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Viajar. Porque sim.

Paixão por viagens, escrita e fotografia

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Os Passadiços do Paiva

O rio Paiva era até há pouco tempo mais conhecido por ser um rio excelente para a prática do rafting ou da canoagem em águas bravas. Mas no ano passado passou a estar na ribalta por outro motivo: a abertura dos Passadiços do Paiva.

 

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Os Passadiços são uma obra de engenharia excepcional. Construídos em madeira, estendem-se ao longo de mais de 8 km pela margem esquerda do rio Paiva, encontrando-se uma das extremidades na praia fluvial do Areinho e a outra na localidade de Espiunca, ambas no concelho de Arouca.

 

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Depois do grande incêndio que assolou a região em Setembro do ano passado e destruiu cerca de 600 metros do percurso, os Passadiços reabriram ao público em Fevereiro deste ano, e passaram a ser pagos. O bilhete custa apenas 1€, valor quase simbólico, e pode ser comprado online no site oficial (onde de resto também se encontram todas as informações necessárias sobre o percurso). É ainda possível adquirir bilhetes na loja interactiva de turismo de Arouca ou na praia fluvial do Areinho, mas esta opção está sujeita à disponibilidade diária de visitas (3500 pessoas no máximo) e o valor do ingresso terá um custo acrescido.

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Em cada extremo dos Passadiços existe um parque de estacionamento (nenhum deles muito grande). Também há acesso a instalações sanitárias e locais onde comer, principalmente em Espiunca. Durante o percurso não há fontes de água nem qualquer outro tipo de apoio, por isso é bom que se previnam e abasteçam antes de começar, sobretudo se estiver muito calor.

 

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Mas vamos ao percurso. Sendo na sua maioria pouco exigente fisicamente, na extremidade do lado da praia do Areinho, junto à ponte de Alvarenga, existe uma enorme elevação que obriga a uma subida difícil, tanto num sentido como no outro. No entanto, a subida é bastante maior quando se faz o percurso no sentido Espiunca-Areinho (450 degraus, contra “apenas” 310 no sentido inverso), razão pela qual se aconselha quem só vai fazer o percurso num sentido a começá-lo precisamente no Areinho. No entanto, se a intenção for percorrer os Passadiços nos dois sentidos, então a opção inversa será a mais acertada, para não sermos obrigados a enfrentar a subida mais íngreme quase no final, quando o corpo já grita por descanso. Por todos estes motivos, o percurso não é aconselhável a quem não esteja em boa forma física ou tenha dificuldades de mobilidade, ou vá com crianças muito pequenas. Se mesmo assim quiserem passear pelos Passadiços sem terem de enfrentar as partes mais duras, a minha sugestão é que comecem na Espiunca e vão no máximo até à praia do Vau, que fica sensivelmente a 4 km, voltando depois para trás. Para terem uma ideia mais aproximada do percurso e das suas dificuldades, sigam este link.

 

 

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O quilómetro 0 está assinalado ao pé do estacionamento da praia do Areinho, e umas centenas de metros mais à frente encontramos a estrada que passa sobre a ponte romana de Alvarenga, uma ponte do séc. II constituída por um só arco, com 30 metros de altura e 20 de largura no seu vão. É aqui que têm início os 310 degraus que permitem ascender, quase de uma assentada, a mais 100 metros de altura, onde chegamos obviamente já de língua de fora. Mas o cansaço é compensado pela vista soberba que se tem lá do alto, com a estrada cinzenta e sinuosa lá em baixo e o rio a correr no meio.

 

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O percurso continua depois num pequeno troço de terra batida, também a subir, até chegarmos ao posto de controlo dos bilhetes. A paragem seguinte é no miradouro da Cascata das Aguieiras, mas aqui o que nos faz perder o fôlego é a paisagem que nos rodeia quase completamente, com as águas brancas da cascata a escorrerem em socalcos pela encosta rochosa do outro lado do rio.

 

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Começa aqui a descida mais extensa, com o passadiço a ziguezaguear pela vertente abaixo, degrau após degrau. Cruzamo-nos com quem está quase a terminar o percurso no sentido inverso, na sua maioria pessoas com ar de quem não está a achar fácil a experiência. O passadiço de madeira continua depois a estender-se pela encosta, um pouco acima do rio, até se perder de vista numa curva do caminho, lá muito à frente.

 

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A partir daqui o caminho é substancialmente a direito e fácil de percorrer. Se no ano passado, devido à vegetação densa, grande parte do percurso do rio não era visível a partir dos Passadiços, este ano a situação é bem diferente, pois uma parte da vegetação foi queimada no incêndio – e as marcas estão bem visíveis nalguns pontos, apesar de alguma já ter crescido entretanto e estar tudo muito verde devido às chuvas abundantes que têm caído.

 

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A praia do Vau, mais ou menos a meio do caminho, é outro dos pontos de paragem obrigatória, e a sua ponte suspensa dá ao local um charme irresistível. Percorrê-la é ter a sensação de estar num filme de aventuras, e a perspectiva que se nos oferece do rio é totalmente diferente. Quando está calor, este é o sítio ideal para tomar um belo banho naquele que é considerado um dos rios mais limpos da Europa.

 

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Mais à frente, percorridos já cerca de 6,5 km, o miradouro sobre o Salto do Paiva é local privilegiado para observar aquele que é considerado o ponto mais perigoso do rio – e certamente também o mais impressionante, com a água revolta e branca de espuma precipitando-se entre as rochas negras.

 

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Espiunca, no extremo norte do percurso, também tem uma praia fluvial e várias infra-estruturas de apoio a quem visita a região. Se tiverem optado por deixar o carro no Areinho e não quiserem fazer o caminho inverso, ou já não tiverem tempo (os Passadiços encerram às 17h na época baixa e às 20h de Abril a Outubro, e o tempo total para percorrê-los, sem paragens, é no mínimo 2 horas e meia), é possível apanhar um táxi (na altura em que escrevo este post, o preço que cobram ronda os 15€) ou então um autocarro da Transdev que liga de hora a hora Espiunca a Arouca, passando pelo Areinho (entre Outubro e Maio, apenas aos fins-de-semana), e cujo bilhete custa 2€.

 

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O passeio pela região pode ainda ser completado com uma visita a Arouca e ao seu mosteiro, monumento nacional com origens no séc. X, ainda antes da fundação de Portugal.

 

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E depois de tanto exercício físico, para repor a energia gasta nada melhor do que uma boa refeição. A carne de vaca arouquesa é famosa pelo seu carácter tenro e saboroso, tanto assada como nos famosos bifes de Alvarenga. Mesmo a seguir ao Mosteiro, o Café Arouquense é um dos sítios onde se come bem sem danificar a conta bancária. Além de bons bifes (consta que as francesinhas também são excelentes), dão-nos a oportunidade de beber um dos melhores vinhos verdes que já provei até hoje, mas que infelizmente ainda não consegui encontrar à venda: o Vale d’Arouca, um verde branco desta região que tem apenas 10% de teor alcoólico (quase um sumo…). Para sobremesa, uma fatia do famoso pão-de-ló húmido de Arouca, tão grande que dá para satisfazer a gulodice a mais do que uma pessoa.

 

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Se dispuserem de mais tempo, o geoparque de Arouca oferece nada mais nada menos do que 41 geossítios dignos de visita, sendo que quatro deles têm importância internacional, com especial destaque para a cascata da Frecha da Mizarela, o museu das Trilobites ou o centro interpretativo das Pedras Parideiras (mais informações em http://www.geoparquearouca.com/?p=geoparque&sp=osgeossitios).

 

E se as minhas fotografias não foram suficientes para vos deixar cheiinhos de vontade de visitar os Passadiços do Paiva, aqui está o vídeo oficial:

 

 

 

 

Agora que o bom tempo está para breve, porque não aproveitar um fim-de-semana para passear por aqui?

 

 

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