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Viajar. Porque sim.

Paixão por viagens, escrita e fotografia

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Roteiros de fim-de-semana em Portugal

  

Com a Páscoa à porta e os miúdos de férias, é altura de aproveitar para conhecer mais um pouco do nosso país. E há sempre tanta coisa nova ou diferente para descobrir! Em muitos anos que já levo a viajar por Portugal, continuo sempre a ser surpreendida em cada lugar que visito – mesmo que já lá tenha estado várias vezes!

 

Ficam aqui algumas sugestões de roteiros perfeitos para percorrer de carro em dois ou três dias (ou mais), todos eles passando por alguns dos mais belos lugares que Portugal tem para nos oferecer.

 

 

De Braga a Chaves

 

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Dia 1: Braga → Barragem de Salamonde → Ponte da Misarela → Vilarinho de Negrões → Alturas do Barroso → Vilarinho Seco → Boticas

 

Braga só por si merece uma visita à parte, mas é além disso uma cidade a partir da qual podemos conhecer algumas das zonas mais fascinantes do norte do país. É por isso daqui que partimos em direcção a Chaves, com muito para ver pelo caminho. A primeira paragem é em Salamonde, para enchermos os olhos com a água do lago formado pela barragem. Desviamos depois caminho até à Ponte da Misarela, um daqueles lugares únicos que é obrigatório conhecer. A paragem seguinte é na aldeia de Vilarinho de Negrões, plantada na orla da barragem do Alto Rabagão (ou de Pisões), uma das maiores barragens portuguesas e que também vale a pena percorrer. Seguimos depois para Alturas do Barroso, para admirar a imensidão de paisagem que se avista da Capela de Santo Isidro – e por alguma razão esta aldeia se chama Alturas… A seguir encontramos Vilarinho Seco, mais uma aldeia com algumas particularidades e um ambiente muito especial. Chegamos por fim a Boticas, uma vila arejada e moderna onde o Centro de Artes Nadir Afonso é um dos principais motivos de atracção.

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Dia 2: Boticas → Chaves → Serra do Larouco → Montalegre → Pitões das Júnias → Paradela → Barragem da Venda Nova → Braga

 

São apenas 25 km de Boticas até Chaves, e nesta cidade vale bem a pena parar por algumas horas. Entre o muito que há para ver, sugiro começar pelo Castelo e depois visitar a Igreja Matriz e o seu original interior. A seguir, obviamente, há que descer à Ponte de Trajano e passear junto ao rio até ao Jardim do Tabolado, onde quem for mais audaz pode experimentar atravessar o rio sobre as poldras. Será depois tempo de voltar à estrada para subir até à Serra do Larouco, a terceira maior serra de Portugal, quase na raia de Espanha – uma daquelas raras oportunidades em que podemos ver uma grande extensão de ambos os países em simultâneo. Descemos até Montalegre para conhecer mais uma vila da região barrosã e depois seguimos para Pitões das Júnias, aldeia pequena mas onde vamos passar mais algumas horas. Aqui é imprescindível descer o caminho íngreme que nos leva ao Mosteiro de Santa Maria das Júnias, encaixado num pequeno vale entre fragas e só acessível a pé. Regressamos pelo mesmo caminho para seguirmos as indicações para o miradouro de onde podemos ver a cascata, onde chagamos por um caminho de terra batida e depois por um passadiço em madeira com muitos (muitos!) degraus. O percurso de regresso a Braga faz-se pela estrada que passa junto à barragem de Paradela, com o seu espectacular cenário de fundo, e depois pela barragem de Venda Nova.

 

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De Amarante ao Pinhão 

 

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Dia 1: Amarante → Vila Real → Solar de Mateus → São Leonardo da Galafura → Covelinhas

 

Amarante é mais uma cidade a cujos encantos ninguém consegue ficar indiferente e onde é possível passar horas a passear sem sentir qualquer tipo de aborrecimento. É daqui que saímos para outra cidade cuja visita também será demorada. Vila Real vale não só pelo incontornável Palácio de Mateus e os seus jardins, mas também pela cidade em si e o seu imenso património histórico e arquitectónico. Depois de um ambiente citadino, vamos mergulhar nas soberbas paisagens naturais do Douro subindo até São Leonardo da Galafura, para descermos a seguir até Covelinhas, com a sua estação ferroviária situada quase junto à linha de água.

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Dia 2: Covelinhas → Pinhão → Peso da Régua → Mesão Frio → Amarante

 

De Covelinhas seguimos para a Eclusa da barragem da Régua, onde a passagem dos barcos de cruzeiro é uma atracção recorrente – e também uma celebração do engenho humano na sua tentativa de dominar a natureza. Passamos para o outro lado do Douro para percorrer uma das estradas mais bem desenhadas e bonitas do país: a N222, no seu troço entre Peso da Régua e o Pinhão. Regressamos pelo mesmo caminho, que a paisagem merece e as estradas têm sempre uma perspectiva diferente consoante o sentido em que as percorremos. A Régua merece uma paragem mais demorada para passear junto ao cais e descansar numa esplanada. Depois continuamos a acompanhar o Douro e a sua envolvente até Mesão Frio, a última paragem antes de regressarmos a Amarante.

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Da Lousã ao Piódão

 

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Dia 1: Lousã → Góis → Coja → Avô → Piódão

 

Na verdejante Serra da Lousã não faltam lugares que merecem ser visitados, como o Castelo e o adjacente Santuário de Nossa Senhora da Piedade e também, se houver mais tempo disponível, as aldeias de xisto que se alojam nas suas encostas. Depois seguimos caminho até Góis, para apreciar a beleza da vila nas margens do tranquilo rio Ceira. Em Coja, outro rio para apreciar: o Alva, que vamos novamente encontrar mais tarde na bonita aldeia de Avô. Já seguindo na direcção do destino final do dia, vale ainda a pena parar na praia fluvial de Pomares. Vinte quilómetros e muitas curvas depois, chegamos ao Piódão.

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Dia 2: Piódão → Foz d’Égua → Fraga da Pena → Colmeal → Candosa → Cabreira → Lousã

 

Dos encantos de Piódão já todos ouvimos falar. Nesta aldeia-maravilha o bom mesmo é andar sem rumo e perdermo-nos nas ruelas e escadinhas que serpenteiam pela encosta, descer até à praia fluvial, e depois ir – pela estrada ou, melhor ainda, pelo trilho pedestre – visitar a mais pequena mas não menos encantadora aldeia de Foz d’Égua. De novo no carro, o destino seguinte é outra maravilha natural: a queda de água da Fraga da Pena, enquadrada na Mata da Margaraça, considerada o último reduto de vegetação original no centro do país. Lamentavelmente, esta foi uma das zonas mais afectadas pelos fogos de Outubro do ano passado, tendo ardido mais de 70% da área da Mata – uma tragédia da qual a natureza ainda vai demorar algum tempo a recuperar. Daqui seguimos novamente ao encontro do rio Ceira, onde a primeira paragem é na Praia Fluvial da Ponte, junto à aldeia do Colmeal. A pausa seguinte faz-se na aldeia da Candosa, para depois continuarmos pela M543 durante 7 km até um dos lugares mais idílicos destas redondezas: a Praia Fluvial da Ponte Velha. Logo a seguir, a aldeia da Cabreira é mais um local a visitar antes do regresso à Lousã.

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De Castelo Branco às Termas de Monfortinho

 

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Dia 1: Castelo Branco → Idanha-a-Velha → Termas de Monfortinho

 

Castelo Branco é o ponto de partida para um roteiro que nos leva, mais uma vez, até aos limites fronteiriços com Espanha. Depois de uma visita à cidade, onde é obrigatório conhecer no mínimo o seu castelo e o Jardim do Paço, seguimos para a resguardada e tranquila aldeia de Idanha-a-Velha, que merece uma visita completa e demorada, pela sua importância histórica e pelo tanto que tem para ver. Regressamos à N239 e seguimos directamente para as Termas de Monfortinho, onde o Rio Erges faz a separação entre Portugal e Espanha. Em frente ao edifício das Termas há um parque por onde se acede à margem do rio para um passeio agradável.

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Dia 2: Termas de Monfortinho → Penha Garcia → Monsanto → Castelo Branco

 

Perto de Monfortinho, Penha Garcia é outra jóia portuguesa a descobrir. Estendendo-se pela encosta acima e coroada pelas muralhas do castelo, é na sua vertente menos exposta que encontramos vários tesouros escondidos: os moinhos de água do rio Pônsul, a rota dos icnofósseis, e a Praia Fluvial do Pego, com a sua adorável queda de água. Daqui seguimos para a famosíssima aldeia de Monsanto, também encarrapitada numa encosta e também com o seu castelo, mas com um ambiente completamente diferente, e depois de regresso a Castelo Branco – ou, quem sabe, para outras paragens…

  

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De Ponte de Sor a Marvão

 

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Dia 1: Ponte de Sor → Vila Formosa (ponte romana) → Flor da Rosa → Castelo de Vide → Marvão

 

Partindo de Ponte de Sor, este roteiro leva-nos até ao Parque Natural da Serra de São Mamede. No entanto, ainda antes de chegar a Alter do Chão fazemos um curto desvio para ir conhecer a ponte romana de Vila Formosa, monumento nacional que até há alguns anos ainda era utilizado para o tráfego automóvel mas agora se encontra inserido num simpático parque de merendas. Dirigimo-nos depois para Flor da Rosa, com a Pousada que já foi o Mosteiro do Crato e a Capela que tem o nome da localidade. Castelo de Vide é o destino seguinte, e vai ser uma visita longa porque aqui há muito para ver. Ainda antes de entrar podemos parar na Fonte do Martinho, onde temos uma perspectiva da vila vista de baixo, e depois subir à Ermida de Nossa Senhora da Penha para a ver de bem alto. Já dentro da vila, o melhor é começar pelo largo principal, onde estão a Câmara Municipal e a Igreja Matriz, seguir até à Fonte da Vila e depois ir subindo para visitar as ruas da Judiaria e o Castelo. Vamos depois até Marvão, com a sua posição privilegiada no alto da serrania e as suas muralhas, que podem ser percorridas praticamente de ponta a ponta para delas termos uma visão de 360 graus sobre a paisagem do Alto Alentejo.

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Dia 2: Marvão → Estrada da Portagem → Cidade romana de Ammaia → Marco (ponte internacional mais pequena) → Cabeço de Vide → Ponte de Sor

 

Descemos de Marvão até à encruzilhada da Portagem, viramos à direita como se fôssemos para Castelo de Vide e pouco depois à esquerda: vamos percorrer um troço da N246-1, outra das mais bonitas e míticas estradas portuguesas, ladeada de freixos marcados com uma faixa branca no tronco. Seguindo para sul, a seguir a São Salvador da Aramenha encontramos as ruínas da cidade romana de Ammaia, ainda pouco resgatadas das profundezas do solo mas cujo Museu abriga uma das melhores e mais bem preservadas colecções de vidros romanos da Península Ibérica. De regresso à estrada, continuamos para sul até à minúscula aldeia do Marco, nos arredores de Arronches. É aqui que se encontra a ponte internacional mais pequena do mundo: com apenas seis metros de comprimento, faz a ligação entre Portugal e Espanha sobre a estreita ribeira de Abrilongo. Já no caminho de volta ao ponto de partida deste roteiro, o último local a visitar é Cabeço de Vide. Passeamos pelas ruazinhas do centro histórico até à Igreja de Nossa Senhora das Candeias, situada no alto da povoação, e depois seguimos de carro para conhecer os belíssimos azulejos da antiga estação de caminho-de-ferro e, quase ao lado, as Termas de Sulfúrea e o parque que as rodeia.

 

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De Évora a Monsaraz

 

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Dia 1: Évora → Castelo de Valongo (Montoito) → Reguengos de Monsaraz → Corval (Pedra dos Namorados) → Convento da Orada → Cromeleque do Xerez Ermida de São Bento → Monsaraz

 

É da mais-que-famosa cidade de Évora que saímos para mais um roteiro por terras alentejanas. A minha primeira sugestão de paragem é para observar o Castelo de Valongo, perto de Montoito. De linhas simples e meio em ruínas, ergue-se isolado numa pequena elevação rodeada de vinhas (em propriedade privada), e é precisamente esta sua localização e o aspecto de estar orgulhosamente só que lhe dão um carácter especial e único. Seguimos para Reguengos de Monsaraz, com a sua interessante Igreja Matriz, e depois para Corval, povoação conhecida pela sua olaria e pela Pedra dos Namorados, um menir associado a antigos ritos da fertilidade e aonde na segunda-feira de Páscoa, seguindo antigas tradições, as raparigas solteiras se dirigem para saberem quantos anos ainda faltam para casar. E como vestígios megalíticos é coisa que não falta no nosso Alentejo, encontramos mais um já bem perto de Monsaraz, junto ao Convento da Orada: o Cromeleque do Xarez, transportado para este lugar em 2004 por o seu local original ter ficado submerso pela barragem do Alqueva. Antes de finalmente entrarmos em Monsaraz, vale ainda a pena parar um pouco junto à Ermida de São Bento.

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Dia 2: Monsaraz → Mourão → Luz → Moura → Barragem do Alqueva → Marina da Amieira → Évora

 

Monsaraz está contida dentro das muralhas do seu castelo e não é demorado percorrê-la, mesmo com calma. Voltando a pegar no carro, vamos passar sobre o grande lago que agora é o Alqueva para irmos até Mourão, que tem chaminés típicas e também um castelo, e tem a fantástica paisagem que dele se avista. Continuando a rodear o Alqueva, fazemos um desvio para visitar a nova aldeia da Luz e depois seguimos para Moura, um oásis de frescura em pleno Alentejo, onde a área envolvente do castelo e o Jardim Dr. Santiago de Moura são de visita obrigatória. Regressamos à N355 para seguir até à Barragem, atravessamos o dique e continuamos até à marina da Amieira, e encetamos finalmente o caminho de volta a Évora.

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Boa Páscoa, e bons passeios!

 

  

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Em Marraquexe, comer bem e ajudar uma causa

 

A cozinha marroquina é rica em sabores e em misturas inesperadas, e combina as tradições berberes com as influências da culinária mediterrânica do sul de Espanha e de França. Nela encontramos também muitos pontos em comum com a nossa própria cozinha, como o uso recorrente do azeite e das azeitonas, dos coentros e da salsa, do alho e da cebola, das frutas e legumes que consumimos desde sempre – o limão, a laranja, a ameixa, a cenoura, a batata. As diferenças ficam sobretudo por conta dos temperos, onde os cominhos são rei e o ras el hanout (o tempero mais típico da culinária magrebina) consegue o prodígio de poder juntar até cem especiarias diferentes, embora a sua base tradicional seja composta por bastante menos: sal, cominhos, gengibre, açafrão, canela, pimentas várias e cravinho, tudo moído, a que se junta alho esmagado.

 

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É portanto fácil de perceber que em Marrocos se come geralmente bem em todo o lado, mesmo que nalgumas zonas do país os restaurantes ofereçam menos variedade de pratos do que nas cidades maiores.

 

Mas é precisamente sobre uma dessas cidades maiores que quero hoje falar. Ou melhor, sobre um restaurante específico numa dessas cidades: o restaurante da Amal, em Marraquexe.

 

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A bem da verdade, a Amal não tem um mas sim dois restaurantes, mas foi no que fica na zona de Gueliz que eu almocei. Situado num bairro relativamente moderno da cidade, perto do hospital (e mais ou menos a 15 minutos a pé dos famosos Jardins Majorelle), não tem o glamour de alguns restaurantes da Medina, nem a vista privilegiada dos que rodeiam a praça Jemaa el-Fna, mas a comida é verdadeiramente boa – muitos furos acima da que é servida na maioria destes restaurantes mais frequentados, e com preços até mais razoáveis.

 

O ambiente é informal e despretensioso, mas nota-se bastante cuidado nos pormenores. Nós almoçámos na esplanada, bem protegida do calor por toldos e árvores e com um muro alto de arbustos a fazer a separação da rua, com mobiliário de ferro e mosaicos de cores alegres, muito à maneira marroquina.

 

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O serviço foi rápido e atencioso, apesar de já termos ido um bocado fora da hora de ponta dos almoços (ou talvez por isso mesmo). O menu não é muito extenso e varia de dia para dia, mas oferece um leque de escolhas variado quanto baste. E, sobretudo, a comida é deliciosa, em quantidade suficiente, e não descuram a apresentação dos pratos. Escolhemos dois tipos de salada, nems de frango e sardinhas recheadas, e bebemos sumos de fruta. Em Marrocos os sumos naturais são normalmente mais baratos do que a água engarrafada – sobretudo o de laranja, mas também o de romã e a limonada – e são todos muito bons.

 

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E agora, a cereja no topo do bolo. Repararam que tenho escrito “a Amal”? É que a Amal (cujo nome significa “esperança” em árabe) é muito mais do que só um lugar onde comer: é uma associação não lucrativa que apoia mulheres desfavorecidas. Criada em 2012 por Nora Fitzgerald Belahcen, uma americana-marroquina que cresceu neste país, a Amal oferece cursos de formação na área da hotelaria e restauração a raparigas e mulheres que se encontram em situações de vida difíceis e precisam de adquirir conhecimentos e prática para entrarem no mercado de trabalho. São na sua maioria jovens com baixo ou nenhum rendimento e com um estatuto social e/ou familiar complicado – órfãs, viúvas, divorciadas ou mães solteiras. Além das áreas temáticas habituais da indústria hoteleira, os cursos proporcionam-lhes conhecimentos de higiene, segurança, francês e inglês, entre outros. Após um curso de seis meses, as formandas fazem um estágio e a associação encontra-lhes trabalho, para que possam ser financeiramente independentes. Os cursos são completamente gratuitos e durante esse tempo as despesas para a subsistência das formandas são suportadas pela associação.

 

O suporte financeiro da associação é fornecido não só pelas receitas dos dois restaurantes mas também pelos outros serviços que prestam: aulas de culinária e pastelaria a particulares ou grupos, e catering para eventos.

 

Podem encontrar todas as informações sobre a Amal e o seu projecto (incluindo os horários e localização dos restaurantes) neste site: http://amalnonprofit.org/.

 

E se a ocasião se proporcionar, vão até lá. Afinal, viajar também pode servir para ajudar boas causas.

 

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Croácia - diário de viagem XIV - Dubrovnik ou os telhados de uma cidade única

 

Grande parte do encanto da cidade antiga de Dubrovnik deve-se à simplicidade e funcionalidade do seu conjunto edificado. As residências aristocráticas e a maioria dos edifícios públicos são impressivos pela perspectiva que oferecem e não pelo seu tamanho, e por isso a cidade é extremamente coesa do ponto de vista arquitectónico. Uma das suas particularidades mais marcantes são precisamente os telhados, aspecto estilístico sempre importante na caracterização das estruturas históricas.

 

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Durante três meses em 1991, aquando da guerra entre croatas e sérvios que só terminou com a independência da Croácia, choveram rockets sobre os telhados de Dubrovnik. Morreram dezenas de pessoas durante estes confrontos e dois terços dos edifícios foram danificados: 382 estruturas residenciais e 29 edifícios públicos, o que representa cerca de 86% da área da cidade antiga. Os interiores e telhados de sete palácios barrocos foram consumidos pelo fogo.

 

Os danos mais graves e mais sentidos – sem contar com as mortes, obviamente – foram os dos telhados antigos: foram directamente atingidos 438 telhados e indirectamente 314. Um verdadeiro atentado criminoso a uma cidade que já era na altura Património Mundial e que carecia de qualquer importância estratégica no contexto da guerra que se desenrolava, considerado ultrajante até mesmo por parte da população sérvia.

 

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Quando a guerra terminou, em 1992, e se iniciou o processo da restauração de Dubrovnik, a recuperação dos seus telhados foi obviamente uma das maiores preocupações. Sendo o respeito pela autenticidade um dos princípios básicos da restauração de estruturas históricas, a equipa responsável pela tarefa tentou tanto quanto possível encontrar telhas feitas com materiais e por processos semelhantes às originais – em tempos feitas manualmente com a forma de uma coxa humana – mas a tarefa não se revelou fácil, pois a fábrica mais próxima que ainda produzia peças semelhantes às dos telhados de Dubrovnik situa-se em França.

 

Longe que já vão esses anos e com a cidade já completamente – e bem! – recuperada da sua fase negra mais recente, ver Dubrovnik acima do nível dos seus telhados é uma experiência obrigatória, e era esse o plano para o nosso último dia completo na cidade.

 

Zlatan, o nosso hospedeiro, já nos tinha avisado na véspera que se aproximava chuva, e a verdade é que acordámos ao som de um forte aguaceiro que se prolongou por toda a manhã. Não tivemos outra alternativa senão aproveitar o tempo para descansar e preparar um belíssimo brunch com tudo o que ainda tínhamos no frigorífico do apartamento, mas assim que a chuva acalmou saímos imediatamente. O céu continuava cinzento, mas felizmente as nuvens acabaram por ir para outras paragens e a tarde ficou excelente para passear.

 

Desta vez resolvemos ir conhecer melhor as partes norte e este da cidade antiga. Ao fundo da Stradun, mesmo ao lado da Torre do Relógio, há um arco que nos leva à rua de acesso ao Mosteiro Dominicano. Só vendo de longe o volume deste Mosteiro é que conseguimos ter uma ideia das suas verdadeiras dimensões. Iniciado no séc. XIV, com um claustro que mistura o gótico e o renascentista e uma torre sineira com elementos românicos e barrocos, esta construção é um exemplo acabado da harmoniosa mescla de estilos arquitectónicos frequente na Dalmácia – onde, de resto, a moderação e a simplicidade que permitem a convivência pacífica das diferenças não se reduz à arquitectura, estando presente em várias outras áreas sócio-culturais.

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A Porta de Ploče é a entrada principal na cidade antiga pelo leste e tem a característica curiosa de ser constituída por duas secções, uma interior e outra exterior, unidas por uma ponte, local que oferece uma das vistas mais amplas (e talvez mais fotografadas) sobre a marina de Dubrovnik. Sobre a primeira secção da Porta, como não podia deixar de ser, uma imagem do omnipresente São Brás. A secção exterior está encastrada na Fortaleza de Revelin, construída no séc. XV como protecção adicional contra a ameaça da invasão otomana. Alvo de vários reforços ao longo dos séculos seguintes, acabou por se tornar a fortaleza mais robusta da cidade e eventualmente o centro administrativo da República de Ragusa. O enorme terraço de pedra no topo de Revelin é actualmente palco para vários eventos nos festivais de Verão de Dubrovnik.

 

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Há duas formas de ver Dubrovnik do alto. Uma, a mais habitual, é percorrer a pé todo o perímetro da cidade antiga sobre as muralhas (cerca de dois quilómetros). A outra, menos romântica e mais rápida mas igualmente interessante, é subir até ao Forte Imperial, implantado bem alto na encosta que protege a cidade pelo seu lado nordeste. Embora seja obviamente possível ir até lá de carro (ou mesmo a pé, mas a subida não é pêra doce…), nós escolhemos ir de outra forma: de teleférico (http://www.dubrovnikcablecar.com/). Em actividade desde 1969, as cabines suspensas levam-nos em menos de quatro minutos desde a estação inferior, situada junto do parque de estacionamento mais próximo da Porta de Ploče, até 405 metros acima do nível do mar, depositando-nos num fantástico miradouro com dois níveis de onde podemos avistar uma área de 60 quilómetros em redor.

 

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Ver a cidade de um ponto de vista tão elevado é uma experiência fascinante. Faz lembrar um puzzle de duas cores, o cru acinzentado da pedra coroado pelo laranja dos telhados, as “peças” muito bem encaixadinhas e só separadas pelas linhas das ruelas. Esta mancha bicolor contrasta com o fundo azul do Adriático, onde apenas se destaca o verde-escuro da ilha de Lokrum e aqui e ali o branco que marca a esteira de algum barco. Deste miradouro temos realmente uma perspectiva privilegiada sobre Dubrovnik e os seus arredores: para a esquerda vemos facilmente toda a costa até Čavtat e as montanhas que definem o extremo sudeste da Croácia, enquanto para a direita os nossos olhos se perdem na mole de edifícios que formam a parte nova de Dubrovnik e nas inúmeras ilhas que se vão fundindo gradualmente com o horizonte.

 

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De regresso ao chão e com o estômago já a reclamar comida, aproveitámos a localização simpática e estratégica da pizzaria Tabasco, numa espécie de jardim ao fundo das escadas que descem da estação do teleférico para a Ulica Iza Grada. Depois, com o apetite já satisfeito, ainda demos mais uma volta pelas ruas da cidade antiga, para nos despedirmos finalmente dela tal como a tínhamos conhecido: sob o céu nocturno, mas sempre luminosa.

 

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Mapa interactivo da cidade antiga de Dubrovnik:

https://www.dubrovnikcity.com/dubrovnik/old_town.htm

 

 

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As escadas da Pedra do Dragão

 

Não conheço ninguém que não seja fã da série Guerra dos Tronos. Excepto, claro está, aquelas pessoas que nunca viram nenhum episódio. De resto, mesmo que a temática não seja à partida do agrado de toda a gente, é impossível não ficar “agarrado” a uma série tão bem produzida e interpretada.

 

Como muitas outras séries, os cenários onde se desenvolve o enredo são uma parte não pouco importante do sucesso do resultado final, e na Guerra dos Tronos tem havido um cuidado especial em descobrirem lugares fora do comum para filmarem os exteriores (apesar da posterior montagem digital na maioria dos casos). A 7ª temporada da série foi em grande parte filmada em cenários espanhóis, mas entre todos eles o que mais me chamou a atenção foi a estranha e fascinante escadaria do lugar a que chamam Pedra do Dragão (Dragonstone na língua original).

 

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Não foi obviamente difícil saber o nome do local, complicado de fixar e pronunciar mas fácil de localizar no mapa: Gaztelugatxe, no País Basco, muito perto de Bilbau. E na primeira oportunidade que tive lá fui eu conhecer o sítio, que isto de ver as coisas na televisão é muito bonito mas não há nada que se compare à nossa própria opinião in loco.

 

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Gaztelugatxe é uma ilhota situada lá muito para cima, no norte longínquo da Península Ibérica, uns 30 quilómetros a leste de Bilbau e no lado oeste do Cabo Matxitxako. O nome vem de duas palavras bascas e um dos seus significados possíveis é “castelo difícil”. Aqui a costa é agreste, com mar bravio e muita rocha, erodida pelos elementos até formar arcos e grutas. Quase ao lado, a ilhota de Aketx é uma espécie de santuário para as aves marinhas. Como todas as zonas rochosas, tem uma vida submarina intensa e é local frequentado por mergulhadores quando as águas estão menos agitadas.

 

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Na Guerra dos Tronos a escadaria da Pedra do Dragão dá acesso a um enorme castelo (que é uma criação digital), mas no nosso mundo o topo de Gaztelugatxe está ocupado por uma ermida, cujos vestígios apontam para os sécs. IX ou X como época da construção inicial. Dedicada a São João Degolado (possui um relicário, que se dá a beijar nos grandes dias de festa, onde supostamente está encerrada uma relíquia da cabeça de São João Baptista), data de 1053 o primeiro documento onde é referida – na altura com o nome de Sancti Johannis de Castiello. Entre saques e incêndios, esta ermida sofreu vários incidentes ao longo dos séculos e foi sendo sucessivamente reconstruída. A versão actual data de 1980 depois de um incêndio, provocado por mão humana, que a destruiu em 1978. A ermida de San Juan de Gaztelugatxe (o seu nome pelo menos desde o séc. XIX) é o santuário marítimo mais importante do País Basco, local de romaria e devoção principalmente por parte de marinheiros e pescadores.

 

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Mas o que torna este lugar verdadeiramente fora do comum é sem dúvida a ponte que liga Gaztelugatxe ao continente e se prolonga pela escadaria que sobe até à ermida. Intimidante quando vista de baixo, os seus 231 degraus (versão oficial, que eu contei-os mas já não me lembro do número…) acabam por ser surpreendentemente pouco difíceis de subir. Estão inteligentemente dispostos em socalcos que mudam de direcção em cada patamar que se atinge – e cada um deles corresponde a uma estação da Via Crucis, pois a ermida é lugar de peregrinação colectiva quatro vezes por ano, em datas especiais festejadas pela população das localidades vizinhas. Ou talvez a subida me tenha sido facilitada pela excitação que o lugar provoca, uma certa sensação de estar suspensa no ar, pairando sobre a água…

 

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A impressão de viver uma pequena aventura continua lá em cima: ar limpo (muito vento, claro), magníficas vistas sobre a costa biscainha e sobre o Golfo, o mar a bater com violência nas rochas cá em baixo, água de um azul profundo transformada em espuma branca. Um deslumbramento.

 

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Mesmo não havendo muitos visitantes (vantagens de não ir lá no Verão), o sino da ermida toca com frequência. Diz a tradição que quando se chega ao topo devemos fazer tocar o sino três vezes, para afastar os maus espíritos e atrair boa sorte; e que se pedirmos um desejo ele é realizado; ou também podemos fazê-lo tocar como festejo pelo esforço da subida; ou ainda – pasme-se! – que o seu som pode ajudar a curar dores de cabeça. Enfim, a interpretação fica ao gosto de cada um, mas a verdade é que quase toda a gente que ali chega cumpre o ritual.

 

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A ermida aloja ex-votos de marinheiros que sobreviveram a naufrágios. Embora só esteja aberta nos meses de Julho e Agosto e apenas durante certas horas do dia, tem uma espécie de abrigo adaptado para zona de merendas e alguns bancos de pedra onde podemos descansar e ficar a aproveitar a paisagem.

 

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A descida deveria ser mais rápida do que a subida, mas a verdade é que acabamos por parar em cada curva da escadaria para admirar tudo o que se avista, cada ângulo a oferecer uma perspectiva ligeiramente diferente. O que parece minúsculo visto lá de cima adquire novos contornos quando nos aproximamos, e a própria escadaria vai mudando de padrão geométrico à medida que descemos. Todo o ambiente é vagamente surreal.

 

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À ilha de Gaztelugatxe só se chega a pé. Os carros têm de ficar num dos vários estacionamentos que existem na estrada que liga as localidades de Bakio e Bermeo. Ao pé dos estacionamentos há restaurantes e até mesmo alojamento para quem quiser demorar-se por ali. A partir daí o acesso pode fazer-se por dois caminhos: um mais curto e íngreme, entre o arvoredo; o outro, mais longo e amplo, é na realidade uma estrada, mas a circulação de veículos está restrita na sua maior parte. A melhor forma de fazer o percurso é descer pelo caminho pedonal que tem início ao lado do restaurante Eneperi (está devidamente assinalado por placas) e depois regressar pela estrada – é o dobro da distância e demora-se bem mais, mas é muito menos penoso e temos sempre a paisagem como companhia. Mas é óbvio que quem for corajoso e estiver em boa forma pode optar pelo caminho mais íngreme e assim regressar mais rapidamente.

 

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San Juan de Gaztelugatxe é verdadeiramente um daqueles lugares que não defrauda as expectativas. Há casos em que a realidade se mostra ainda melhor do que a ficção; este – podem crer! – é um deles.

 

 

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