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Viajar. Porque sim.

Paixão por viagens, escrita e fotografia

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A anta-capela de São Brissos

 

O nosso Alentejo é uma região riquíssima no que toca a vestígios pré-históricos, a maioria deles já felizmente bem assinalados e alguns bem recuperados. Outros chegaram aos nossos dias tendo passado por algumas transformações, e entre estes as antas-capelas são um dos muitos exemplos que mostram a forma como a religião cristã adaptou em seu benefício as tradições pagãs. A anta-capela de São Brissos é um destes casos.

 

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Isolada, com um ar meio perdido junto à entrada para um couto de caça, passa facilmente despercebida a quem não está com atenção suficiente, sobretudo quando se vai no sentido Escoural-São Brissos. Tem entre cinco e seis mil anos, e da anta primitiva restam alguns esteios, um dos quais está caído ao lado da capela, e parte da laje de cobertura, que foi integrada no tecto da ermida. Está pintada de branco, com uma faixa azul na base, à maneira das casas típicas alentejanas, e só é possível visitar o interior mediante marcação antecipada.

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O seu nome religioso é Capela de Nossa Senhora do Livramento, atribuído após a sua transformação e cristianização no séc. XVII, e é monumento nacional desde 1910.

 

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Até recentemente foi lugar de romaria, especialmente por alturas da Páscoa. A Senhora do Livramento está tradicionalmente associada ao parto, mas a que está nesta capela tem desempenhado também uma outra função: a de invocar as chuvas em anos de seca prolongada. E porquê? Num local cuja mística se perde nos tempos, claro que teria de haver uma lenda.

 

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São Brissos é um santo português que terá sido o segundo bispo de Évora. Supostamente martirizado pelos romanos no séc. IV d.C., existem no Alentejo várias povoações com o seu nome, e uma delas fica bem perto da anta-capela, pelo que a imagem do santo ocupa lugar de destaque na igreja da localidade.

 

Diz então a lenda que a Senhora do Livramento e São Brissos tiveram um filho, também representado na anta-capela ao colo da sua mãe. Ora sucede que o dito santo acabou por trair a mãe do seu filho com a Senhora das Neves (talvez em dia de muito calor, quem sabe, que esta Senhora devia ser mais fresquinha…) e o casal ficou de candeias às avessas para todo o sempre. Assim, quando a seca já vai longa e a chuva começa a fazer falta, os habitantes da localidade transportam a Senhora do Livramento para a igreja de São Brissos, onde a colocam de costas voltadas para o seu antigo amor. No entanto (mauzinhos!), deixam o filho na anta-capela, razão pela qual a Senhora, com saudades da criança e obrigada a estar ao pé do homem que a traiu, chora rios de lágrimas, lágrimas essas que se transformam em chuva.

 

Uma lenda ao bom gosto da nossa tão portuguesa costela trágica.

 

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E para não se perderem, aqui ficam as indicações para chegar à capela. Em Montemor-o-Novo, tomem a N2 na direcção de Alcáçovas. Em Santiago do Escoural virem à esquerda na M370 seguindo a indicação para as Grutas do Escoural, mas logo a seguir virem à direita para a CM1079 como se fossem para São Brissos. Cerca de 2,5 km depois encontram à direita uma curta estradinha de terra batida que vos leva à porta da anta-capela.

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