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Viajar porque sim

Paixão por viagens, escrita e fotografia

Seg | 02.02.15

11 lugares a não perder em Portugal continental

 

Portugal é um país pequeno mas cheio de lugares encantadores, a maioria fora das rotas turísticas mais movimentadas e muitos deles ainda pouco conhecidos.

Nas minhas já muitas viagens no nosso país tive a felicidade de “descobrir” alguns desses locais. Uns são obras mágicas que a Natureza nos ofereceu, noutros a intervenção humana acabou por dotá-los de um carácter particular. Uns têm permanecido praticamente inalterados ao longo dos anos, outros tornaram-se mais famosos e já não são um segredo bem guardado, mas todos mantêm características que fazem deles lugares verdadeiramente especiais.

A visitar urgentemente, se ainda não conhece.

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ALGAR SECO

A cerca de 750 metros de distância do centro da localidade do Carvoeiro, na estrada que sobe para leste junto à costa, existe uma espectacular formação rochosa que deu origem a uma rede de grutas por onde entra a água do mar. O acesso faz-se actualmente por uma escadaria cimentada que nos permite descer até uma espécie de “piscina interior” no meio das rochas. As zonas exteriores são poiso favorito de pescadores e local privilegiado para observar o mar e os recortes costeiros do barlavento algarvio.

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BUÇACO

A Mata Nacional do Buçaco (ou Bussaco, na grafia antiga) é um lugar mágico e uma das matas nacionais mais ricas a todos os níveis, possuidora de uma biodiversidade singular e de um património arquitectónico notável. O seu ex-libris é o Palace Hotel do Bussaco, um edifício maioritariamente concebido por Luigi Manini no séc. XIX em estilo neomanuelino. Adjacente ao palácio encontramos o Convento de Santa Cruz, que data do séc. XVII e apresenta características muito originais, como os painéis embrechados e a azulejaria. Dentro da mata existem ainda uma Via Sacra, algumas edificações em ruínas e várias fontes, em que a mais apelativa é a Fonte Fria, com a sua enorme escadaria. Mas a beleza maior da Mata é sem dúvida a sua flora, com destaque especial para o Vale dos Fetos, habitado por exemplares de fetos arbóreos de vários metros de altura e onde um arruamento construído no séc. XIX nos conduz ao Lago Grande, num passeio para o qual existe apenas um adjectivo: maravilhoso.

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CABO CARVOEIRO

O Cabo Carvoeiro situa-se a oeste de Peniche, no extremo da península com o mesmo nome. É um promontório rochoso com características particulares, onde podemos observar grandes áreas de lapiás e outras formações rochosas resultantes de grande erosão ao longo de muitos milhares de anos. Uma destas formações é a Nau dos Corvos, uma enorme rocha isolada no meio da água que faz lembrar uma embarcação a dirigir-se para o largo. A não perder também a Varanda de Pilatos e a Furna que sopra (e que nos proporciona uma experiência divertida). Ao longe, as ilhas Berlengas marcam a paisagem.

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CAIS PALAFÍTICO DA CARRASQUEIRA

Nos anos 50, os pescadores da pequena aldeia da Carrasqueira começaram a construir este cais palafítico para conseguirem aceder às suas embarcações durante a maré vazia, quando as margens do rio Sado estão lamacentas e pantanosas. Esta obra-prima da arquitectura popular tem-se mantido inalterada ao longo dos anos e continua a ser usada por alguns pescadores, cujo número tem infelizmente vindo a diminuir. É uma rede irregular de passadiços feitos com tábuas pregadas sobre estacas de madeira, de aspecto enganadoramente frágil, que se estende ao longo de algumas centenas de metros pelo estuário do rio adentro e abriga pequenos barcos de pesca coloridos, alguns deles abandonados, outros cheios de redes e artigos de pesca. Pequenas cabinas também de madeira, algumas pintadas com cores alegres, servem como lugares de armazenamento para quem usa este cais artesanal. Aqui é sem dúvida o melhor lugar para observar a avifauna do estuário do Sado e apreciar um espantoso pôr-do-sol no final de um dia de Verão.

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FRAGA DA PENA

Fica na serra do Açor, na região de Arganil, uma das quedas de água mais bonitas do nosso país. O próprio percurso para aceder à Fraga da Pena já merece a visita, pois há que seguir pela estrada que liga Coja a Benfeita e atravessa a Mata da Margaraça, o último reduto da floresta nativa da Beira Serra, e depois ir a pé durante algumas centenas de metros por um caminho de xisto ladeado de árvores e arbustos até chegar à cascata. Ali nada se ouve a não ser o ruído dos pássaros e da água, que cai aparatosamente de uma altura de cerca de 20 metros e forma um pequeno lago. Frescura e paz num local idear para relaxar em comunhão com a Natureza.

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MINA DE S. DOMINGOS

Perto da localidade com o mesmo nome, no concelho de Mértola, o lugar onde entre 1858 e 1965 existiu uma exploração mineira oferece-nos uma paisagem de ficção científica ímpar no nosso país. Edifícios em ruínas, equipamentos abandonados, lençóis de água parada e vastas áreas pedregosas com cores acobreadas ou acinzentadas, um cenário pós-apocalíptico surpreendentemente atraente e fonte inesgotável para quem gosta de fotografar. Existe um projecto para recuperar a área, por isso aproveite para conhecer antes que a paisagem mude.

(Leiam aqui um post inteiro sobre a Mina de S. Domingos.)

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SERRA DA PENEDA

Inserida no Parque Nacional da Peneda-Gerês, a serra oferece-nos uma variedade de cenários difícil de encontrar noutras regiões. Enormes maciços pedregosos, ladeiras verdejantes, grandes áreas de coníferas a fazerem lembrar países nórdicos, cavalos selvagens pastando mansamente, e um Santuário novecentista estrategicamente localizado ao lado de uma queda de água vertiginosa, com um pico rochoso a servir de pano de fundo. Fica no Portugal profundo, mas é um pecado não visitar.

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PENHA GARCIA

Próximo da bem mais conhecida e divulgada localidade de Monsanto, Penha Garcia é uma vila pacata mas cheia de charme, com origens que remontam a D.Sancho I. Do muito que há para ver, o meu local preferido é o vale do rio Pônsul, actualmente aprisionado numa barragem e de onde escorre apenas em versão de ribeiro. Nas suas margens sobrevivem algumas azenhas, em tempos importantes e que têm vindo a ser recuperadas a pouco e pouco. Mais interessantes ainda, os icnofósseis preservados e bem visíveis nas paredes rochosas, vestígios dos Trilobites que dominaram os mares há centenas de milhões de anos. No local foi ainda construída uma espécie de “piscina” rodeada por um passadiço em madeira e alimentada por uma pequena queda de água, que formam um recanto verdadeiramente idílico.

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PONTE DA MISARELA

Certamente um dos lugares mais escondidos e por isso mesmo menos conhecidos do nosso país, a ponte da Misarela está no meu coração há já muitos anos. Da primeira vez que a visitei foi necessário andar quilómetros e já quase estávamos em desespero quando ela finalmente surgiu depois de uma curva no caminho, solidamente implantada sobre uma ravina rochosa, com o rio Rabagão a correr furioso lá em baixo. Hoje o acesso já não é tão demorado, e pode fazer-se a partir de Ruivães ou Frades (Vieira do Minho) ou de Vila Nova (Montalegre), mas há sempre que contar com um razoável percurso a pé por caminhos lajeados ou de terra batida. O local vale bem o desvio das rotas turísticas habituais, porque a Misarela está localizada num cenário maravilhoso, e a própria ponte insere-se naturalmente na paisagem natural como se dela fizesse parte não fosse uma obra humana. Constituída por um único arco granítico, é de construção medieval mas as suas origens remontam ao período romano. É também conhecida como “ponte do diabo”, devido à lenda que lhe está associada e que pode ler aqui ou aqui.

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PULO DO LOBO

Cerca de 18 km a montante de Mértola, um trecho do rio Guadiana corre por entre fragas escuras e apertadas até se precipitar com grande estrépito de uma queda superior a 20 metros. A paisagem é deslumbrante e o percurso do rio impressiona pela força que as águas demonstram naquele local mesmo nas alturas em que o rio está menos volumoso. É possível aceder ao local tanto do lado nascente como do lado poente, mas pelo lado poente (pela aldeia de Amendoeira da Serra, saindo da estrada que liga Beja a Mértola) é mais fácil e existe uma estrutura propositadamente construída para a observação da queda de água.

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SÃO LEONARDO DA GALAFURA

Não existe melhor sítio para observar o esplendor do rio Douro e das suas margens do que o miradouro de S. Leonardo da Galafura. A meio caminho entre a Régua e Vila Real, o miradouro ergue-se a 640 metros de altura sobre o rio, que desliza sossegadamente lá muito em baixo, e dele temos uma vista ampla e desafogada da paisagem duriense, montes e vales em dégradés de castanho e cinza salpicados aqui e ali por manchas de verde, cortados por caminhos serpenteantes e pelas escadinhas dos socalcos que suportam as inúmeras vinhas da região. E sentimo-nos muito pequeninos perante aquela vastidão imensa.

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