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Viajar. Porque sim.

Paixão por viagens, escrita e fotografia

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A outra face de Ios - Parte 1

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Ios é uma ilha pequena do mar Egeu, com cerca de 18 km de comprimento e 10 km de largura, que faz parte do arquipélago das Cíclades e se situa sensivelmente a meio caminho entre as ilhas de Naxos e Paros, a norte, e Santorini, a sul. É uma ilha essencialmente montanhosa e pobre em vegetação, mas orgulha-se de contar com 30 praias e 365 igrejas e capelas – uma para cada dia do ano.

Desde os anos 70 que a ilha é maioritariamente frequentada por turistas jovens, sobretudo em Julho e Agosto, atraídos pela animada vida nocturna de Hora, a capital da ilha, e pela badalada praia de Milopótas. Nestes meses Ios é assim como que a Ibiza das ilhas gregas: à noite, as ruas de Hora enchem-se de gente alegre e barulhenta, os bares e discotecas debitam música de todos os tipos, e a vila transforma-se no pano de fundo de uma enorme festa que dura até de manhã. O ambiente serena até ao início da tarde, quando a praia de Milopótas se enche de grupos de jovens e passa a ser palco para actividades aquáticas e animações variadas, a maioria delas da responsabilidade do Far Out Beach Club, localizado na extremidade leste da praia.

Contudo, fora da época alta de Verão Ios revela-se uma ilha óptima para passear, comer bem e apanhar sol – em suma, para umas férias descansadas.

Foi no pequeno e lendário ferry “Express Skopelitis” que chegámos a Ios no início de uma tarde ventosa de Junho, cerca de duas horas depois de termos saído de Santorini. Passava pouco da hora de almoço e tínhamos à nossa espera Maria, a dona do hotel onde íamos ficar instaladas. Tanto quanto percebi, nas ilhas gregas é normal cada hotel providenciar o transfer dos seus hóspedes de e para o porto (ou aeroporto, nas poucas ilhas que o têm) sem qualquer custo extra. E este é apenas um dos muitos “mimos” com que os gregos cativam quem os visita.

Do porto ao nosso destino foram menos de dez minutos de carro. O Hotel Katerina fica estrategicamente situado num ponto acima da estrada que liga Hora à praia de Milopótas, e apesar de ter sido simplesmente reservado pela Internet, a escolha foi sem qualquer dúvida a mais acertada que poderíamos ter feito. De traça tradicional, dentro do estilo cicládico, é um complexo de pequenos edifícios brancos dispostos em vários níveis, ligados por escadinhas e muros construídos em pedra local. Cravado na encosta e orientado para sueste, o hotel proporciona vistas deslumbrantes, acomodações confortáveis e um ambiente descontraído, convidando ao relaxamento.

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O quarto que nos atribuíram situava-se num bloco independente e era bastante grande, com duas camas individuais e ainda uma terceira, mais pequena, que funcionava também como sofá. Chão de mosaico, móveis de estilo rústico em madeira escura, e uma casa-de-banho moderna e imaculadamente limpa com uma janela alta para o exterior, cabina de duche e toalhas brancas e felpudas, os frasquinhos de gel de banho e champô simpaticamente colocados num suporte atractivo.

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Todos os quartos têm varanda com pérgula, e uma mesa e cadeiras em madeira. E foi precisamente quando saímos para a varanda que tivemos a surpresa mais agradável do dia. Por baixo de nós, o azul da piscina do hotel, e mais abaixo, estendendo-se a perder de vista, o turquesa profundo do mar Egeu. Olhando para a esquerda víamos toda a baía da praia de Milopótas, com o seu areal claro pontilhado de chapéus-de-sol em colmo e camas balinesas, a estrada marginal ladeada de pequenas construções, e um anfiteatro de montes sarapintados de castanho e verde servindo de paisagem de fundo à baía. Ficámos de imediato rendidas ao encanto do local.

 

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Para nossa sorte, o “meltemi” – um vento forte que sopra de Norte no mar Egeu durante o Verão – começou a abrandar e depois de um curto descanso fomos ao encontro da praia. Seguindo o conselho da Maria, percorrida cerca de uma centena de metros da estrada principal desviámos à direita para um atalho irregular e muito íngreme, parte dele uma infinidade de degraus meio escavacados, que nos levou directamente ao início da praia, poupando-nos assim cerca de quinhentos metros de curvas e contracurvas. Descida a última rampa, a praia surgiu à nossa frente, um quarto minguante de areia clara desdobrando-se por mais de um quilómetro de comprimento, o mar tranquilo enchendo a paisagem do lado direito até ao horizonte. Sendo o princípio de Junho, e apesar de se notar bastante animação na zona sul do areal, havia pouca gente na praia e pudemos gozar calmamente o sol morno do fim da tarde.

Por volta das seis horas estávamos esfaimadas e decidimos ir comer qualquer coisa ao Elpis, que nos tinha sido recomendado pela Maria e ficava precisamente junto ao extremo do atalho por onde tínhamos descido para a praia. O restaurante tem uma grande varanda coberta, um dos lados abertos oferecendo uma soberba vista da baía. Apesar de ainda ser cedo, serviam-nos o que quiséssemos e por isso optámos por jantar.

A cozinha típica grega é bastante rica e absorveu ao longo dos séculos as mais variadas influências. De cariz tipicamente mediterrâneo, em certos aspectos não difere muito da portuguesa, principalmente porque recorrem de igual modo ao uso do azeite, alho, tomate e cebola como base de muitos dos seus cozinhados. A carne e o peixe são omnipresentes, na maioria das vezes misturados com legumes. Um dos pratos onde é nítida a influência de outros países, neste caso a Itália, é o “pastitsio”, uma das nossas escolhas para o jantar, e que consiste numa espécie de empadão feito com camadas de macarronete alternando com carne picada misturada com molho de tomate, com uma capa de molho branco por cima. Outro dos pratos que pedimos no Elpis foi um estufado de carne de vaca com batatas, em tudo semelhante aos nossos estufados e igualmente apetitoso. A diferença nos sabores da comida nota-se sobretudo ao nível dos condimentos, que na Grécia são mais adocicados do que no nosso país, pois fazem muito uso da noz-moscada, da canela, do anis e do alecrim, entre outros, para temperarem os cozinhados.

As calorias que ingerimos foram em grande parte gastas no regresso ao hotel pelo mesmo atalho que tínhamos percorrido na ida para a praia, só de desta vez a subir… e a subida parecia nunca mais acabar. Felizmente, ao chegar à estrada tivemos novamente como recompensa aquela maravilhosa paisagem cheia de azul. Um pouco mais acima há uma pequena capela completamente branca que faz as vezes de miradouro. E continuando a subir, uns quantos corvos bicolor pousados nas árvores ao lado do caminho, grandes e barulhentos, quebravam o sossego da tarde.

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Chegadas ao hotel e com alguma relutância em ir para o quarto, ainda nos demorámos pela zona da piscina a aproveitar os últimos raios de sol, a tirar fotografias e a conversar, que as férias foram feitas precisamente para nos esquecermos de horários e obrigações.

À noite decidimos ir até Hora, em busca da célebre animação da ilha. Mas isso vou deixar para o próximo post.

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