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Viajar. Porque sim.

Paixão por viagens, escrita e fotografia

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A Casa da Trigueira

Viajar em Portugal é um prazer cada vez maior. Boas estradas, paisagens magníficas e variadas, um património artístico e cultural fabuloso, a nossa maravilhosa gastronomia, alojamento de excelente qualidade mesmo nas zonas mais recônditas do país, e pessoas calorosas e simpáticas, de sorriso nos lábios e sempre prontas para uma boa conversa. Foi tudo isto e mais ainda que encontrei na minha recente estadia na região do Douro e do Tua, e muito particularmente na Casa da Trigueira.

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A Casa da Trigueira fica no coração de Santa Eugénia, onde termina a região duriense e começa a transmontana. Antiga casa de lavrador, sobre uma das portas permanece a inscrição de uma data (1792 ou 1742, é impossível precisar), que foi adoptada como ex-libris deste alojamento de agroturismo.

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Os proprietários, o Dr. António Martinho e a D. Maria de Jesus, receberam-nos da maneira mais amigável e calorosa possível, e durante a nossa estadia foram de uma atenção absolutamente inexcedível. Foi como se estivéssemos em nossa casa, mas sem termos de nos preocupar com nada. Desde o Favaios que nos ofereceram como aperitivo até ao maravilhoso pequeno-almoço – empanturrei-me com as deliciosas compotas e bolos, tudo caseiro, com o pão excelente, e com um monte de outras coisas boas – passando pela visita guiada à casa e pelas interessantes conversas que tivemos com eles e um casal seu amigo que também lá se encontrava, a forma como nos acolheram não podia ter sido melhor. Uma experiência enriquecedora que só pecou pela curta duração da estadia.

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A casa foi remodelada de forma inteligente para aproveitar todo o espaço sem esquecer o conforto. O equilíbrio entre a parte estrutural antiga que foi deixada à vista e as modificações feitas foi bem conseguido e o resultado é harmonioso e elegante. Tem sete quartos com casa-de-banho privativa, uma grande sala comum, um salão de jogos, um espaço para degustações e uma zona ao ar livre com forno e assador. Há ligação wifi à net e tv satélite. Em suma, tudo o que é necessário para nos proporcionar uma estadia memorável. Além disso, a Casa da Trigueira está galardoada com o certificado Chave Verde, que é atribuído a unidades hoteleiras que cumprem requisitos específicos de sustentabilidade ambiental.

 

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 Casa da Trigueira - quarto.jpgCasa da Trigueira - casa de banho.jpg

Encontram todas as informações sobre a Casa da Trigueira, a sua história e as actividades e comodidades que nos oferece no website (http://casadatrigueira.pt/) e na página do Facebook (https://www.facebook.com/casadatrigueira/?fref=ts).

 

Casa da Trigueira - Sociedade Agroturística, Lda

Rua do Cabo, Nº 1

5070-411 Santa Eugénia,

Alijó, Portugal

e-mail: aamartinho@gmail.com

tel.: 917 247 055

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Santa Eugénia, a localidade onde se situa a Casa da Trigueira, fica cerca de 15 km a nordeste de Alijó, no sopé do monte de Santa Bárbara e limite da região Demarcada do Douro. Apesar de ter apenas 9 km2 de área e pouco mais de 500 habitantes, o seu património cultural e arquitectónico é vasto, e há indícios de que é povoada desde a pré-história.

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Terra sossegada e simpática, aqui o granito é rei, e as cores da pedra coabitam com o branco da alvenaria. A agricultura divide-se entre a vinha e o olival, e a Casa Agrícola tem um aspecto próspero. Existe um Grupo Desportivo e Cultural que, entre outras actividades, patrocina um Rancho Folclórico e um Festival anual de folclore, e uma Associação Cultural e Social com as vertentes de centro de dia e lar.

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E é também uma terra onde se come bem. Nós jantámos na “Taberna A Fonte”, que tem um ambiente rústico e informal agradável, confortável q.b., com um atendimento familiar, rápido e atencioso e uma comida excelente, bem servida e com bom preço. Cozinha tradicional portuguesa de sabor caseiro, sem arrebiques mas altamente recomendável.

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Em suma, a nossa estadia na Casa da Trigueira em Santa Eugénia não podia ter corrido melhor, e será uma experiência a repetir em breve. Que recomendo a quem quiser apreciar, com todo o conforto, não só as fantásticas paisagens do Alto Douro mas também alguns tesouros menos conhecidos desta região.

 

 

 

 

Ao acaso #35 Basílica de Lourdes, em França

 

 

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A Basílica de Lourdes, erguida no lugar onde em 1858 Bernardette Soubirous disse ter testemunhado as aparições marianas.

Esta pequena cidade à beira dos Pirinéus recebe anualmente cerca de seis milhões de visitantes; é o segundo centro turístico mais importante de França, e o terceiro local de peregrinação mais importante do mundo.

 

Tua, a paisagem que vai desaparecer

 

A paisagem da região do Alto Douro Vinhateiro – que é Património Mundial desde 2011 – vai mudar em breve. Está terminada a barragem que tem vindo a ser construída desde há cinco anos junto à foz do rio Tua, onde ele se encontra com o Douro, e prevê-se começar o seu enchimento ainda este mês. Quando a albufeira estiver completamente cheia, o rio terá subido 170 metros e alagado as suas margens até cerca de 25 km a montante. São 420 hectares de paisagem que vão mudar. Para melhor ou para pior? Isso só mais tarde se saberá.

 

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O paredão da barragem do Tua situa-se a 1,1 km do local onde o rio desagua no Douro, e é uma mole de cimento com 108 metros de altura. O estaleiro que o rodeia tem o tamanho de uma aldeia, e a azáfama é constante – não pára nem ao fim-de-semana. Ainda está em construção a central hidroeléctrica adjacente, um projecto de Souto de Moura, que se estima entrar em funcionamento em 2017.

Barragem do Tua, Junho 2016

Depois de várias peripécias e muita contestação popular, a linha ferroviária do Tua deixou completamente de funcionar em 2008. Subsiste actualmente apenas o troço entre Mirandela e Carvalhais, operado pelo Metro Ligeiro de Mirandela. As povoações entre Mirandela e Foz Tua deixaram desde essa altura de ser servidas por qualquer tipo de transporte ferroviário. Com a data prevista para a conclusão da barragem a aproximar-se, começou há algum tempo o desmantelamento da linha desde a foz do rio até à estação da Brunheda, a localidade onde se prevê que a albufeira se inicie. O desmantelamento está já concluído, assim como o corte de muitas das árvores que se encontravam abaixo da cota de enchimento.

Passeio na antiga linha do Tua, Junho 2016

Os túneis do Tralhariz, das Fragas Más e da Falcoeira já estão tapados e a ponte da Paradela, situada por volta do quilómetro 11, está completamente desprotegida, sendo impossível atravessá-la a não ser que se tenha muita coragem e equilíbrio ou prática de escalada (para atravessar pelo rebordo inferior).

Ponte da Paradela (Tua), Junho 2016Assim, dos troços que vão ficar submersos, os únicos que são acessíveis por estrada e ainda podem ser percorridos a pé são o troço São Lourenço-Brunheda, para montante, e o que se estende para jusante entre São Lourenço e a ponte da Paradela – sendo que neste caso será necessário voltar para trás pelo mesmo caminho, pois não é possível aceder de carro à zona onde se encontra a ponte.

   Brunheda (Tua), Junho 2016

São Lourenço é lugar de águas termais sulfurosas, especialmente indicadas para o tratamento de doenças reumáticas e da pele. Mas é sobretudo um lugar de ruínas, algumas das quais vão ficar submersas pelas águas da albufeira. Subsiste o edifício do tanque, de planta quadrada e cobertura piramidal de pedra maciça, com uma fonte no exterior. Algumas (poucas) casas têm um aspecto basicamente habitável, e a autarquia decidiu há alguns anos instalar um balneário novo, que continua a funcionar em regime experimental sem que se saiba ainda qual será o seu futuro.

São Lourenço (Tua), vista geral, Junho 2016

 

São Lourenço (Tua), edifício do tanque e fonte de São Lourenço, Junho 2016

São Lourenço (Tua), Junho 2016

São Lourenço (Tua), estação, Junho 2016

O edifício da estação de São Lourenço continua de pé, e junto a ele está a ser construída uma parede de contenção. É aqui que tem início a pista de brita que é possível percorrer, por enquanto, ao longo deste troço do Tua, seja para montante até Brunheda, seja para jusante até à ponte da Paradela. Nós optámos por esta hipótese, por ser aquela que oferece cenários mais selvagens e variados. Já removidos os carris e as sulipas que antes constituíam a linha férrea, o passeio é praticamente todo feito sobre pedra solta.

Passeio na antiga linha do Tua, Junho 2016

Passeio na antiga linha do Tua, Junho 2016

Embora esteja nitidamente calcado pela passagem de veículos, não é um tipo de piso fácil para caminhadas, e percorrer os quase cinco quilómetros que separam São Lourenço da ponte da Paradela requer bom calçado, muita atenção e bastante energia, sobretudo se o sol estiver quente. E há que não esquecer um chapéu ou um lenço, protector solar, e muita água. Tem no entanto a vantagem de ser um percurso essencialmente plano, e as vistas sobre o rio que corre alguns metros abaixo de nós, em curvas e contracurvas, muitas vezes precipitando-se em rápidos ruidosos, são de uma beleza única.

 

Passeio na antiga linha do Tua, Junho 2016

 

Passeio na antiga linha do Tua, Junho 2016

Passeio na antiga linha do Tua, Junho 2016

Passeio na antiga linha do Tua, Junho 2016

Passeio na antiga linha do Tua, Junho 2016

 Passeio na antiga linha do Tua, Junho 2016

 

Passeio na antiga linha do Tua, Junho 2016

Passeio na antiga linha do Tua, Junho 2016

Passeio na antiga linha do Tua, Junho 2016

Passeio na antiga linha do Tua, Junho 2016

 

Espalhada pela encosta na margem esquerda do rio, do lado oposto à linha, aparece a certa altura a bonita aldeia do Amieiro. É a aldeia que vai ficar mais próxima da albufeira quando esta estiver cheia. Muito branca, destacando-se no meio do casario, a igreja matriz parece vigiar o Tua e tudo quanto se passa cá em baixo. Em tempos servida pela estação de Santa Luzia, agora totalmente demolida, a ligação entre as duas margens fez-se primeiro barcaça, depois por teleférico e mais tarde por uma ponte metálica, que foi destruída em Dezembro de 2002 por uma enxurrada e nunca substituída. Ainda são visíveis os pilares que a suportaram, vestígios que também vão ficar submersos.

Amieiro (Tua), Igreja Matriz, Junho 2016Amieiro (Tua), Junho 2016Amieiro (Tua), Igreja Matriz, Junho 2016

Amieiro (Tua), Junho 2016

 

Passeio na antiga linha do Tua, Junho 2016

 

Ao chegar à ponte da Paradela, há que decidir: ou se volta logo para trás, ou se tenta descer pela ravina do lado esquerdo até ao ribeiro que dá o nome à ponte, para depois o atravessar e subir pela encosta do outro lado, e daí seguir por mais um ou dois quilómetros até ao túnel da Falcoeira – e a partir desse ponto é que não se consegue progredir mais. A descida requer algum cuidado para não se escorregar na terra arenosa e solta, mas vale a pena, porque lá em baixo é o sítio ideal para descansar e mergulhar os pés cansados na água fresca. As pedras são bastante escorregadias e lodosas nalguns pontos, mas há um pouco mais acima uma zona de águas paradas onde até é possível tomar banho.

Ponte da Paradela (Tua), Junho 2016

 

Ribeiro da Paradela (Tua), Junho 2016

 

Ribeiro da Paradela (Tua), Junho 2016

 

Ribeiro da Paradela (Tua), Junho 2016

 

Ribeiro da Paradela (Tua), Junho 2016

 

Ribeiro da Paradela (Tua), Junho 2016

 

O plano de mobilidade do Tua, imposto pelo Estado à EDP como contrapartida da concessão da barragem, prevê que seja estabelecida a ligação entre Foz Tua e Mirandela tanto para fins turísticos como para utilização dos habitantes locais. Haverá um troço misto inicial (veículo sobre carris + funicular), uma ligação de barco entre a barragem e a estação da Brunheda, e finalmente a reactivação dos 33 quilómetros de linha ferroviária entre a Brunheda e Mirandela (podem encontrar mais pormenores em http://www.valetua.pt/desenvolvimento-regional/plano-de-mobilidade/#). Na Brunheda já se notam obras de restauro da linha e da estação, mas resta saber quando é que o plano completo passará totalmente do papel para a prática. Até lá, os habitantes das aldeias do vale do Tua terão de continuar a depender das (sinuosas e estreitas) estradas para se deslocarem entre localidades.

  Brunheda (Tua), Junho 2016

Passeio na antiga linha do Tua, Junho 2016

 

 

 

 

Sugestões para um fim-de-semana comprido

 

O bom tempo está aí, apesar de os meteorologistas estarem a ameaçar alguma descida de temperatura, é Junho e os dias são compridos, e estamos mesmo à beirinha de um fim-de-semana alargado, mais ainda para todos os que trabalham nos municípios em que o dia 13 de Junho é feriado. São basicamente umas mini-férias.

 

Com isto tudo, quem é que tem vontade de ficar em casa? Há tanto para ver por aí, tanto para conhecer ou revisitar, tanta beleza natural ou construída para usufruir. E nós temos a sorte de ter um país pequenino e cheio de boas vias de comunicação, um país onde viajar é fácil e seguro, qualquer que seja o meio de transporte que se escolha. Sim, é certo que os combustíveis estão caros, e os transportes públicos também não são nenhuma barateza e às vezes escasseiam. Mas para quem gosta de passear nada disto é impeditivo, e de bom grado se sacrifica alguma coisa menos essencial em troca do bem-estar que nos proporcionam uns dias – ou apenas um dia! – fora do nosso ambiente habitual.

 

Então, vamos passear? Aqui ficam algumas sugestões para “ir para fora cá dentro” de que já falei neste meu blogue.

 

Visitar um dos 10 lugares a não perder em Portugal continental 

Fraga da Pena

 

ou optar por um dos 7 lugares quase desconhecidos em Portugal continental.

Viana do Alentejo

 

Fazer uma caminhada nos passadiços do Paiva.

Rio Paiva

 

Conhecer o Castelo de Arouce e a sua idílica envolvente,

 

Castelo de Arouce

 

e aproveitar para dar um pulinho (a pé ou de carro) ao Talasnal.

 

As janelas do Talasnal.jpg

 

Visitar a aldeia histórica de Idanha-a-Velha.

 

A plácida Idanha-a-Velha.jpg

 

E porque não ir à Madeira e, entre outros passeios na nossa ilha mais temperada (e que tem tanto para ver), passar umas horas num dos jardins mais belos do mundo?

 

Funchal - Jardins Monte Palace

 

Alguém quer acrescentar mais sugestões? Ou saber qual o sítio que escolhi para ir conhecer este fim-de-semana? (Uma pista: está prestes a desaparecer…)

 

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