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Viajar. Porque sim.

Paixão por viagens, escrita e fotografia

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Na ilha das Flores - parte VI

 

Embora menos espectacular do que a sua congénere do ponto cardeal oposto, a costa leste da ilha das Flores tem uma beleza própria, e a estrada que percorre a costa entre Santa Cruz e o extremo norte da ilha é mais um passeio obrigatório.

 

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Logo depois de passar Fazenda de Santa Cruz a primeira paragem é no Miradouro dos Caimbros, de onde se tem uma vista desafogada sobre a baía da Alagoa e os seus ilhéus inconfundíveis, e também um primeiro vislumbre da ilha do Corvo, muito ao longe, disfarçada por entre as nuvens baixas.

 

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Meia dúzia de quilómetros mais à frente, em Cedros, novo miradouro e nova paragem. Daqui é possível ver uma bela parte da costa leste da ilha, com Santa Cruz para o lado direito e os ilhéus Garajau e de Álvaro Rodrigues para a esquerda, e com o Corvo sempre no horizonte longínquo.

 

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Entre os Cedros e a localidade de Ponta Ruiva é possível fazer um percurso pedestre (não circular) de 3,7 km, que tem um dos seus extremos na Igreja dos Cedros e o outro no Espírito Santo de Ponta Ruiva. Já para os menos afoitos, ou para quem esteja apertado de tempo, a partir da estrada basta descer um pouco para chegar a um miradouro que oferece uma belíssima panorâmica para o original Ilhéu Furado.

 

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Ponta Delgada

De Cedros até Ponta Delgada (o nome é o mesmo, mas nada mais tem em comum com a cidade homónima de São Miguel, tirando o facto de serem ambas em ilhas açorianas) é mais uma dúzia de quilómetros. Na baía com o mesmo nome, relativamente abrigada, foi construído um pequeno porto que tem ar de servir também como uma espécie de zona de lazer – cá em cima há um belíssimo e bem arranjado parque de merendas, com um parque infantil e um amplo estacionamento mesmo ao lado; e lá em baixo, sobre a água, havia quem se atrevesse a praticar equilibrismo (com um sucesso relativo...) numa corda estendida entre duas extremidades do pontão.

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Localizada numa zona muito fértil e irrigada e dispondo de um porto abrigado, não admira que Ponta Delgada tenha sido uma das primeiras zonas das Flores a ser povoada. Existem documentos que apontam para que tenha começado a ser habitada ainda no séc. XVI. Cem anos depois teria cerca de 650 habitantes, e em meados do séc. XIX mais de 1250. A partir dessa altura a população da localidade começou a decair aceleradamente, sobretudo devido à emigração para a América do Norte e à deslocação interna de residentes para localidades mais a sul, e hoje em dia o número de habitantes é inferior a 400.

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No entanto, esta terra pacata tem dois enormes trunfos, qualquer deles por si só merecedor da deslocação. O primeiro é especialmente dedicado a quem gosta de comer bem, e chama-se “O Pescador”. Consta que é o melhor restaurante da ilha, e eu tendo a concordar, embora a minha opinião não seja das mais abalizadas porque não os conheci todos. Mas que se come lá muito bem, disso não tenham dúvidas. As lapas são de comer e chorar por mais e o peixe é fresquíssimo e bem cozinhado. O restaurante é simples e despretensioso mas agradável, com decoração nas paredes alusiva ao nome, e o dono é uma simpatia – como praticamente toda a gente com quem nos cruzámos na ilha, note-se.

 

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Ponta do Albarnaz

Três quilómetros para leste de Ponta Delgada fica a segunda grande razão para irmos até ao norte da ilha: o emblemático Farol do Albarnaz. Encavalitado sobre a falésia, isolado no meio de uma enorme extensão de pastos verdejantes, com a torre encarnada a destacar-se contra o azul-cinza do mar e do céu, parece um guardião do fim do mundo. Começou a funcionar em 1925 e orienta a navegação em toda a costa noroeste da ilha, sendo visível até ao Corvo.

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Dizer que a Ponta do Albarnaz é ventosa é dizer pouco – fora do carro parece que o diabo anda à solta. Quem não aparenta incomodar-se com isso são as vacas. Nem com isso, nem connosco, pois apenas uma ou outra se dignou dirigir-nos um olhar vagamente curioso, para de seguida voltar as suas atenções para a erva. À nossa volta, sobre as colinas suaves, estendiam-se pastagens a perder de vista, em concorrência directa com o mar infinito, e eu pensei que durante a sua (provavelmente curta) vida aquelas vacas devem ser mesmo felizes.

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Em franco contraste com a indiferença a que as vacas nos votaram, quando de regresso a Ponta Delgada parámos ao pé do pequeno parque de merendas junto à Ribeira do Moinho, de imediato vieram ter connosco os patos e galinhas que por ali andam à solta. O lugar é bonito e estava mesmo a pedir um piquenique, mas para azar dos bicharocos nós não tínhamos nada que pudesse servir-lhes de refeição. Ainda retenho na memória os quacs reprovadores que nos lançaram ao perceberem que não íamos satisfazer-lhes a gulodice.

 

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Ao todo, foram praticamente quatro os dias que passei nas Flores. Dias suficientes para me aperceber de como a ilha é linda, mas que não chegaram para conhecer tudo o que ela tem para oferecer. Não faz mal, eu não me importo. Em todos os lugares, gosto de ficar sempre com qualquer coisa por ver – porque assim tenho uma boa desculpa para voltar.

 

 

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