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Viajar. Porque sim.

Paixão por viagens, escrita e fotografia

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A nascente do Almonda

 

É na Serra de Aire que nasce o rio Almonda, mais conhecido por atravessar, meia dúzia de quilómetros mais à frente, a cidade de Torres Novas.

 

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A gruta onde o Almonda nasce tem mais de 10 km e é a maior rede cársica conhecida em Portugal, incontornável para os amantes da espeleologia.

 

Mas é na localidade a que deu o nome, por detrás da antiga fábrica da Renova, que o Almonda vê a luz do dia – e se deixa observar a céu aberto.

 

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A zona está praticamente ao abandono e não é fácil dar com o local. Em Almonda, há que seguir pela estrada até encontrar uma placa com a indicação de “Moinho da Fonte” para a esquerda. Poucas centenas de metros à frente aparece a antiga fábrica, e a partir daí o caminho tem de ser feito a pé por um percurso de terra batida que passa mesmo junto ao edifício, do lado direito, depois por uma casa em ruínas e subindo por um carreiro estreito na direcção da parte de trás da fábrica.

 

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À chegada, saúdam-nos uma placa velha com um cartaz informativo quase totalmente descolado e o ruído de água a cair em cachão. Só depois, no meio das árvores, é que temos o primeiro vislumbre do rio, uma massa de espuma branca entre o verde. A nascente é um enorme espelho de água escura e parada que se precipita ruidosamente por calhas de pedra construídas por mão humana. Em volta há rocha musguenta e a vegetação típica dos lugares sombrios.

 

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Estranhamente, a alta parede do edifício da fábrica que dá para a nascente, e por baixo da qual a água segue o seu caminho, tem afixado um enormíssimo cartaz com figuras de pessoas em tons desbotados – publicidade antiga que ali permanece até hoje, rodeada pelas paredes bolorentas e com tinta a cair, incongruente naquele lugar bucólico mas dando-lhe no entanto uma outra dimensão, uma certa atmosfera de surrealidade, e ao mesmo tempo alguma humanidade.

 

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O acesso ao espelho de água está vedado por um gradeamento de metal pintado em que a ferrugem vai ganhando lugar, com um portão firmemente fechado onde uma placa avisa para o perigo de afogamento.

 

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Apesar do aspecto desolador e negligenciado do lugar, o ambiente é encantador. Há um contraste atraente entre a água absolutamente imóvel à nossa frente e o turbilhão espumoso que corre pelo declive, saltando sobre pedras lodosas, tubos e muretes; entre a vibrante vida vegetal, o movimento contínuo do rio, e o declínio flagrante das construções que rodeiam a nascente.

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Consta que existem planos da Câmara de Torres Novas para requalificar a área que rodeia a nascente do Almonda e dotá-la de condições para ser usufruída com qualidade e segurança. Mas são por enquanto apenas isso, planos, e não se sabe quando verão a luz do dia.

 

 

Coordenadas: 39° 50' 46” N   08° 61' 46” O

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A verdadeira ponte internacional mais pequena do mundo

 

Partilhada entre o nosso Alentejo e a Extremadura espanhola, a pequena ponte pedonal construída sobre a ribeira de Abrilongo é a ponte internacional mais pequena do mundo*.

 

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Une as localidades de Marco/El Marco, uma portuguesa e outra espanhola, mas que na realidade são uma única aldeia – com a particularidade acrescida de a língua principal de comunicação tanto do lado de cá como do lado de lá ser o português.

 

A fronteira entre Portugal e Espanha é a mais antiga da Europa – alguns limites mantêm-se inalterados desde antes da nossa fundação. Apesar da inimizade política que opôs portugueses e espanhóis mais ou menos ininterruptamente durante séculos, com resquícios até anos recentes (basta lembrar o conhecido provérbio “de Espanha, nem bom vento nem bom casamento”), a verdade é que em muitas zonas raianas este conflito latente foi sempre ignorado, com as populações locais a conviverem pacífica e colaborativamente.

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A aldeia do Marco é um desses lugares. O lado português pertence à freguesia de Esperança, concelho de Arronches (Portalegre) e o lado espanhol está situado no concelho de La Codosera (Badajoz). Com apenas a estreita ribeira de Abrilongo a dividir esta aldeia geminada, nesta área geográfica a ligação entre os dois países fez-se durante muitos anos unicamente por uma rudimentar ponte pedonal em chapa metálica com um corrimão, que por vezes era arrastada pela corrente da ribeira se ocorriam chuvas mais abundantes. Há menos de dez anos foi construída uma nova ponte com suporte metálico e tabuleiro e protecções laterais de madeira. Tem 6 metros de comprimento e 1,95 metros de largura e é de facto a ponte internacional mais pequena do mundo.

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De cada lado da ponte, os tradicionais marcos fronteiriços de pedra assinalam os limites territoriais de cada país - o português bem em destaque, o espanhol escondido no meio do mato que cresce em redor.

 

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Esta foi uma região povoada de ambos os lados da fronteira por camponeses alentejanos, o que se nota visivelmente nas características tradicionais do núcleo habitacional, com nítida predominância da influência do Alentejo mesmo no lado espanhol. E, obviamente, os casamentos mistos são frequentes. A aldeia do Marco/El Marco é bem o exemplo de que há lugares onde a união europeia começou muito antes da assinatura dos Tratados que desintegraram grande parte das fronteiras na Europa.

 

Coordenadas: 39°10'51" N   7°10'10" O

 

Com um pé em Portugal e outro em Espanha

Com um pé em Portugal e outro em Espanha

 

 

* Nalguns sítios refere-se (incorrectamente) que a ponte internacional mais pequena do mundo é a que liga dois ilhéus do Rio Saint Lawrence, um localizado no estado de Nova Iorque, EUA, e o outro no estado de Ontário, Canadá (esta ponte tem 10 metros, mais 4 do que a da ribeira de Abrilongo).

 

 

Ponte Romana de Vila Formosa

Construída no séc. I ou II d.C., a Ponte Romana de Vila Formosa ergue-se serena sobre a ribeira de Seda, escondida da vista de quem passa na N369 ali para os lados de Alter do Chão.

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Classificada como Monumento Nacional desde 1910, foi continuamente utilizada até há poucos anos para a passagem de veículos na ligação de Alter do Chão a Chança e Ponte de Sôr. Agora que a construção de um viaduto algumas centenas de metros ao lado permite que ela descanse das atribulações rodoviárias de quem usa a Nacional, o espaço que a rodeia foi adaptado como parque de merendas e o lugar está finalmente em sossego – que nem o barulho da água quebra, pois ali a ribeira é tão mansa que mais parece estar parada. Apenas se ouvem os ruídos da passarada que escolheu aquele local para seu habitat.

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É o monumento da arquitectura civil alto-imperial mais importante do nosso país e fazia parte da estrada que ligava Olisipo (Lisboa) a Augusta Emerita (Mérida), na época a capital da província romana da Lusitânia.

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Tem seis arcos idênticos que suportam um tabuleiro com cerca de 7 metros de largura e 117 metros de comprimento, plano e com grandes lajes no pavimento. A altura máxima é de 8,40 metros.

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 Coordenadas: 39°12'57.6" N 7°47'06.3" OPonte Romana de Vila Formosa 5.JPG

 

 

 

Porto Cervo, o luxo discreto

 

Quando se fala da Costa Smeralda é obrigatório falar de Porto Cervo. É a localidade mais conhecida da região, ponto de paragem obrigatório para os muito endinheirados, que ali têm à disposição tudo o que podem desejar: discrição, sossego, duas marinas com as melhores infra-estruturas, incluindo um estaleiro naval, hotéis, spas, animação nocturna e lojas com as marcas mais exclusivas. Tudo embrulhado num ambiente muito próprio, cosmopolita e ao mesmo tempo aconchegante, apanágio do verdadeiro luxo, aquele que não se ostenta e se goza calmamente.

 

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A arquitectura de Porto Cervo reflecte a estrutura típica das casas da região da Gallura, numa concepção orgânica que inclui influências gregas, espanholas e mouriscas. Por detrás das fachadas enganadoramente simples, pintadas em tonalidades de ocre e tijolo, escondem-se luxuosas casas e hotéis, entre eles alguns dos mais caros do mundo, com suites a ultrapassarem em certos casos os 30.000 dólares por noite. E é também por estas bandas que se encontram os lotes de terreno mais caros da Europa, alguns deles com preços que atingem os 300.000 euros por metro quadrado.

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Na zona comercial ao ar livre, resguardadas do calor por amplas arcadas, alinham-se estrategicamente lojas de praticamente todas as marcas de luxo, onde os preços estão ausentes das montras e por vezes dos próprios artigos – porque quem ali compra habitualmente não precisa de se preocupar com coisas tão triviais como saber se tem dinheiro suficiente para pagar isto ou aquilo.

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A sofisticação discreta de Porto Cervo poderá até enganar os mais distraídos que não conheçam a fama do lugar. Mas um passeio à noite pela marina, por exemplo, será suficiente para os acordar: numa das zonas de amarração contei nada mais, nada menos do que 24 iates com dois decks ou mais de altura – os de dimensões inferiores a esses são tantos que é impossível conseguir contá-los.

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O luxo não ostentoso e a tranquilidade do ambiente fazem de Porto Cervo um lugar cheio de charme e de visita obrigatória para quem passa férias na Costa Smeralda.

 

 

←As praias da Costa Smeralda - parte III

 

 

As praias da Costa Smeralda - parte III

 

Areia fina e quase branca e um mar azul-azul e tão tranquilo… a Costa Smeralda é por vezes comparada às Caraíbas – e fica aqui bem mais perto de nós. Estas são as minhas quatro praias favoritas.

 

#4 Porto Liscia

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Também situada na língua de areia que une a Isola dei Gabbiani ao continente, do lado oposto à praia de Porto Pollo, encontramos a praia de Porto Liscia. Maior mas apesar de tudo menos ventosa nalguns pontos do que a sua vizinha, está protegida por dunas baixas e forma uma comprida meia-lua arenosa que nunca fica muito cheia de gente. Aqui pratica-se paddling e, num dos extremos, kitesurf. Mesmo assim, é uma praia tranquila onde o mar, a terra e a vegetação se encontram em harmonia absoluta.

 

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#3 Rena Bianca

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A praia Rena Bianca, junto a Portisco, tem uma areia branquíssima e uma vista de cortar a respiração para o golfo de Cugnana, onde a visão de grandes iates e veleiros é uma constante. Além de estar bem servida de estruturas de apoio e ter um bom parque de estacionamento, é uma praia abrigada ideal para os dias em que o vento sopra um pouco mais forte. E sem dúvida uma das minhas preferidas.

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#2 Cala Capriccioli

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A Cala Capriccioli é um encanto de praia. Pequena e graciosa, com uma belíssima vista e encastrada entre grupos de rochas, tem muito espaço para estacionar e é bastante abrigada, o que a torna particularmente atractiva para os grupos familiares. Por essa razão, enche-se rapidamente de gente e nem sempre é fácil encontrar lugar para estender a toalha. Apesar disso, é uma das praias de que mais gostei, talvez pelas suas formações rochosas suaves e arredondadas, algumas emergindo no meio da água, e muito apreciadas pelos corvos-marinhos para os seus banhos de sol.

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#1 Cala Brandinchi

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A jóia da coroa das praias da Costa Smeralda é sem sombra de dúvida a Cala Brandinchi. Situada no distrito de San Teodoro, na zona do Cabo Coda Cavallo, é conhecida como “a pequena Taiti”. E na verdade, se nos abstrairmos do facto de estarmos na Europa, ficamos com a impressão de que estamos numa ilha remota e paradisíaca. Uma praia longa em forma de meia-lua, rodeada de pinheiros, com areia muito fininha e a água mais tranquila e transparente que é possível imaginar. Há parque de merendas no pinhal, ideal como abrigo nas horas mais quentes, e um snack-bar com uma enorme zona de relva e mesas protegidas por simpáticos chapéus-de-sol. O único senão é o facto de o acesso à praia ser pago (por hora de estacionamento, e não é propriamente barato). Todas as estradas de acesso são privadas e existe uma única entrada para veículos, com cancela, a cerca de quilómetro e meio de distância. E para ir a pé, o local mais próximo onde é possível estacionar fica a quase dois quilómetros. Mas é caso para dizer que vale bem a pena gastar alguns euros para passar umas horas no paraíso.

 

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O carácter quase exclusivo da Costa Smeralda durante várias décadas terá sem dúvida contribuído para a preservação do seu meio ambiente privilegiado e da sua beleza selvagem. O que prova que é possível manter o equilíbrio ambiental e a qualidade da oferta mesmo em áreas de turismo intensivo. Para desfrutarmos em pleno desta linda região e das suas praias, nem que seja apenas uma vez na vida.

 

 

Porto Cervo, o luxo discreto→

 

←As praias da Costa Smeralda - parte II

 

(Artigo publicado na Revista Inominável #4)

 

As praias da Costa Smeralda - parte II

 

Na Sardenha há praias lindíssimas ao virar de cada curva, de cada cabo, de cada recanto. Mas as da Costa Smeralda são verdadeiramente especiais, e hoje mostro-vos mais algumas.

 

#8 L’Isuledda

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A praia de l’Isuledda, na zona de San Teodoro, não é muito grande mas tem todas as características que mais agradam nas praias da Costa Smeralda: areia fina e clara, pouca agitação marítima e água muito límpida, nos mais variados tons de azul e verde. Em torno do areal, o forte contraste da vegetação mediterrânica típica, com as giestas a quebrarem a hegemonia do verde.

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#7 Piccolo Pevero

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A apenas 3km da fantástica estância de férias que dá pelo nome de Porto Cervo, a praia de Piccolo Pevero é quase uma piscina natural circundada por uma faixa larga de areia branca. Por entre a vegetação espreitam casas de férias em tons ocres e rosados, e em frente, bem no meio do azul, perfilam-se as ilhas Nibani. Uma praia pequena, aconchegante, e tranquila.

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#6 Marinella

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No centro do golfo com o mesmo nome e a 4 km de distância de Porto Rotondo, a praia Marinella é grande e concorrida. Tem vários restaurantes e lojas, bons acessos, e muita gente, sem no entanto ficar sobrelotada. Rodeada de aldeamentos turísticos e com uma pequena marina numa das extremidades, as suas águas são constantemente animadas por iates e barcos à vela, proporcionando a dose de distracção exacta para evitar qualquer tipo de tédio.

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#5 Sciumara

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À saída de Palau encontramos à direita o desvio para a praia Sciumara. Uma enseada rodeada de colinas pintadas com o verde dos pinheiros e da murta, a cor de tijolo dos telhados e o cinza das penhas rochosas, com uma vista fabulosa para as ilhas do arquipélago da Madalena – um dos cenários mais bonitos que a Costa Smeralda oferece. A areia é menos clara e ligeiramente mais grossa do que a da maioria das praias da região, mas a água é pouco profunda e deliciosa.

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Querem saber quais são as quatro praias da Costa Smeralda que ficaram no meu coração?

Vejam no próximo post. →

 

←As praias da Costa Smeralda - parte I

 

(Artigo publicado na Revista Inominável #4)

 

 

 

As praias da Costa Smeralda - parte I

A Sardenha é uma ilha belíssima no Mediterrâneo, com um clima ameno e água tépida e transparente, perfeita para umas férias na praia. No extremo nordeste da ilha a costa é muito recortada, formando um sem número de enseadas onde as rochas alternam com praias de areia clara e fininha. O príncipe Karim Aga Khan descobriu esta região nos anos 50 do século passado e apaixonou-se, tendo concebido um ambicioso projecto arquitectónico que se transformou, nos anos 70, num resort de férias privilegiado para os ricos e famosos. Deram-lhe o nome da cor da água que a banha: Costa Smeralda.

 

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A Costa Smeralda estende-se ao longo de 55 km e tem mais de 80 baías e enseadas para descobrir e aproveitar. Durante muitos anos quase exclusivamente frequentada pelo jet set internacional, tem vindo no entanto a tornar-se progressivamente mais acessível como destino de férias, com algumas companhias de aviação low cost a voarem para o aeroporto de Olbia, a cidade mais importante da região.

 

 

 

E depois há ainda a simpatia das pessoas, o profissionalismo de quem está mais do que habituado a receber visitantes dos quatro cantos do mundo, e a maravilhosa comida – ou não fosse esta uma região italiana.

 

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Entre as muitas e variadas praias da Costa Smeralda, a dificuldade está em escolher quais visitar, pois não há férias suficientemente compridas para vê-las todas. E é por isso que vos deixo aqui uma lista com aquelas de que gostei mais (estão por ordem inversa de preferência, que é para manter o suspense).

 

#12 Spiaggia dei Sassi

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Tal como o seu nome indica (sassi=seixos), é uma praia de pedrinha e areia branca. O melhor de tudo é a água, pouco profunda e quase morna. Além disso, é bastante acessível, pois fica localizada perto da glamourosa localidade de Porto Rotondo, na estrada que segue para Punta Volpe, e está circundada por um belíssimo penhasco.

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 #11 La Cinta

 

Junto à vila de San Teodoro, La Cinta é a maior praia da Costa Esmeralda, com cerca de 5 km de comprimento, e uma das mais famosas. Serve de separação entre o mar e a Lagoa de San Teodoro, que é habitada por flamingos rosa. Ideal para longos passeios a pé, e para aquelas alturas em que todas as outras praias estão cheias de gente.

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#10 Cala D’Ambra

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Apesar de ser pequena, Cala d’Ambra é uma praia simpática e abrigada, onde o mar é calmo e ligeiramente menos raso do que noutras praias da região, sendo por isso bom para nadar. O estacionamento é fácil e o acesso também, pois fica precisamente na localidade de San Teodoro e está bem assinalada.

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#9 Porto Pollo

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Percorrendo a estrada SS133 na direcção de Santa Teresa di Gallura, a poucos quilómetros de Palau encontramos a praia de Porto Pollo. Verdadeira Meca para os amantes do windsurf, aqui é possível praticar este desporto em absoluta segurança e com qualquer tipo de vento durante todo o ano, além de ter óptimas infraestruturas de apoio para o efeito: é possível alugar equipamento e ter aulas, há lojas e locais para comer. O ambiente é jovem e descontraído, e há muita animação.

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Na Costa Smeralda, o difícil é escolher...

 

 A lista continua no próximo post. →

 

 (Artigo publicado na Revista Inominável #4)

 

Croácia - diário de viagem XII - Dubrovnik e a ilha da Guerra dos Tronos

 

Aborrecimento é palavra que não rima com Dubrovnik. Em nenhum sentido. Difícil é mesmo conseguir em poucos dias ver tudo o que vale a pena visitar. Já para não dizer impossível.

 

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Com tanto para ver, há que fazer opções, e foi com este espírito que saímos para o nosso primeiro dia completo em Dubrovnik. Com o fato de banho por baixo da roupa e a toalha no saco, que os planos incluíam praia.

Mas “first things first”, e o mais importante era mesmo ver de dia o que ainda só tínhamos visto à noite: a cidade antiga.

Se à noite as ruas de Dubrovnik são animadas, de dia podem tornar-se insuportáveis – e nem consigo imaginar como será em época alta…! A cidade vive nitidamente do e para o turismo, e o turismo responde-lhe de volta com igual dedicação. Em volta da cidade antiga há carros e autocarros por todo o lado, pequenas bancas onde se anunciam excursões e passeios, e magotes de turistas, muitos deles em grandes bandos, grupos de gente rodeando guias de todas as línguas, uma babel que os nossos antepassados nunca teriam ousado imaginar. Tanta gente acaba por tornar cansativo qualquer passeio, mas o charme e a popularidade de Dubrovnik parecem manter-se imunes (pelo menos em parte) a este excesso de gente.

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Voltámos a entrar pela Porta de Pile, encimada pela estátua de São Brás, agora já sem os guardas-figurantes da noite anterior mas com muito mais movimento.

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Passámos depois por baixo das muralhas da cidade – que podem ser percorridas (desde que se pague, e não é pouco) e cuja entrada fica logo a seguir, do lado esquerdo – e encontrámo-nos na Stradun, ou Placa, a artéria principal e mais larga da cidade antiga de Dubrovnik.

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Dubrovnik, cujo nome inicial foi Ragusa, tem um passado histórico turbulento e esteve sob o domínio veneziano entre os sécs. XIII e XVI. Esta será uma das razões pelas quais na cidade antiga se nota tanto a influência renascentista italiana na arquitectura, apesar das raízes da traça serem nitidamente medievais.

Do lado esquerdo da Stradun ergue-se no início a Igreja de São Salvador, com o Mosteiro Franciscano logo a seguir. Neste Mosteiro existe um Museu e uma farmácia, a mais antiga da Europa ainda em funcionamento: abriu em 1316.

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Do lado direito, a Fonte Grande de Onófrio, que foi buscar o nome ao seu arquitecto, o italiano Onofrio della Cava. A água é abastecida pela rede pública, por isso pode ser bebida à vontade.

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Em 1667, um enorme terramoto destruiu Dubrovnik na sua quase totalidade, matando 5000 pessoas e marcando o início do declínio da cidade e da República de Ragusa. O Palácio Sponza, situado ao fundo da Stradun, do lado esquerdo, foi um dos poucos edifícios que resistiu à devastação. Abriga actualmente os arquivos históricos municipais. Ao lado do Palácio, a Torre do Relógio, um dos pontos de referência e ex libris da cidade.

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A Stradun transforma-se depois na Praça Luża, com esplanadas repletas de gente e a Coluna de Orlando ao centro, outro dos símbolos da cidade. Durante quatro séculos, foi esta coluna que sustentou a bandeira da república independente de Ragusa. A medida do braço direito da estátua - 51,2 cm - foi durante muito tempo a unidade de medida da região (cúbito ragusano).

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Na mesma Praça ergue-se a Igreja de São Brás, patrono da cidade, erigida no séc. XVIII em estilo barroco, e do outro lado o Palácio do Reitor, agora transformado em Museu Municipal.

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Nas traseiras da Igreja de São Brás, a Praça Gundulić é outro dos lugares especiais de Dubrovnik. Os pombos competem pelo espaço com as bancas do mercado de rua e no ar sente-se o cheiro a lavanda. A Croácia é também famosa pelos seus campos de alfazema, cultivada sobretudo na ilha de Hvar, e é possível comprá-la sob todas as formas, desde as tradicionais almofadinhas para perfumar gavetas até aos produtos cosméticos mais sofisticados. Ivan Gundulić (1589-1638), cuja estátua ocupa o centro da praça, foi o maior poeta barroco da República de Ragusa e ocupou vários cargos públicos de importância em Dubrovnik. Os altos-relevos que ornamentam a base da sua estátua representam os principais temas e princípios abordados nas suas obras. Está sepultado no Mosteiro Franciscano.

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Numa das esquinas desta praça, a Fonte de Amerling (muito danificada durante a Guerra Civil e reconstruída em 1995) é também um dos poisos preferidos dos pombos ragusanos.

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Conta a lenda que Ricardo Coração de Leão naufragou quando regressava das Cruzadas em 1192 e foi parar à ilha de Lokrum (e dela já irei falar daqui a pouco). Em agradecimento, quis construir no local do seu salvamento uma grande igreja, mas foi habilmente persuadido pelos governantes da cidade a mudar as suas preferências de localização para Dubrovnik. No entanto, esta igreja foi mais um dos edifícios completamente destruídos pelo terramoto de 1667. No seu lugar foi erigida em 1713 a igreja romano-barroca que resiste até hoje, a Catedral da Anunciação de Santa Maria, cuja planta inicial foi idealizada pelo arquitecto  Andrea Buffalini.

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O interior da catedral tem vários pontos de destaque, o mais importante e atractivo sendo sem dúvida o políptico que vemos na parede atrás do altar: “A Ascensão de Maria”, da autoria de Ticiano.

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E claro que também não poderia lá faltar o “nosso” Santo António, sempre presente em qualquer igreja católica.

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A sul da Praça Gundulić, uma imponente escadaria barroca desenhada por Pietro Passalacqua leva-nos até à porta da também magnífica igreja jesuíta de Santo Inácio de Loiola.

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As paredes interiores estão decoradas com frescos barrocos que retratam cenas da vida de Santo Inácio, pintadas por Gaetano Garcia, e o efeito é absolutamente impressionante. Numa nota algo estranha, uma das capelas desta igreja reproduz (vagamente, note-se) a gruta da aparição de Lourdes, o santuário mariano francês bem conhecido.

 

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A paragem seguinte foi no porto antigo. Localizado na área leste da cidade, hoje mais parece uma marina do que propriamente um porto. Está protegido por dois pontões: o Porporela, contíguo ao forte de São João, do lado direito de quem desemboca no porto vindo do interior da cidade antiga, e o Kaše, situado perpendicularmente e quase invisível atrás dos muitos barcos ancorados na marina. Construído em finais do séc. XV para proteger o porto em alturas de tempestade, este quebra-mar foi danificado por um sismo em 1979 e depois também na Guerra Civil, tendo sido entretanto restaurado.

 

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O passeio largo que contorna a marina e o Forte de São João até ao Porporela é parcialmente utilizado como “praia”, e além do mais ideal para um passeio romântico a qualquer hora.

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Mas a nossa visita ao porto naquela altura teve um motivo bem mais específico do que um simples passeio: é lá que se apanha o barco para a ilha de Lokrum.

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Lokrum fica a uns meros 700 metros e 15 minutos de barco a sul de Dubrovnik. É reserva natural e a sua área está coberta quase na totalidade por uma vegetação frondosa – o lugar ideal para passar um dia tranquilo e relaxante, mais ainda se estiver muito calor. E se não houvesse mais motivos para visitar Lokrum, só a viagem de barco já valeria a pena, mesmo sendo curta.

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O cais fica quase no extremo sul da ilha, numa enseada também frequentada por outras embarcações particulares. Saúda-nos à entrada um cartaz com o mapa da ilha e os seus pontos de interesse; mais à frente e para nossa surpresa, quem nos dá as boas vindas (embora displicentemente) são os vários pavões que por ali andam a passear. Pavões e mar são uma combinação incomum, mas a verdade é que Lokrum tem uma enorme população destas aves, descendentes de antepassados trazidos das Canárias há cerca de 150 anos, e que disputam a soberania do lugar com os também numerosos coelhos – as escaramuças entre uns e outros são frequentes e agitadas, como testemunhámos.

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Mas ainda há mais: tal como a cidade antiga de Dubrovnik, a ilha de Lokrum já foi cenário para as gravações da série “Guerra dos Tronos”, facto que tem sido exaustivamente rentabilizado em termos turísticos. No complexo do antigo mosteiro beneditino visitámos uma exposição sobre a famosíssima série – em que uma réplica do icónico trono de ferro era o elemento principal e onde, como é óbvio, nos sentámos para tirar a fotografia turística da praxe.

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As origens do mosteiro beneditino de Lokrum parecem situar-se algures entre os séculos IX e X e a sua história, tal como a de toda a ilha, é riquíssima e demasiado extensa para a contar neste post. Certo é que uma grande parte do edifício ruiu também no devastador terramoto de 1667, e apenas ficaram de pé as alas sul e este, assim como o claustro. Podem conhecer mais pormenores no website oficial de Lokrum, que tem tudo o que há a saber sobre a ilha.

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O ar do mar abre o apetite e estávamos mesmo na hora de almoço. Encostado ao mosteiro, o Rajski Vrt (tradução: jardim do éden) apareceu-nos na altura certa, e ali ficámos a aproveitar a frescura da sombra das árvores e – claro! – a comer. Lokrum tem um ambiente sereníssimo, a que não será certamente alheio o facto de não ter carros nem habitantes (humanos) permanentes, e este almoço foi para lá de agradável – pela comida e sobretudo pela atmosfera.

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O extremo sudoeste da ilha é a “praia” local. Para nós praia é sinónimo de areia, mas na Croácia praia é qualquer lugar onde se possa estender uma toalha, apanhar sol e tomar banho. Neste caso, uma extensa zona rochosa cheia de reentrâncias onde o mar forma pequenas piscinas rasas aqui e ali, e até mesmo uma espécie de lago interior, conhecido por “Mar Morto”. A água é igual à de todo o Adriático: límpida, com um fantástico tom esmeralda, e meio tépida. Só os banhos de sol é que se tornam mais complicados porque as rochas, apesar de na sua maioria já terem a superfície muito polida, não são propriamente confortáveis para se estar deitado, e as espreguiçadeiras que por ali estão espalhadas são para uso exclusivo dos clientes de um qualquer hotel de Dubrovnik.

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O barco que nos levou de regresso à cidade tinha bancos na zona lateral virados para o exterior e a viagem transformou-se numa espécie de mini-cruzeiro em que vimos desfilar à nossa frente os edifícios espalhados pela linha da costa a sudeste de Dubrovnik e a praia de Banje, a mais conhecida e frequentada das redondezas.

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Aproveitámos o caminho de regresso ao apartamento para mais um passeio pelas ruelas do bairro antigo e depois para fazer compras num supermercado, porque o dia seguinte estava reservado para irmos conhecer um pequeno pedaço de outro país: Montenegro.

 

Conto-vos tudo num próximo post.

 

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