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Viajar. Porque sim.

Paixão por viagens, escrita e fotografia

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7 lugares quase desconhecidos em Portugal continental

 

Existem em Portugal deliciosos “segredos”, alguns mais protegidos do que outros, muitos deles ao abandono e mais ainda a precisarem de urgente recuperação, outros talvez em vias de desaparecerem. São lugares únicos, diferentes, especiais. Lugares que se cruzam inesperadamente no nosso caminho e às vezes só por isso ficamos a conhecê-los, porque deles quase não se fala e permanecem injustamente ignorados, preteridos a favor de outros lugares mais “visitáveis” ou mais glamourosos.

Estes são apenas alguns deles, meros fragmentos da nossa História e da nossa tradição. A visitar antes que desapareçam ou os tornem irreconhecíveis.

 

BAIRRO DO QUELHO, SALZEDAS

 

Atravessando a rua em frente ao Mosteiro de Salzedas encontramos uma das maiores surpresas que eu já tive ao viajar pelo nosso país: um bairro medieval praticamente inalterado, em ruínas, com ruelas estreitinhas e labirínticas entre casas feitas de pedra e madeira com dois ou três pisos. Muitos alpendres em madeira, vários deles avançando sobre as ruas, unindo umas casas às outras. Deserto, silencioso, atravessá-lo é sentirmo-nos no cenário de um filme apocalíptico, ou talvez numa cidade decadente da Guerra dos Tronos.

Existe uma certa polémica em torno do Bairro do Quelho, que alguns defendem ter sido uma judiaria, teoria firmemente renegada por outros. Seja o que for, ele é o remanescente de um bairro que era nitidamente mais alargado, como o provam a maioria das casas (habitadas) nas ruas circundantes, que possuem algumas características similares.

Um bairro que é uma preciosidade do nosso património, mas para o qual não se vislumbram quaisquer esperanças de recuperação a curto prazo. Lamentavelmente.

 

 

 

CASTELO DE VIANA DO ALENTEJO

 

Na pacata vila de Viana do Alentejo, a meio caminho entre Évora e Beja, existe um castelo único no género no nosso país pela “mistura” de estilos que apresenta: gótico tardio, manuelino e mudéjar. As suas origens remontam ao reinado de D.Dinis (sécs. XIII-XIV). Tem uma planta pentagonal ligeiramente irregular, com cinco torres cónicas a fazerem lembrar os castelos medievais mais típicos da Europa central. Uma delas, a Torre da Misericórdia, é nitidamente diferente das outras e abriga o sino da igreja com o mesmo nome. No interior do Castelo, rodeada por jardins, está a belíssima igreja Matriz.

(Mais pormenores aqui)

 

 

 

ERMIDA DE NOSSA SRª DE GUADALUPE

 

A dois quilómetros de Serpa, no alto de um monte – como convém a toda a ermida que se preze – e mais propriamente na serra de S.Gens, há uma capela dedicada à Nossa Senhora de Guadalupe, também conhecida como capela do Altinho ou de S.Gens. Completamente branca no meio da paisagem verde e castanha, e com uma vista soberba sobre a planície, é um lugar tranquilo onde quase não ouvem outros sons que não os próprios da natureza, e um ponto de observação privilegiado para ver aqueles maravilhosos pores-do-sol que só o Verão alentejano nos oferece.

Presumivelmente de fundação anterior ao séc. XII, a história da ermida tem ligações à batalha do Salado e talvez também a Cristóvão Colombo, sendo uma possível razão para o nome que o navegador deu a um dos territórios que descobriu.

 

 

 

ESCAROUPIM

 

O Escaroupim é uma aldeia avieira situada à beira-Tejo, perto de Salvaterra de Magos. Nestas aldeias, as casas eram construídas sobre estacas para evitar que fossem inundadas durante as cheias frequentes do rio, e pintavam-nas de cores vivas, as mesmas cores do barco que pertencia ao seu dono. Hoje subsistem algumas dessas casas, restauradas e agora dedicadas ao comércio. O cais palafítico, também renovado, abriga os barcos dos pescadores ainda activos, e foram construídos mais alguns cais onde atracam as embarcações protegidas com toldos que se dedicam a levar grupos de pessoas em passeio pelas ilhas do Tejo. Foi criado um museu destinado a preservar e divulgar a memória da aldeia. Há um parque de merendas, lugares para estacionar, e um restaurante excelente que enche facilmente no Verão ao fim-de-semana.

 

 

 

MOINHOS DE GAVINHOS

 

São catorze os moinhos que se perfilam no alto da serra junto à aldeia de Gavinhos, ali para os lados de Penacova e do Lorvão. Apenas um deles trabalha de vez em quando, encontrando-se todos eles em vários estágios de degradação ou recuperação, vigiados pelo olhar atento da estátua religiosa do Imaculado Coração de Maria.

A vista é soberba e o vento constante, como que a pedir velas que possa fazer rodar.

 

 

 

PRAIA DA TOCHA

 

Antiga aldeia de pescadores no concelho de Cantanhede e perto da Figueira da Foz, a praia da Tocha tem, além da belíssima e longa praia que lhe dá o nome, um curioso núcleo habitacional formado pelos antigos palheiros onde eram guardados em tempos idos os materiais da actividade dos pescadores, ou que serviam de armazém para a salga do peixe. Hoje têm uma nova vida e são essencialmente recuperados para servirem como casas de férias, mas mantêm os seus traços e materiais originais, e muitos deles os seus padrões genuínos com riscas fininhas em duas cores, em contraste alegre com o tom quase branco da areia.

A designação de “palheiros” vem do facto de originariamente os telhados destas casas serem feitos de palha. Nos nossos dias, a palha deu lugar às telhas, mas o nome permanece.

 

 

 

TORRE DE CENTUM CELLAS

 

Um dos monumentos mais estranhos do nosso país, até aos anos 90 permaneceu desconhecida a origem desta torre em ruínas que se avista junto a uma das estradas na periferia de Belmonte. Sabe-se hoje que terá sido uma vila romana do séc. I d.C., propriedade de uma família que se dedicaria à exploração agrícola e de estanho, à época abundante nesta região. Há vestígios de outras construções no local, mas apenas a Torre permanece nos nossos dias orgulhosamente de pé, com a sua configuração única e facilmente reconhecível, guardadora dos segredos e mistérios dos seus dias áureos.

 

 

 

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