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Viajar porque sim

Paixão por viagens, escrita e fotografia

Seg | 30.12.19

O meu local favorito em Aveiro

 

Voltei a Aveiro no início deste mês – e pela terceira vez este ano. No post que publiquei há tempos sobre Aveiro afirmei que todos os pretextos servem para regressar a esta cidade de que tanto gosto, e agora a razão foi o National Geographic Exodus Aveiro Fest. Uma estreia para mim (apesar de já ser a terceira edição), uma experiência estimulante e inspiradora, oradores com grandes exemplos de vida e histórias motivadoras mesmo para quem como eu não se dedica à fotografia. Profissionais de excepção com objectivos vários, fazem do seu trabalho uma missão e marcam a diferença, despertando a nossa consciência quer porque nos mostram a beleza do mundo, quer porque chamam a atenção para a sua miséria e tristeza. Viajam e fotografam ou filmam, por vezes também escrevem, e é no seu desejo de inspirarem os outros a saírem da sua zona de conforto e conhecerem o mundo que me identifico com eles – as suas palavras calaram fundo em mim. O que fazem chega a milhões de pessoas, enquanto o que eu escrevo chega a apenas uns quantos milhares, mas a motivação é a mesma.

 

Na manhã de domingo tinha planeado ir dar uma volta alargada pela cidade, mas a chuva e o vento desagradável que marcaram o início do primeiro dia de Dezembro mantiveram-me no conforto do quarto do hotel até o tempo melhorar um pouco. O passeio teve por isso de ser abreviado e optei por ir àquele que continua a ser o meu lugar preferido em Aveiro: o Parque Infante Dom Pedro.

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Aveiro tem imensos motivos de interesse, mas mesmo assim é estranho este local ser tão pouco divulgado – ele é, quanto a mim, um dos parques mais bonitos do nosso país (e acreditem que conheço bastantes). A sua história está ligada à do Convento de Santo António, fundado no séc. XVI e de cujo edifício original hoje apenas subsiste a fachada da igreja, que encontramos junto à entrada superior do parque, ladeada por outros anexos conventuais que foram acrescentados entretanto. Com a extinção das ordens religiosas em Portugal em 1834, consequência da corrente liberalista então vigente no país, os terrenos da “cerca” (terrenos cultivados pelos monges) deste convento franciscano acabaram na posse da Câmara de Aveiro e em 1861 começaram as obras destinadas a transformar o Campo de Santo António num jardim público. O jardim, a que também chamaram Passeio Público, é hoje a parte superior do parque, onde existe um coreto Arte Nova, um torreão que já foi depósito de água e central de transformação eléctrica, e uma maravilhosa e extensa pérgula com buganvílias por onde passamos para aceder à escadaria que faz a ligação à zona mais baixa do parque.

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Este nível inferior, que só ficou concluído no Verão de 1927, estende-se por uma ampla área que era na altura atravessada por um ribeiro insalubre. O ribeiro e os terrenos pantanosos que o rodeavam foram transformados num lago, em redor do qual foram depois plantadas inúmeras árvores oriundas de todo o globo, com predominância de espécies exóticas: há magnólias e sequóias da América do Norte, jacarandás do Brasil, Gingko biloba, cameleiras e bambus da China e do Japão, araucárias e acácias da Austrália, árvores-dos-espinhos da América do Sul, cedros das montanhas do Atlas, palmeiras das Canárias, a par com os mais familiares castanheiros, bétulas, faias e pinheiros – e estas são apenas algumas das dezenas de espécies diferentes que ali se encontram. No lado oeste do parque estende-se uma ampla e comprida avenida ao longo da qual se alinham diversas tílias.

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O amarelo é uma das cores dominantes neste parque – talvez por inspiração da cor dos deliciosos ovos-moles típicos de Aveiro, mas numa tonalidade menos agressiva. É amarelo o torreão que agora é um mirante, amarelas são a pérgula e as colunas que ornamentam a escadaria dupla, em cujo vão se esconde uma gruta artificial com uma fonte, e amarelo é o belo edifício a que deram o nome de Casa de Chá e se ergue, entre palmeiras, junto à curva do lago e a uma das pontes que o cruzam. Esta é em cimento armado quase branco, mais à frente existe uma outra de madeira pintada. Por entre as árvores cruzam-se outras pontes, rústicas e mais pequenas, há bancos curvos ornamentados com azulejos e outros mais prosaicos, fontanários e pedras musgosas de onde escorre água, recantos abrigados de olhares indiscretos e sítios com mesas para merendar. E no lago há corvos-marinhos e patos vários para os quais foi construída, sobre pilares cilíndricos de cimento que se erguem acima da água, uma casa hexagonal que pintaram – obviamente! – de amarelo.

 

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No extremo norte da Avenida das Tílias, uma ponte pedonal metálica passa sobre a avenida Artur Ravara para ligar o Parque Infante Dom Pedro ao Parque de Santo António. Mas não é uma ponte pedonal vulgar. Toda construída em grelha metálica, cinzenta no piso e em tom de ferrugem nas guardas laterais, o seu traçado sinuoso e irregular rodeia algumas das árvores da avenida e leva-nos a ascender lentamente desde o nível do solo até uns bons metros acima dele e funciona ao mesmo tempo como miradouro privilegiado de uma parte do parque e da sua envolvente. A grelha do piso não é uniforme e mais parece uma manta de retalhos, cada pedaço de metal trabalhado colocado com uma orientação diferente, e o resultado final dá ainda mais movimento à construção, impedindo a monotonia. É uma obra que gerou polémica e até hoje permanece sem nome oficial.

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Com o tempo a aguentar-se milagrosamente sem chuva, apesar de fresquinho, este meu passeio pelo parque acabou por demorar mais de uma hora, e por ali teria continuado não fosse a minha vontade de ir assistir às palestras dos fotógrafos previstas para aquele segundo dia do Exodus Aveiro Fest. Cada vez gosto mais de viajar devagar, ter tempo para apreciar cada lugar ao meu ritmo, com calma, sem estar constantemente a controlar as horas. Nem sempre é possível, há tanto para ver e os dias passam a voar… Mas é possível pelo menos tentar encontrar um equilíbrio entre a vontade de conhecer tudo e a de usufruir calmamente de cada experiência – para a viver em pleno e com os sentidos bem despertos.

 

Nota: Podem encontrar aqui informações completas sobre o Parque Infante Dom Pedro.

 

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Qua | 11.12.19

Juízo, uma aldeia que tem histórias

 

Era uma vez uma aldeia beirã, dessas como há tantas no nosso Portugal profundo. Pequena, longe de tudo, com gentes que viviam da agricultura de subsistência e trabalhavam de sol a sol para sobreviver. A sua história é idêntica à de muitas outras: viu os jovens partirem em busca de melhores condições de vida, a população residente envelhecer, as suas casas e património ruírem aos poucos, a desertificação a aproximar-se.

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Só que… talvez por se chamar Juízo, talvez por ser bonita, talvez por sorte, a história desta aldeia tem um final feliz – ou, melhor dizendo, uma continuação feliz, porque o fim não está nem à vista.

 

A aldeia

 

Podemos dizer o mal que quisermos do turismo – que é poluidor, consumidor de recursos, descaracterizador, incomodativo e tudo o mais que é habitual dizer para o denegrir (e com alguma parcela de razão) – mas a verdade é que toda a actividade que se desenvolve em torno desse tipo de lazer constitui parte de uma solução para insuflar vida (e alguma prosperidade) a lugares que de outro modo já teriam sido completamente abandonados. Por muito que doa, esta é a realidade dos nossos dias, um quinto já passado deste século XXI.

 

A aldeia do Juízo é disto um excelente exemplo. Povoada desde a época da Península Ibérica pelos romanos, habitada em tempos por um juiz (de quem lhe vem o nome), tem hoje em dia uma população permanente de apenas 15 habitantes, que felizmente é agora “engrossada” com alguma frequência pelos visitantes que a escolhem para passar um fim-de-semana ou uns dias de férias.

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E escolhem muito bem. Encarrapitada num planalto entre as serras da Estrela e da Marofa e com um troço da GR22 a passar-lhe à porta (o percurso entre Castelo Rodrigo e Marialva da Grande Rota das Aldeias Históricas), é uma aldeia desafogada, rodeada de belíssimas vistas sobre os verdes e castanhos da paisagem serrana da Beira Alta, e muito acolhedora. Apesar de fora das rotas turísticas habituais, está centralmente localizada em relação a muitos locais de interesse e é, ela própria, um riquíssimo baú de vestígios históricos e cultura popular.

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As ruas da aldeia enrolam-se umas nas outras, passando entre casas de granito amarelo ou com cores desmaiadas - algumas recuperadas, outras desabitadas e meio em ruínas. Em cada recanto encontramos pormenores rústicos e deliciosos: canteiros de pedra com flores, uma pipa sobre uma carreta de ferro, um tanque daqueles já quase desaparecidos, uma alminha, uma fonte com uma frase divertida, um antigo sinal do posto dos correios, pedras com gravações centenárias. E as cores de Outono das folhas caídas e das vinhas despojadas dos seus frutos condizem bem com esta aldeia.

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As ruas têm placas novas com os seus nomes. A bonita casa que em tempos foi uma escola está também renovada; tem um portão de ferro forjado pintado de verde-escuro e na entrada há hortênsias e um loendro. Na aldeia há um cemitério bem arranjado e duas capelas. Uma delas, a do Juízo, foi já completamente restaurada. Tem um altar novo de granito com linhas depuradas mas o Cristo na cruz que está pendurado por cima, com ar de sofrimento, é naif e muito antigo.

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Esta é uma terra rica em amêndoa, azeite e vinho; na verdade, é a região com maior número de vinhas da Beira Interior. Mas há mais. Há colmeias e há rebanhos de ovelhas, e um lindíssimo bosque de azinheiras que tem o nome de Carrascal do Juízo – porque aqui chamam carrascos às azinheiras. Um passeio pelo Carrascal desvenda-nos as poldras da ribeira do Porquinho (que praticamente não tem água, depois deste Verão tão seco), onde uma mó sobrevivente mostra que houve ali um moinho em tempos já idos. O Carrascal é zona protegida, tem árvores com líquenes tão antigos que já foram objecto de estudo, árvores fantasmagóricas, esqueléticas e belas, que parecem pertencer a uma outra dimensão.

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Daqui avista-se uma paisagem infinda de serrania, com algumas aldeias dispersas. Das aldeias históricas, Marialva é a mais próxima, cerca de 12 quilómetros a noroeste. Trancoso fica a 25 quilómetros, Castelo Rodrigo a 30, Almeida está a 45 e até Castelo Mendo são 47 quilómetros. A aldeia do Juízo é o local ideal de onde partir para as visitar a todas.

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As Casas do Juízo

 

O recente renascimento da aldeia deve-se ao facto de algumas das casas recuperadas estarem a ser disponibilizadas como alojamento turístico rural. São as Casas do Juízo, adaptadas e geridas com empenho e bom gosto pelo Sr. José Guerra e pela D. Isabel, que velam pelo bem-estar dos seus hóspedes até ao mínimo pormenor. Actualmente são já oito as casas renovadas, cada uma com um nome que evoca as suas antigas funções, todas elas mantendo a traça original e a rusticidade mas totalmente equipadas e dotadas do conforto que hoje em dia não dispensamos. O complexo, dividido em dois núcleos que funcionam como condomínios fechados, tem capacidade para alojar até 30 pessoas e oferece várias outras comodidades: uma piscina coberta, estufa com produtos biológicos, sala para eventos e diversos espaços de lazer. Associado às Casas existe um restaurante, a Taberna do Juiz, que serve petiscos e pratos tradicionais confeccionados na sua maior parte com produtos da aldeia e da região. Podem conhecer todos os pormenores no website das Casas do Juízo.

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Melhor anfitrião que o Sr. José não pode haver. Conhece todos os segredos da aldeia e das redondezas, leva-nos em passeio, conta histórias locais cheias de graça, chama a atenção para pormenores curiosos – como a oliveira que já pertenceu a dez pessoas ao mesmo tempo, a sepultura antropomórfica que agora é canteiro de flores, ou a inscrição numa pedra que puxa pela nossa imaginação para percebermos o que é. E além das caminhadas há várias actividades tradicionais da aldeia que se mantêm vivas e nas quais os hóspedes das Casas podem participar, dependendo da altura do ano.

 

 

O fim-de-semana

 

Saímos de Lisboa ao final da tarde e chegámos à aldeia do Juízo quase quatro horas depois, com 370 quilómetros percorridos praticamente sempre debaixo de chuva. O acesso não é difícil, com a maior parte do percurso a ser feita em auto-estrada e apenas uns quantos quilómetros no final em estrada secundária bem alcatroada, mas o tempo não ajudou a que a viagem fosse mais rápida. Apesar da chuvinha miúda e do adiantado da hora, o Sr. José deu logo pela nossa chegada e veio indicar-nos o melhor lugar para estacionarmos, encaminhando-nos a seguir para os nossos alojamentos. Fiquei na Casa da Capela, que está dividida em três níveis, com uma sala e kitchenette logo à entrada e dois quartos e casas-de-banho distribuídos pelos outros pisos. Tem paredes de pedra e uma decoração simples e bem adequada ao ambiente, ar condicionado, televisão, wi-fi, e tudo o que é necessário para preparar refeições a preceito.

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Este foi um fim-de-semana diferente, em que o lazer e o trabalho se cruzaram. Organizado pela Associação de Bloggers de Viagem Portugueses (ABVP), o objectivo era conhecermo-nos melhor, partilhar ideias e opiniões, falar de questões técnicas e unirmos esforços para podermos chegar mais longe – um fim-de-semana de convívio entre vinte e dois bloggers que adoram viajar. O sábado amanheceu sem chuva e pudemos fazer uma caminhada pelo Carrascal e pela aldeia. Ao fim do dia fomos brindados com um “lanche” que mais parecia um banquete, organizado pelo Sr. José e a sua família, e por uma animada tertúlia musical. No domingo, depois das arrumações e antes das despedidas e do regresso da chuva, conhecemos mais um cantinho da aldeia e as suas histórias bem-humoradas. E nos intervalos de tudo isto ainda conseguimos trabalhar e falar de coisas sérias. Durante estes dois dias as refeições foram feitas em conjunto, na sala de uma das casas onde montámos o nosso “quartel-general” de trabalho e convívio, e foi em conjunto que conversámos, rimos, lavámos e limpámos loiça, carregámos mesas e cadeiras, e divertimo-nos imenso. Foi, em tudo, um fim-de-semana memorável que deixou saudades e muita vontade de repetir.

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Terá sido magia da aldeia do Juízo? Talvez, quem sabe… Fica aqui o desafio para irem até lá comprovar se é mesmo assim.

 

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Sab | 07.12.19

Açores, destino sustentável

 

Depois de dois anos de trabalho para construir o necessário dossier de acreditação, o arquipélago dos Açores conseguiu obter o certificado de destino sustentável atribuído pelo Global Sustainable Tourism Council (GSTC), uma entidade constituída por várias agências das Nações Unidas, ONGs e operadores turísticos e hoteleiros de todo o mundo que define os padrões mundiais pelos quais qualquer empreendimento ou destino turístico se deve guiar para que o turismo contribua para ajudar o desenvolvimento económico e a conservação do património natural e cultural, protegendo ao mesmo tempo os seus recursos ambientais e humanos.

 

Como é óbvio, o boom turístico dos Açores que começou há cerca de quatro anos é simultaneamente uma bênção e uma fonte de preocupação. Se por um lado contribuiu para trazer para a ribalta um dos lugares do nosso mundo ocidental em que a natureza e as tradições culturais ainda sobrevivem de forma mais ou menos impoluta, por outro veio aumentar brutalmente a pressão ambiental e social que está a ser colocada sobre todas as ilhas (embora de forma desigual) a vários níveis, com todos os riscos que isso implica. Felizmente, talvez muito pelas suas características de personalidade, os açorianos têm até agora conseguido gerir de forma equilibrada este aumento da fama e da procura turística, mas como é bem sabido a apetência pelo progresso económico acaba muitas vezes por falar mais alto e alterar, bem de mansinho e de forma insidiosa, os nossos objectivos e intenções. Por isso, e embora estas certificações valham o que valem, esta distinção agora conseguida –entregue durante a Conferência Global GSTC 2019 realizada em Angra do Heroísmo e que hoje termina – é importante para tentar garantir desde já que a linha que tem sido seguida pela promoção e oferta turísticas nos Açores continue no bom caminho e não se deixe desviar por tentações comezinhas.

 

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O arquipélago dos Açores tem nove ilhas, cada uma com características muito próprias. Nem todas são fáceis de alcançar, apesar dos inúmeros voos que ligam várias delas diariamente à Europa e à América. Das que conheço já aqui falei algumas vezes, e a única coisa que posso agora acrescentar é que a cada ilha que visito fico com mais vontade de conhecer as outras. É por isso que deixo aqui, em jeito de inspiração, algumas fotografias dos lugares açorianos que ocupam vitaliciamente um lugar no meu coração, aos quais se irão certamente acrescentar outros sempre que eu tiver oportunidade de visitar mais uma destas coloridas ilhas.

 

 

Corvo

A ilha mais pequena do arquipélago, e a primeira sobre a qual escrevi. Chamam-lhe a ilha castanha pela cor das vacas que pastam nas suas férteis encostas. Saibam neste post porque é que devem reservar alguns dias para conhecer o Corvo.

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Vacas corvinas

 

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Caldeirão do Corvo

 

 

 

Flores

Foram seis os posts que publiquei sobre a ilha rosa (o nome vem da cor das azáleas), que não é grande mas é tão variada e tem tanto para apreciar. Podem encontrar aqui  o primeiro destes posts.

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Poço da Ribeira do Ferreiro

 

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Lagoa Funda

 

 

 

Terceira

Capital da ilha lilás (devido às latadas de glicínias), Angra do Heroísmo é uma cidade surpreendente. Quase a completarem-se quatro décadas depois do sismo que destruiu parte da cidade no dia 1 de Janeiro de 1980, Angra renasceu com outras cores e está mais bonita do que nunca. Leiam aqui o que escrevi sobre o meu passeio pela cidade.

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Angra vista a partir do Miradouro da Memória

 

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Centro histórico de Angra

 

 

São Miguel

Estive há pouco tempo, pela terceira vez na minha vida, em São Miguel. Uma semana para conhecer a ilha e ainda assim não foi suficiente para ver tudo. Vejam neste post algumas das razões pelas quais é obrigatório visitar a ilha verde (verde mesmo, de uma ponta à outra…).

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Lagoa do Congro

 

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Lagoa das Furnas e Capela de N. Srª das Vitórias