembro)
Informações: telefone 222 002 037  email: info@livrarialello.pt

 

Virando a esquina estamos na Praça de Gomes Teixeira, com a Fonte dos Leões ao centro, o edifício Art Deco dos Armazéns Cunhas, e as interessantes igrejas gémeas dos Carmelitas Descalços e do Carmo, com a lateral desta segunda igreja revestida com um painel de azulejos em azul e branco.

Armazéns Cunhas

Igrejas gémeas dos Carmelitas Descalços e do Carmo

 

Voltamos aos Clérigos e continuamos a descer até à Rua das Flores, uma das ruas mais representativas do Porto, em tempos habitada pela aristocracia urbana da cidade, à qual se devem belos edifícios como a Casa dos Cunha Pimentel (números 2 a 12), a Casa dos Maias (números 21 a 39), a Casa dos Sousa e Silva (números 79 a 83), ou a Casa dos Constantinos (número 139).

7 Rua das Flores

 

É também nesta rua que encontramos a Igreja e Museu da Misericórdia, a nossa próxima paragem. Apesar da fachada barroca (também da autoria de Nasoni), o interior da igreja é mais “leve” do que o esperado, com as suas paredes revestidas a azulejo, as madeiras pintadas de branco com apontamentos em talha dourada, e os seus dois lustres compactos e luminosos. O Museu tem um acervo formidável que, ao contrário do que se poderia esperar, não é só de arte sacra. As várias colecções estão bem organizadas no espaço expositivo, o que faz com que a visita não se torne maçuda.

Igreja da Misericórdia

8 Igreja da Misericórdia

Museu e Igreja da Misericórdia do Porto
http://www.mmipo.pt/pt-pt/
Rua das Flores 15, 4050-265 Porto
Horário: Verão (1 Abril a 30 Setembro) 10h-18h30 / Inverno (1 Outubro a 31 Março) 10h-17h30 (encerrado: 1 Janeiro, 24 e 25 Dezembro)
Informações: telefone 220 906 960  email: geral@mmipo.scmp.pt

 

A Rua das Flores desemboca no Largo de São Domingos, em frente ao Palácio das Artes. Descendo pela Rua Ferreira Borges encontramos do lado esquerdo o Mercado com o mesmo nome, construção inconfundível em ferro fundido pintado de vermelho, que data de finais do século XIX e funciona actualmente como local de espectáculos. Do lado direito, já na Praça do Infante, o Palácio da Bolsa. Neste também emblemático edifício do Porto (não tanto pelo seu exterior mas sobretudo pelos interiores), as visitas são guiadas e há que ir à bilheteira marcar previamente a hora de entrada. O tempo de espera será certamente suficiente para visitar a famosa Igreja de São Francisco, que fica mesmo ao lado e é mais um exemplar sui generis da arquitectura religiosa da cidade. A fachada é gótica com alguns acrescentos barrocos, mas é o interior da igreja do convento que verdadeiramente nos impressiona: paredes, tectos, colunas, retábulos, tudo está completamente revestido de talha dourada – segundo consta, terão sido usados 400 quilos de ouro na decoração deste monumento nacional.

Igreja São Francisco

Igrejas e Museu São Francisco do Porto
http://ordemsaofrancisco.pt/igrejamuseu/
Rua do Infante Dom Henrique, 4050-297 Porto
Horário: Novembro a Fevereiro 9h-17h30 / Março a Junho e Outubro 9h-19h / Julho a Setembro 9h-20h
Informações: telefone 222 062 125  email: museu@ordemsaofrancisco.pt

 

Voltamos ao Palácio da Bolsa. É um edifício de estilo neoclássico, que pertence à Associação Comercial do Porto e cuja construção se iniciou em 1842 mas só ficou totalmente concluída em 1909. A decoração das várias salas e espaços de circulação no seu interior decorreu ao longo de cinquenta anos, e tudo foi concebido para impressionar quem visita a instituição – começando pela entrada, o Pátio das Nações, com a sua magnificente cúpula em ferro e vidro, e terminando no Salão Árabe, a sala mais fabulosa do Palácio (inspirada no Alhambra), uma maravilha onde foram utilizados quase vinte quilos de ouro e que demorou 18 anos a concretizar. A visita guiada demora cerca de 45 minutos.

Palácio da Bolsa

Palácio da Bolsa

Palácio da Bolsa

Palácio da Bolsa

Palácio da Bolsa - Salão Árabe

9 Palácio da Bolsa

Palácio da Bolsa
https://palaciodabolsa.com/
Rua Ferreira Borges, 4050-253 Porto
Horário: Novembro a Março 9h-13h e 14h-17h30 / Abril a Outubro 9h-18h30
Informações: telefone 223 399 013  email: turismo@cciporto.pt

 

O que sobrar do dia vamos passá-lo nas margens do Douro. Descemos à Ribeira, com as suas casas recuperadas e pintadas de cores garridas e sempre fervilhante de gente. Atravessamos o rio pelo tabuleiro inferior da Ponte Luiz I e continuamos pelo Cais de Gaia, observando as gaivotas e o movimento dos barcos rabelo, hoje em dia atarefados a passear turistas ou ancorados para fins decorativos, espreitamos na Rua Dom Afonso III o “Coelho” de Bordalo II, e finalmente instalamo-nos numa esplanada para descansar, enquanto tomamos um aperitivo e vemos o sol a pôr-se para os lados da Foz.

9 Ribeira

10 Porto visto do Cais de Gaia

12 Coelho de Bordalo II

Cais de Gaia

 

 

Uma última nota: é possível comprar, em qualquer das instituições, um bilhete único para visitar os Clérigos, o Museu da Misericórdia e o Palácio da Bolsa. Fica bem mais barato do que comprar os ingressos em separado, e não é obrigatório que as visitas sejam todas no mesmo dia.

 

 

Dia 2

 

Passear pelo Porto implica uma boa dose de subidas e descidas. Se no primeiro dia o percurso foi sobretudo a descer, hoje começamos em sentido inverso. Partindo da Ribeira, vamos subir até à Batalha. Mas não fiquem já preocupados, que não vamos pela escadaria íngreme que liga estes dois pontos: o Funicular dos Guindais está à nossa disposição. Projectado em 1891 por Raul Mesnier, foi encerrado ao fim de apenas dois anos após um acidente e não voltou a funcionar durante mais de um século. Recomeçou a operar em 2004 sob gestão do Metro do Porto, depois de totalmente reformulado, e apesar de a viagem só durar uns curtos minutos, vale muito a pena. A subida lenta da carruagem acompanha um troço da Muralha Fernandina, com vista directa para a Ponte Luiz I, e entra depois num túnel para nos deixar junto à Rua Saraiva de Carvalho.

Funicular dos Guindais

Seguimos até à Avenida Vimara Peres, que dá acesso ao tabuleiro superior da ponte – onde apenas podem transitar peões, bicicletas e as composições do Metro. Daqui temos novas perspectivas sobre a cidade, os telhados a formarem uma manta de retalhos declinada em tons alaranjados, alguns barcos de cores vivas destacando-se no cinza pardo das águas do Douro.

13 Porto visto da ponte

14 Porto visto da ponte

 

No final da ponte já estamos em território de Gaia. Passamos o terminal do teleférico e o Jardim do Morro e subimos pelo acesso ao Mosteiro do Pilar, outro miradouro com vistas privilegiadas para o Porto. O complexo do Mosteiro foi construído no século XVI e é mais um monumento religioso único no género, com a sua igreja e claustro circulares, concebido no estilo maneirista.

15 Mosteiro da Serra do Pilar

Mosteiro da Serra do Pilar
https://www.culturanorte.pt/pt/patrimonio/mosteiro-da-serra-do-pilar/
Largo de Aviz, 4430-329 Vila Nova de Gaia, Porto
Horário: de terça-feira a domingo
Verão (1 Abril a 30 Setembro) 10h-18h30 / Inverno (1 Outubro a 31 Março) 10h-17h30 (encerrado: feriados e 2 fim-de-semana de cada mês)
Informações: telefone 220 142 425  email: patrimonioanorte@culturanorte.gov.pt

16 Porto visto da Serra do Pilar

 

Voltamos pelo mesmo caminho para depois continuar até à Sé Catedral, um dos monumentos com origens mais remotas do nosso país. A construção original data do século XII e apesar das sucessivas alterações de que foi alvo ao longo dos séculos ainda hoje se notam os traços do seu estilo românico primário e o seu carácter robusto, quase bélico. No interior, a abóbada da nave é suportada por arcobotantes imponentes, que contrastam com a profusão de elementos em talha dourada do altar-mor e das capelas, e as galerias do claustro gótico estão cobertas de painéis de azulejos pintados em azul e branco, alguns com cenas religiosas.

17 Sé Catedral

Sé Catedral do Porto
https://www.culturanorte.pt/pt/patrimonio/se-do-porto/
Terreiro da Sé, 4050-573 Porto
Horário: de terça-feira a domingo
Verão (Abril a Outubro) 9h-12h30 e 14h30-19h (claustro: 9h-18h30) / Inverno (Novembro a Março) 9h-12h30 e 14h30-18h30 (claustro: 9h-12h15 e 14h30-17h30) (encerrado: domingos e festividades religiosas, incluindo Natal e Páscoa)
Informações: telefones 226 197 080 e 222 059 028  email: geral@culturanorte.gov.pt

 

Um pouco acima da Sé encontra-se Estação Ferroviária de São Bento, cujo átrio é ponto de visita obrigatória. Está inteiramente forrado com azulejos (são “só” 20 mil…), uns em azul e branco representado cenas históricas e etnográficas, outros mais coloridos e dispostos num friso onde se conta a história dos meios de transporte.

18 Estação de São Bento

 

Seguimos para a direita pela Rua Sá da Bandeira, passando pelo teatro e pelo Mercado do Bolhão, que continua em obras. O mercado temporário está a funcionar mais acima, nas instalações do centro comercial La Vie, ao pé da pequena (e também revestida com azulejos) Capela das Almas.

Capela das Almas

Ao lado da capela passa a famosa Rua de Santa Catarina, que vamos descer. Ao chegar à Rua Formosa fazemos um pequeno desvio para ver (no número 279) a Pérola do Bolhão, uma mercearia que tem estado em actividade contínua desde 1917 e mantém a lindíssima fachada Arte Nova original feita pela Fábrica do Carvalhinho, de Gaia.

Pérola do Bolhão

 

Continuamos a descer Santa Catarina, entre lojas e edifícios incaracterísticos intercalados com outros mais interessantes, e chegamos ao nosso destino final: o café Majestic, mais uma jóia Arte Nova no Porto – e também mais uma “vítima” do crescimento do turismo nesta cidade. Aquele que foi em tempos um café apenas algo mais sofisticado do que os outros é agora um lugar da moda, dispendioso, com segurança à porta e por vezes com filas para entrar. Ainda assim, é de perder o amor ao dinheiro e visitar, nem que seja para tomar qualquer coisa simples. Aberto desde 1921 e renovado entre 1992 e 1994, o Majestic é sem sombra de dúvida o café mais bonito do nosso país e um dos mais belos do mundo. A fachada chama a atenção, mas o interior é ainda mais exuberante, com espelhos nas paredes e madeiras trabalhadas em formatos intrincados. Beber um café ou chá, lanchar, ou mesmo comer uma refeição maior (também funciona como restaurante) no ambiente sofisticado e único do Majestic é uma experiência de que vale a pena usufruir nem que seja uma vez na vida. A juntar a todas as outras experiências que o Porto nos proporciona.

20 Majestic

Majestic Café
https://www.cafemajestic.com/pt/Utilidades/Homepage.aspx
Rua Santa Catarina 112, 4000-442 Porto
Horário: de segunda a sábado 9h-23h
Informações: telefone 222 003 887  email: info@cafemajestic.com
Reservas: reservas@cafemajestic.com

 

Conhecer uma cidade tão rica como o Porto não se esgota, como é óbvio, em dois dias. Há muito mais para ver e fazer, mas deixo aqui apenas mais uma sugestão. Se tiverem um dia extra disponível, dediquem-no a Serralves. O museu, a casa e sobretudo o parque são fascinantes e merecem uma visita bem demorada. Serralves é mais um dos muitos encantos do Porto.

 

 

(Este roteiro foi publicado pela primeira vez no website Fantastic)

 

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Dois dias no Porto.jpg

 

 

 

Qua | 13.05.20

26 grandes e pequenas razões para conhecer Portugal

 

Gosto de Portugal desde que me lembro de ser gente. Comecei a viajar pelo país quando ainda era miúda, com a minha família, e tenho recordações vívidas de vários lugares onde íamos passar férias ou simplesmente de visita: a Praça da Fruta nas Caldas da Rainha; a praia da Foz do Arelho; o Portugal dos Pequenitos; Albufeira quando as praias tinham pouca gente e os carros ainda passavam na Rua 5 de Outubro; Sines antes de a terem estragado; as rectas do Alentejo, onde o meu pai cometia a “loucura” de acelerar até aos 100 km por hora; os passeios em Lisboa, a cidade onde nasci e vivi a maior parte da minha vida.

Alentejo.JPG

À medida que os anos foram passando, continuei a viajar em Portugal. E quanto mais conheço este nosso pequeno país, mais ele parece crescer. Há sempre um recanto que ainda não tinha descoberto, um museu que abriu há pouco tempo, uma aldeia reconstruída, uma praia renovada, um parque com alguma novidade. Esta capacidade que Portugal tem de se reinventar é um dos seus maiores atributos, a par da enorme diversidade paisagística e cultural.

 

Numa altura em que estamos a viver um dia de cada vez por causa da pandemia provocada pela Covid-19, e com as fronteiras praticamente fechadas em quase todo o mundo, estar em Portugal é uma sorte. Sorte porque até agora o país tem sido poupado à hecatombe em perdas humanas que aflige alguns dos nossos vizinhos, sorte porque os nossos conflitos sociais são sempre brandos quando comparados com os dos outros, sorte porque temos este país fantástico onde, se tudo correr bem, em breve iremos poder viajar com algum à-vontade e segurança.

 

Parece-me, por tudo isto, uma boa altura para “contar as nossas bênçãos” e enumerar todas as boas razões por que vale tanto a pena conhecer melhor Portugal.

 

Estátua de D. Afonso Henriques, Guimarães.JPG

Somos o Estado-nação mais antigo da Europa. As nossas fronteiras foram definidas em 1297 pelo tratado de Alcanizes e mantêm-se inalteradas desde essa altura (à parte aquela velha querela sobre Olivença e arredores que todos conhecemos). Talvez por isso as nossas regiões, tão diferentes umas das outras, consigam coexistir pacificamente (com um ou outro bairrismo que até nos torna mais divertidos) há tanto tempo.

 

As ilhas portuguesas são verdadeiros tesouros. Os Açores são nove jóias, todas diferentes umas das outras e felizmente ainda não demasiado lapidadas pelo turismo, razão pela qual receberam recentemente o certificado de destino sustentável atribuído pelo Global Sustainable Tourism Council (GSTC). Quanto às ilhas do arquipélago da Madeira, são como que uma espécie de paraíso tropical português. As Desertas e as Selvagens são áreas protegidas e de acesso restrito. A Madeira e Porto Santo são mecas do turismo nacional e internacional, mas nem isso nos rouba o prazer que é visitá-las. E há ainda as Berlengas, as ilhas da Ria Formosa, a alentejana ilha do Pessegueiro e muitas outras, atlânticas ou fluviais, ilhéus, mouchões e ínsuas, cada um destes isolados pedaços de terra ou rocha com a sua própria mística e as suas próprias histórias.

Poço da Ribeira do Ferreiro, ilha das Flores.JPG

 

Em Portugal (continente e ilhas) estão classificados 24 parques naturais e 1 parque nacional. Juntando-lhes várias reservas naturais, zonas de paisagem protegida, monumentos naturais e parques marinhos, o que não nos falta são lugares onde podemos usufruir o que há de melhor na natureza em estado ainda razoavelmente bruto.

 

Há no nosso país vestígios pré-históricos importantíssimos. Desde os achados relacionados com dinossauros na Lourinhã e na Serra de Aire aos inúmeros monumentos megalíticos com milhares de anos que existem em todo o país, passando pelas gravuras rupestres do Escoural e do Côa, e pelo esqueleto com 24.500 anos do Menino de Lapedo, em Portugal têm sido encontradas inúmeras e significativas evidências arqueológicas que contribuíram para um melhor conhecimento da vida na Terra em vários períodos da Pré-História.

Cromeleque dos Almendres, Alentejo.JPG

 

Temos inscritos na UNESCO 17 lugares como Património Mundial e 8 elementos como Património Cultural Imaterial da Humanidade. Podem consultar as listas aqui e aqui.

 

A Universidade de Coimbra é uma das mais antigas do mundo ainda em funcionamento. Foi criada por D. Dinis em 1290, com a sua localização a alternar entre Lisboa e Coimbra até 1537, ano em que se fixou definitivamente na cidade que lhe dá o nome. A Biblioteca Joanina, que data do século XVIII, é uma das bibliotecas europeias mais bonitas e originais.

Paços da Universidade, Coimbra.JPG

 

A língua portuguesa é riquíssima e falada por 265 milhões de pessoas. Celebrou-se este ano pela primeira vez, a 5 de Maio, o Dia Mundial da Língua Portuguesa. Há falantes de português espalhados pelos cinco continentes, e a diversidade de sotaques e vocabulário é enorme, mesmo dentro do pequeno rectângulo formado por Portugal Continental.

 

A Livraria Bertrand que fica no Chiado, em Lisboa, abriu as portas em 1732. Está registada no Guinness World Records como sendo a livraria mais antiga do mundo ainda em funcionamento. Situada num edifício forrado a azulejo na esquina da Rua Garrett com a Rua Anchieta, cada uma das suas sete salas com tectos abobadados tem o nome de um escritor português. A sala Aquilino Ribeiro, que é a sala de entrada, ainda mantém estantes antigas em madeira maciça.

 

Há cada vez mais investimento para renovar e melhorar as nossas cidades e vilas. Nota-se um esforço enorme em todo o país para tornar mais agradáveis os grandes aglomerados populacionais. É verdade que este esforço é dirigido ao aumento do turismo em Portugal, mas também é verdade que nalguns aspectos todos nós, habitantes e visitantes, acabamos por beneficiar disso, sobretudo no que toca ao património cultural e ao embelezamento dos espaços públicos. É claro que há também o reverso da medalha (aumento do ruído em certas zonas, subida dos preços da habitação e de certos bens, descaracterização), mas mesmo assim ainda estamos longe dos exageros que se vêem por esse mundo fora.

Lisboa.jpg

 

A calçada portuguesa é uma expressão artística genuinamente nossa. Herança histórica da cultura e da tecnologia de construção dos romanos, fomos nós, os portugueses, que lhe demos vida e características especiais e a espalhámos pelo mundo. Onde quer que encontremos pavimentos calcetados com paralelepípedos de pedra branca e negra formando desenhos, podemos ter a certeza de que a inspiração e a ideia partiram daqui. Apesar de associarmos quase sempre a cor preta da pedra ao basalto, a verdade é que na calçada portuguesa são habitualmente utilizados o calcário branco e o negro. O basalto apenas é usado nas ilhas, onde existe em abundância e se torna mais económico, pois é um material muito mais duro e difícil de trabalhar.

calçada portuguesa.jpg

 

O Estilo Manuelino tem características muito próprias que o tornam distinto das outras correntes góticas. Particularmente notável no campo decorativo, tem uma preferência nítida pelas ornamentações de inspiração marítima e vegetal, exóticas e em quantidade abundante, influência indubitável das civilizações com que os nossos navegadores contactavam. Está também sempre presente a simbologia régia, importante para que ninguém esquecesse quem tinha sido o promotor da obra arquitectónica admirada.

 

Há em Portugal 241 castelos (se aWikipédia estiver correcta e eu não me tiver enganado na contagem). A maioria deles data da Idade Média, sobretudo dos séculos da fundação do país e subsequente expansão até à consolidação das nossas fronteiras. Alguns são sobejamente conhecidos e visitados, outros estão praticamente em ruínas, mas todos eles são lugares cheios de interesse, ricos em história e em lendas, e parte importante do nosso património cultural.

Castelo do Algoso.JPG

 

Ficam no nosso país os pontos mais ocidentais da Europa. O Cabo da Roca, perto da vila de Sintra, é o ponto mais a oeste no continente europeu, visitado todos os anos por milhares e milhares de pessoas, tanto estrangeiros como nacionais. Quanto ao ponto mais ocidental da Europa, o ilhéu de Monchique, é uma simples rocha com 30 metros de altura ao largo da Fajã Grande, na nossa maravilhosa ilha das Flores.

 

Portugal tem uma enorme diversidade de pontes, a maioria delas belíssimas. Há várias de origem romana, que encontramos como ex libris de cidades ou vilas, ou então em lugares recônditos, quase escondidas. Outras, concebidas em épocas diversas da nossa História, evoluíram com o passar do tempo, modificando-se sucessivamente para se adaptarem às necessidades de utilização. E muitas são verdadeiros prodígios da engenharia, ícones de metal ou betão que identificamos facilmente com um simples olhar e se impõem como elementos dominantes na paisagem.

Ponte Luiz I, porto.JPG

 

A ponte internacional mais pequena do mundo liga Portugal a Espanha. Tem 6 metros de comprimento e 1,95 metros de largura e está construída sobre a ribeira de Abrilongo. Partilhada entre o nosso Alentejo e a Extremadura espanhola, une as localidades de Marco/El Marco, que na realidade são uma única aldeia onde se fala português. Durante muitos anos não foi mais do que uma rudimentar ponte pedonal em chapa metálica com um corrimão, que por vezes era arrastada pela corrente da ribeira se ocorriam chuvas mais abundantes. Há menos de dez anos foi construída uma nova ponte com suporte metálico e tabuleiro e protecções laterais de madeira.

Ponte do Marco, Alentejo.JPG

 

Fica na aldeia da Carrasqueira, junto ao rio Sado, o maior cais palafítico da Europa. Começou a ser construído nos anos 50 do século passado pelos pescadores que queriam aceder às suas embarcações durante a maré vazia, quando as margens do rio estão lamacentas e pantanosas. É uma obra-prima da arquitectura popular, uma rede irregular de passadiços feitos com tábuas pregadas sobre estacas de madeira que se tem mantido relativamente inalterada ao longo das décadas. De aspecto enganadoramente frágil, estende-se ao longo de algumas centenas de metros pelo estuário do rio adentro e abriga os pequenos barcos de pesca coloridos dos cada vez menos pescadores que ainda se mantêm activos naquela zona.

Cais palafítico da Carrasqueira, Setúbal.JPG

 

No nosso país há milhares de aldeias, na sua maioria riquíssimas em história, tradição, gastronomia, cultura e valor artístico. Algumas são famosas e recebem milhares de visitantes por ano; outras, apesar de praticamente desconhecidas, são verdadeiras jóias com um património antiquíssimo para conhecer, tradições que perduram desde há séculos, histórias que merecem ser contadas e ouvidas. A desertificação crescente de grande parte das nossas aldeias tem vindo mais recentemente a ser contrariada pela necessidade crescente de regressar às origens e ao respeito pela natureza (e também pelo seu interesse turístico), o que está a provocar o ressurgimento progressivo de algumas delas.

 

Portugal é um país de mar. Temos mais de 940 km de linha de costa em Portugal Continental e quase outro tanto nas ilhas, extensas faixas de areia alternando com falésias rochosas de onde temos vistas amplas sobre o Atlântico. O mar é a nossa vocação: trouxe-nos glória no passado, é uma ânsia no presente, e quem sabe se não será ele o nosso futuro. E é o mar que nos dá as ondas célebres que fazem do nosso país uma das mecas do surf mundial.

Praia da Ursa, Sintra.JPG

 

As nossas praias são excelentes. No continente são de areia fininha e clara, com águas frescas na costa oeste e mais amenas no Algarve. Nas ilhas há de tudo um pouco. Quanto às praias fluviais, crescem de ano para ano em quantidade e qualidade. E todas elas nos oferecem paisagens que enchem os olhos e o coração.

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Em Portugal Continental temos quase 3 mil horas de sol por ano e o nosso clima é predominantemente temperado, o que nos torna um país a que toda a gente se adapta com facilidade, seja em férias ou para viver. Se pensarmos que a maioria dos países europeus, por exemplo, não chega a ter 2 mil horas de sol por ano e tem temperaturas médias bem abaixo das nossas… não é difícil perceber as nossas vantagens.

 

Portugal é um país líder no recurso às energias renováveis. Em Dezembro de 2019 batemos mais uma vez o nosso recorde do número de horas/dias em que a produção em termos de energias renováveis foi suficiente para suprir o consumo: 131 horas (5 dias e meio). No total, 56% da produção energética do nosso país em 2019 foi feita com recurso às energias renováveis, sobretudo a eólica. E na Europa, somos o sexto país que mais consome energia vinda de recursos renováveis.

Serra de São Macário.jpg

 

O calçado português é dos melhores do mundo. Conhecido desde sempre pela qualidade dos seus produtos, este sector tem vindo a evoluir exponencialmente desde os anos 90, aliando as novas tecnologias à criatividade e à flexibilidade logística e produtiva. Com a aposta nos produtos personalizados e de grande valor acrescentado, as exportações cresceram durante oito anos consecutivos e o calçado português passou a ser o segundo mais caro a nível mundial.

 

A cortiça é um dos nossos produtos naturais mais característicos. Temos em Portugal a maior extensão de sobreiros do mundo (33% da área mundial), pelo que não é de admirar sermos os maiores produtores e exportadores de cortiça – que além de tudo o mais é um produto totalmente reaproveitável e extraído manualmente sem danificar a árvore. O maior, mais antigo e mais produtivo sobreiro que existe no mundo foi plantado no ano de 1783 em Águas de Moura (Alentejo) e deram-lhe o nome de Assobiador. Foi eleito a mais bela árvore da Europa em 2018 no concurso “Tree of the Year”.

 

Há três oliveiras portuguesas entre as árvores mais velhas do mundo. A oliveira do Mouchão, em Mouriscas (Abrantes) tem a provecta idade estimada de 3350 anos. Em Santa Iria de Azóia, perto de Lisboa, sobrevive e ainda dá azeitona a oliveira a que chamam Portugal e se calcula ter cerca de 2850 anos. A mais jovem das três está em Monsaraz e terá à volta de 2450 anos.

Oliveira milenária, Santa Iria da Azóia.JPG

 

Em Portugal come-se maravilhosamente. A gastronomia tradicional portuguesa é rica e variada, usamos ingredientes que pouco ou nada são usados noutros países, tudo nos serve para fazer um prato delicioso. Temos vários tipos de sopas, cozinhamos a carne e o peixe de todas as maneiras e feitios, e o nosso pão é o melhor (e o mais variado) do mundo. Ninguém prepara o bacalhau como nós, nem com tanta imaginação. Adoramos inventar petiscos, e até a nossa comida de rua e o fast food são acima da média. Preferimos o azeite às outras gorduras e há séculos que sabemos usar bem os condimentos. E haverá algum outro país que tenha tanta variedade de doces como nós? O café é praticamente uma instituição em Portugal; qualquer rua tem pelo menos uma pastelaria ou tasca onde se pode matar a fome ou a sede. E como se tudo isto não bastasse, ainda temos um sem-número de restaurantes de fusão, gourmet, vegetarianos ou com comidas típicas dos quatro cantos do mundo.

Arroz de sarrabulho, Ponte de Lima.jpg

 

Os vinhos portugueses são únicos e originais. Já na época da ocupação romana se exportavam vinhos produzidos no nosso território, o que quer dizer que produzimos bons vinhos desde há mais de dois mil anos. Um estudo de 2013 identificou 248 variedades de castas vinícolas indígenas de Portugal, consideradas pelos maiores especialistas como um “tesouro”. Isto faz com que os nossos vinhos tenham uma originalidade e uma variedade inigualáveis, a par com uma enorme qualidade – mesmo quando o seu preço não é elevado – razão pela qual o nosso país é uma referência entre os produtores vinícolas a nível mundial e as suas exportações de vinho têm vindo a crescer consistentemente.

 

Poderia facilmente continuar aqui a enumerar razões pelas quais Portugal merece ser conhecido, visitado e apreciado, porque neste caso elas também são como as cerejas e vêm umas atrás das outras. Só que este post arriscar-se-ia assim a nunca sair, e nesta altura (difícil e que se prevê venha a ser ainda pior) a minha missão passa mais do que nunca por vos incentivar a todos, leitores e viajantes que me seguem ou vieram aqui parar por acaso, a partir à descoberta de Portugal. Aceitam o desafio?

 

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