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Viajar. Porque sim.

Paixão por viagens, escrita e fotografia

Viajar. Porque sim.

Paixão por viagens, escrita e fotografia

Diário de uma viagem à Costa Rica X

 

Dia 10

 

Acordámos cedo, o quarto inundado pela luz exterior e pelos gritos dos macacos-uivadores. No muro por detrás da janela da casa de banho, uma iguana aproveitava os raios de sol matinais para se aquecer.

 

 

Um curto passeio, um pequeno-almoço reforçado no restaurante, e eis-nos a caminho da praia. San Juanillo tem três ruas, quatro dúzias de casas de madeira, uma espécie de campo de futebol mesmo ao lado do hotel, e uma mercearia minúscula. E tem também duas praias, pelo que chegados ao fundo da rua optámos pela que ficava para o lado direito, descendo por um caminho estreito no meio da vegetação quase cerrada.

 

No final, uma praia de sonho, daquelas que pensamos só existirem nos filmes. Uma meia lua de areia branca e fina delimitada por árvores e água do mais lindo azul, quase sem ondulação – ao fundo, uma barreira de rochedos acalma as vagas, que vêm rebentar de mansinho aos nossos pés. Ainda era cedo e a praia estava praticamente deserta, somente meia dúzia de pessoas abrigadas à sombra das árvores, tal como nós, que o sol já queimava. Fechei os olhos, concentrando-me no barulho suave do mar, apenas cortado por alguns risos de crianças, e senti o cheiro salgado dos moluscos e caranguejos escondidos nas rochas e das flores brancas que despontavam numa árvore ali ao lado. Dolce far niente

 

 

Mas a temperatura amena da água chamou por mim e pela primeira vez na minha vida mergulhei no Oceano Pacífico. A água quase parecia fria, por contraste com o calor abafado do exterior, mas foi só a primeira impressão. De regresso à toalha, notei que tínhamos mais companhia. Num ramo de árvore quase sem folhas que se alongava sobre a praia, uma iguana absolutamente estática fixava o horizonte, qual guardiã atenta de um segredo precioso. Que agora mais alguém já tinha descoberto. 

 

 

Mais à tarde, depois da sesta, fomos até à praia principal de San Juanillo, outra pequena baía rodeada por uma encosta arborizada com algumas casas a assomarem entre o verde. Num dos extremos, uma língua de areia entra pela água, onde termina num bloco de rochas batidas por ondas espumosas. Há meia dúzia de pequenos barcos flutuando na pequena baía e mais alguns na areia, abrigados debaixo das palmeiras. As portas turquesa de um casinhoto espreitam atrás de uma árvore de folhas vermelhas. Junto às rochas a areia é mais grossa, pejada de conchas e pequenos pedaços de coral, e caranguejos-ermitões de todos os tamanhos fazem da linha de areia uma auto-estrada particular, por onde se deslocam velozmente sobre as suas várias patas.

 

A maré baixou e o céu pintou-se de laranja a ocidente. Passeando pelas rochas, fomos até à outra praia. Estava deserta, como que reservada só para nós. Ali ficámos sentados em silêncio durante longos minutos, enquanto na tela à nossa frente se desenrolava o sempre maravilhoso filme do pôr-do-sol, em que um disco rosado descendo por detrás de farrapos de nuvens cinzentas mergulhava lentamente nas águas tranquilas do Pacífico. E foi então que eu tive a certeza de que, afinal, o paraíso ainda existe.