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Viajar. Porque sim.

Paixão por viagens, escrita e fotografia

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Primavera nas Astúrias - parte I

Agora que os dias começam a ser mais compridos e o tempo está menos agreste, é a altura ideal para ir à descoberta de uma das mais bonitas regiões da nossa vizinha Espanha: as Astúrias.

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O Principado das Astúrias localiza-se no norte de Espanha, entre a Galiza e a Cantábria. Com um território que excede os 10.000 km2 e abrange costa marítima, zonas montanhosas e cidades com história, e à distância de menos de um dia de carro, é a região perfeita para quem gosta de umas férias variadas.

 

Deixo-vos aqui a minha sugestão de roteiro para uma viagem de carro pelas Astúrias durante uma semana.

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Dia 1 – Viagem até Gijón

 

Gijón é a segunda cidade das Astúrias em importância, mas a maior em número de habitantes. Situada junto ao mar e a apenas 28 km de Oviedo e 30 de Avilés, as duas outras principais cidades das Astúrias, é por isso excelente como base para visitar parte da região sem necessidade de andar a mudar de alojamento com frequência. São 525 Km a partir do Porto e 800 a partir de Lisboa, por isso o primeiro dia vai ser ocupado com a viagem até Gijón. Parem em Salamanca para descontrair e almoçar, e aproveitem para dar um passeio pela Plaza Mayor e até à Catedral. Em Gijón, recomendo o Hotel Arena, que está muitíssimo bem situado e tem uma óptima relação qualidade-preço, além de ter parque de estacionamento privado, o que é sempre uma mais-valia para quem vai de carro.

 

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Dia 2 – Gijón-Avilés

 

Reservem a manhã para passear a pé em Gijón. Sigam pela avenida que bordeja a Playa de San Lorenzo

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e vão até à Plaza Mayor. Visitem as Termas Romanas de Campo Valdés. Passem pela Igreja de San Pedro

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e subam até ao Cerro de Santa Catalina para ver a paisagem deslumbrante e a descomunal escultura de Chillida “Elogio ao Horizonte”.

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Regressem pelo mesmo caminho, ou então desçam pelo outro lado do Cerro para ver a escultura “Nordeste” de Joaquín Vaquero Turcios e o porto desportivo. Novamente na avenida marginal, passem a ponte sobre o Rio Piles e continuem junto ao mar pelo Paseo del Rinconín até ao Monumento a la Madre del Emigrante, de Ramón Muriedas. A seguir peguem no carro e vão até ao Parque la Providencia, no Cabo San Lorenzo, de cujo miradouro vão poder ter uma visão ampla da cidade de Gijón e deste pedaço da costa asturiana. A não perder.

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Depois de almoço sigam para Avilés, a cerca de meia hora de carro. Visitem o centro histórico, com as suas ruas de pedra colorida em vários tons, a antiquíssima Igreja dos Padres Franciscanos (do período românico), o arrojado Centro Niemeyer, o edifício da Câmara Municipal (Ayuntamiento) na Plaza de España, ou o cemitério de La Carriona, com os seus elaboradíssimos jazigos.

 

 

Dia 3 – Oviedo

 

Oviedo é a capital das Astúrias e também o ponto de partida para descobrir alguns dos monumentos pré-românicos desta região. Mas para já deixem o carro no estacionamento da Plaza de la Escandalera e passeiem um pouco a pé pela cidade, que tem muitos motivos de interesse. Vão até catedral gótica, com origens no séc. XIII,

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depois sigam andando para sul e passem pela Igreja de San Isidoro

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até chegarem ao Mercado El Fontán na rua com o mesmo nome.

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Em frente ao Mercado, a Plaza del Fontán e lá dentro a colorida Casa Ramón, a única parte original desta pequena praça que comunica com as ruas limítrofes por arcadas.

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É em torno da Plaza que se realiza um mercado ao ar livre às quintas, aos sábados e aos domingos. Por aqui vão encontrar muitos restaurantes e “sidrerias”, e quando forem horas de almoço escolham qualquer um deles e peçam uma “fabada” (que é uma feijoada à moda das Astúrias) acompanhada de sidra, a bebida típica da região, servida (“escanciada”) pelos empregados de uma forma muito particular: o braço que segura a garrafa é passado sobre a cabeça, enquanto a mão que tem o copo é colocada o mais abaixo possível.

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Regressem ao carro passando pela Universidade. Durante o passeio vão encontrar inúmeras estátuas, umas mais clássicas e outras mais arrojadas: desde a “Gorda” de Botero à “Mafalda” (personagem de Quino), passando pela que homenageia Woody Allen ou pela “Regenta” que está em frente à Catedral, elas são um excelente e original pretexto para um percurso a pé (vejam o percurso completo e todas as informações em http://imanesdeviaje.com/descubre-oviedo-a-traves-de-sus-estatuas/).

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E está na hora de iniciar a rota do pré-românico. Ainda dentro da cidade, parem primeiro na Foncalada, uma fonte de água potável que remonta ao séc. IX,

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e depois na igreja de San Julián de los Prados, o maior monumento pré-românico ainda conservado. Subindo para o Monte Naranco, vão encontrar primeiro o palácio/igreja de Santa María del Naranco,

 

e um pouco mais à frente a igreja de San Miguel de Lillo, bela e isolada no meio de um prado rodeado de árvores.

 

Continuem depois a subir até ao topo do monte, onde se situa o monumento ao Sagrado Coração de Jesus e de onde se oferece uma panorâmica privilegiada sobre Oviedo – no centro da qual se destacam as formas arrojadas e brancas do Palácio de Congressos Princesa Letizia, obra monumental e polémica de Santiago Calatrava.

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Dia 4 – Ribadesella-Cangas de Onís-Covadonga-Lagos-Arenas de Cabrales

 

Despeçam-se de Gijón com uma passagem pela Universidad Laboral e rumem para leste até Ribadesella, localidade de veraneio e de desportos de aventura. Situada no estuário do rio Sella, as avenidas junto à praia são especialmente encantadoras, com as suas casas apalaçadas de cores vivas sobressaindo na paisagem verde e azul.

 

A paragem seguinte é em Cangas de Onís, uma das portas de entrada para o Parque Nacional dos Picos da Europa. Embora muito virada para o turismo, é uma localidade pequena e até pacata fora da época alta, onde as vedetas maiores são a ponte “romana” (data do séc. XIII, mas supõe-se que remonta à época romana) sobre o rio Sella e a igreja de Santa Cruz, com origens no período pré-românico e construída sobre um dólmen pré-histórico. Aproveitem para almoçar por aqui, que a tarde vai ser longa e em zonas (ainda) mais bucólicas.

 

O santuário de Covadonga fica a apenas 11 km e é o próximo local a visitar. A capela dedicada à Virgem, que é a padroeira das Astúrias há mais de 1300 anos, está situada numa gruta escavada na rocha e aberta para o exterior, por baixo da qual surge uma cascata.

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O complexo inclui um museu, jardins e uma grandiosa basílica, que data do séc. XIX e se destaca, com a sua cor alaranjada e telhados vermelhos, no meio da vegetação abundante.

 

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Sempre subindo a montanha, uma dúzia de quilómetros depois vão encontrar os lagos Enol e Ercina, fantásticos espelhos de água no meio de extensos prados verdes, onde não será invulgar um encontro imediato com algum grupo de vacas que por ali ande em busca de pasto.

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Regressem pelo mesmo caminho até encontrarem, um pouco antes de Cangas de Onís, a estrada para Arenas de Cabrales, que fica a menos de 50 km de distância. Arenas ou Poncebos, cerca de 5 km mais à frente, têm uma vasta oferta de alojamento e são ideais como base para descobrir esta vertente dos Picos da Europa.

 

Estão a gostar do roteiro? A próxima parte ainda vai ser melhor, acreditem. A conhecer num próximo post.

 

(Artigo publicado no n.º3 da revista digital INOMINÁVEL e aqui.)