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Viajar. Porque sim.

Paixão por viagens, escrita e fotografia

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ILHAS GREGAS para todos os gostos

Para quem acha que as ilhas gregas se resumem a Santorini, Mikonos e Creta e que a melhor maneira de as visitar é em cruzeiro, aqui fica um aviso à navegação: na Grécia há um admirável mundo de pérolas que as agências de viagem parecem desconhecer e que vale absolutamente a pena visitar e explorar. Afinal, são quase 1400 ilhas, das quais 227 habitadas, embora apenas 78 tenham mais de 100 habitantes. Suficientes para muitas e boas descobertas.

Segundo aviso: viajar nas ilhas gregas é uma agradável surpresa. Falo por mim, que há poucos meses não tinha a Grécia como destino preferencial de viagem e agora estou ansiosa por lá voltar. Embora tenha visitado poucas ilhas – afinal, foram apenas 12 dias… – vim de lá completamente rendida ao encanto daquelas paisagens meio áridas cheias de casas brancas, de igrejas também brancas com cúpulas azul-vivo, de areias de várias cores e águas em tons turquesa e esmeralda. E rendida também à simpatia e ao profissionalismo dos gregos, e à excelente cozinha típica (e não só) que oferecem em todo o lado, a preços absolutamente acessíveis.

O principal senão de viajar até à Grécia sem ser em pacote de viagem comprado numa agência (porque o leque de escolhas que as agências oferecem é reduzido e dispendioso) é a ausência de voos directos entre Lisboa e Atenas. É sempre preciso fazer escala em qualquer cidade pelo meio, o que aumenta para 9 ou 10 horas no mínimo uma viagem que se faria normalmente em não mais do que 5 horas. De onde resulta que é quase uma impossibilidade conseguir chegar a uma ilha grega sem ter de ficar uma noite em Atenas (ou noutra cidade) – embora nalguns casos, e nalgumas datas, seja possível fazer de noite a viagem de ferry até à ilha escolhida. No entanto, qualquer que seja a opção, é um pequeno sacrifício facilmente esquecido assim que chegamos ao nosso destino.

Com tantas ilhas, a tarefa mais difícil é mesmo escolher qual delas visitar primeiro. A minha sugestão é eleger uma que tenha ligações diárias ao Pireu ou a Rafina (os portos mais perto de Atenas) e depois visitar outras ilhas que estejam geograficamente próximas. Uma boa opção são as Cíclades, um arquipélago com mais de 200 ilhas no Mar Egeu onde encontramos provavelmente as características mais típicas das ilhas gregas distribuídas pela maior variedade de paisagens.

É nas Cíclades que se incluem Santorini, Mikonos e Naxos (a ilha com maior área). De cada uma destas três ilhas é possível chegar a pelo menos oito outras ilhas habitadas do arquipélago, o que oferece uma imensa gama de possibilidades de escolha.

Como aperitivo, aqui ficam fotografias e um breve resumo sobre algumas delas.

 

SANTORINI

 
 

Na verdade, a ilha que conhecemos como Santorini chama-se Fira. É uma ilha em forma de crescente lunar e a maior do pequeno arquipélago que sobrou de uma enorme erupção vulcânica ocorrida há cerca de 3500 anos. A lagoa que banha a costa ocidental da ilha esconde a 400 metros de profundidade a cratera do vulcão original. A cidade de Fira, a capital, é uma vertigem de branco e azul encarrapitada nos penhascos 300 metros acima do mar. Disputa o lugar de cidade mais visitada e fotografada com Oia (lê-se Ía), situada no extremo noroeste da ilha, famosa pelo seu pôr-do-sol, que todos os dias atrai centenas e centenas de turistas ansiosos por encontrarem o melhor lugar para assistirem ao espectáculo gratuitamente proporcionado pela mãe-natureza. Do arquipélago fazem ainda parte as ilhas de Thirasía, Nea Kameni e Palea Kameni, e o ilhéu Aspronisi.

 

THIRASÍA

 

NEA KAMENI

 

NAXOS

  

É a maior ilha das Cíclades e uma das mais populares em termos de turismo. Com uma geografia acidentada de grandes elevações e vales profundos, Naxos é dona de uma herança arqueológica que data da pré-história, de uma arquitectura própria modelada pelos hábitos culturais de diferentes povos, e de inúmeras praias de todos os géneros, desde as mais familiares ou ideais para a prática de desportos náuticos, até às mais resguardadas e românticas, perfeitas para descansar longe das multidões.

 

PAROS

 

Ilha montanhosa, onde o Monte Marpissa atinge os 724 metros de altura, Paros tem um lugar importante na História principalmente devido às suas pedreiras de mármore, de onde na Antiguidade se extraiu a pedra para muitas esculturas e construções. A ilha tem excelentes infra-estruturas turísticas e boas praias e, sendo bastante ventosa, é particularmente procurada para a prática da vela e do windsurf. Vilarejos com casas caiadas de branco e ruazinhas estreitas, igrejas, ruínas e típicos portos de pesca compõem o tradicional quadro de ilha grega a que Paros também não foge.

 

IOS

 

Ios tem a fama de ser uma ilha vocacionada para o turismo jovem, onde a animação e o desassossego são constantes – e isto até pode ser verdade nos meses de Julho e Agosto. Mas esta ideia divulgada de Ios não podia ser mais redutora. É uma ilha pequena mas cheia de encanto, que possui uma mão cheia de óptimas praias e o impressionante número de 365 igrejas e capelas, muitas delas concentradas em Hora, a capital, uma vilazinha que é simultaneamente típica e cosmopolita.

 

MILOS

 

O melhor adjectivo para descrever Milos é “diferente” – e são os próprios gregos que o dizem. Geologicamente distinta das outras ilhas cicládicas, devido à sua origem vulcânica, oferece a quem a visita uma paleta de paisagens muito variadas e cheias de beleza, formações rochosas únicas e uma miríade de tons de água. Habitada desde há 12000 anos, foi aqui encontrada a famosa Vénus de Milo, e uma das principais atracções da ilha são as Catacumbas cristãs de Trípiti, entre outros vestígios arqueológicos igualmente importantes. Fica em Milos aquela que é provavelmente a praia mais original das Cíclades, e uma das mais bonitas do mundo – a praia calcária de Sarakíniko.

 

SERIFOS

 

Serifos é uma ilha pacata com apenas cerca de 1500 habitantes fixos, mas que pode orgulhar-se de ter uma das mais bonitas Hora (“aldeia” em grego, sendo actualmente o nome dado à capital de várias ilhas) das Cíclades e, além disso, nada mais, nada menos do que 72 praias. A de Psili Ammos é a mais famosa e considerada uma das melhores da Europa. A ilha desenvolveu-se no final do séc. XIX devido à exploração mineira dos seus extensos depósitos de ferro, mas as minas foram encerradas nos anos 60 do século passado, sendo o turismo e alguma agricultura as suas principais actividades económicas nos dias de hoje.

 

SIFNOS

 

A montanhosa Sifnos é visualmente surpreendente e distinta da maioria das outras ilhas. Sossegada e familiar, tem uma variedade de praias de areia branca, de pedrinhas ou rochosas, algumas delas com bandeira azul. Uma das melhores é Kamares e, por mais estranho que pareça, é também o porto principal da ilha. Apesar disso, é uma praia com águas límpidas e um extenso areal bem cuidado, resultado visível do facto de a ilha ter sido a primeira, há já muitos anos, a ligar os seus esgotos a um sistema de tratamento de águas residuais. A ilha é também conhecida por ser, nas Cíclades, aquela onde se come melhor.