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Viajar. Porque sim.

Paixão por viagens, escrita e fotografia

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Primavera nas Astúrias - parte II

 

E aqui está a 2ª parte do roteiro nas Astúrias que sugiro para esta Primavera (e que preparei para a revista Inominável n.º 3).

 

Dia 5 – Ruta del Cares

 

Para quem gostar, hoje é dia de fazer uma caminhada num dos percursos montanhosos mais fantásticos e mais acessíveis desta região. A Ruta del Cares estende-se entre Poncebos e Caín, num total de 12 km em cada sentido e, tal como o nome indica, acompanha parte do percurso do rio Cares. Começando em Poncebos, existe uma subida inicial algo exigente de pouco mais de 2 km, sendo o resto do caminho essencialmente plano e fácil de fazer, com passagens por túneis e pontes, e sempre com o rio por companheiro. Deixo um aviso: vão correr o risco de se apaixonarem perdidamente por esta paisagem e esquecerem qualquer cansaço – pelo menos até terem de parar. Caín é uma aldeia encastrada entre altos picos montanhosos, local perfeito para repouso e almoço antes de iniciarem o caminho de regresso. Todas as informações sobre o percurso estão disponíveis em http://www.rutadelcares.org/.

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Se não gostam de grandes caminhadas (ou não podem fazê-las), então sugiro que visitem a icónica aldeia de Bulnes. Não existem estradas mas é possível subir no Funicular de Bulnes, que parte também de Poncebos e sobe por um túnel escavado na montanha durante oito minutos até chegar perto da entrada de Bulnes. Esta aldeia isolada e minúscula tem uma população fixa de apenas 20 habitantes (que aumenta para 50 no Verão), mas é um ponto turístico muito frequentado e conhecido por oferecer belíssimas vistas para as principais elevações dos Picos da Europa, entre as quais se destaca o Naranjo de Bulnes (ou Picu Urriellu, em asturiano). Também é possível chegar a Bulnes a pé, mas o percurso é algo exigente.

 

No final de um dia fisicamente muito activo não há nada melhor do que uma boa refeição, e em Arenas de Cabrales um dos locais onde se come bem é o restaurante La Panera (https://www.facebook.com/rte.lapanera).

 

Dia 6 – Llanes-Potes

 

Llanes é outra das localidades costeiras das Astúrias que merece uma visita. A viagem desde Arenas dura pouco mais de meia hora. Estacionem junto à praia del Sablón e subam até ao passeio de San Pedro para terem uma vista ampla sobre a costa e a localidade.

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O braço de mar que entra pela vila forma um pequeno porto,

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no extremo do qual se encontram os coloridos “Cubos de la Memoria”, criação do artista basco Agustín Ibarrola sobre os blocos de betão que formam o dique do porto.

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Depois percam-se pelas ruas do centro histórico e descubram a Igreja de Santa María del Conceju, o seu Casino modernista de inspiração barroca, o Torreão medieval ou o Palácio de Gastañaga.

 

Se continuam com vontade de andar a pé, a minha sugestão chama-se “Camín Encantáu” e fica a 15 km de Llanes. Sigam até Posada de Llanes e depois tomem a AS-115 até Puente Nuevo, onde vão encontrar um desvio à direita e um estacionamento depois da ponte. O “Camín Encantáu” é um percurso circular e fácil de 10 km pelos povoados do vale de Ardisana. Ao longo do caminho encontram-se dispostas a espaços várias esculturas de madeira que fazem referência à mitologia asturiana. Todas as informações sobre este percurso a pé estão disponíveis em http://www.elcaminencantau.com/, http://www.wikirutas.es/rutas/Asturias/Valle_de_Ardisana/El_Camin_Encantau/ e https://www.google.com/maps/d/viewer?mid=zeiOlrFJ1pEE.kVR36EEVdFac.

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Se no entanto estão sem vontade para grandes caminhadas, então proponho uma incursão breve pela região da Cantábria para visitarem a encantadora vila de Potes. São 65 km desde Llanes, parte dos quais (mais concretamente 21 km) pelo desfiladeiro de La Hermida, o mais comprido de Espanha, que acompanha o leito do rio Deva e oferece estupendas paisagens de montanha.

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Localizada na confluência de quatro vales e dois rios, o Deva e o Quiviesa, e beneficiando de um microclima mediterrânico, Potes é uma típica localidade montanhesa, com as suas pontes e o seu bairro antigo de ruas estreitinhas sem trânsito motorizado.

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As casas são maioritariamente em pedra, algumas estendendo-se por cima das ruas, com caixilhos e varandas em madeira.

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A Torre do Infantado é o ex-libris da vila e remonta ao séc. XIV, abrigando actualmente a câmara municipal.

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Muito virada para o turismo, Potes é também famosa por ser um lugar onde se come bem, com destaque para as carnes e o cozido típico da região; a oferta gastronómica é abundante e variada.

 

Para regressarem a Arenas de Cabrales voltem pelo mesmo caminho até Panes, virem à esquerda para cruzar a ponte sobre o Deva e sigam pela AS-114. São cerca de 50 km, uma hora de viagem.

 

Dia 7 – Viagem de regresso

 

O último dia será mais uma vez passado em viagem. Há várias rotas possíveis para o regresso, mas sugiro que vão por Villaviciosa, Pola de Siero e Mieles para apanharem a AP-66, seguindo depois sempre para sul.

Como sugestão de paragem pelo caminho, a cidade de León é a minha favorita, com a Catedral gótica e a Casa Botines, de Gaudí, a merecerem especial destaque.

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E se apreciarem as obras deste arquitecto catalão, vale a pena fazerem o desvio de quase 50 km até Astorga para verem o Palácio Episcopal desta cidade, concebido por Gaudí em estilo neogótico medieval.

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Situada mesmo ao lado, a Catedral de Astorga é também digna de uma visita.

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Zamora, já mais perto de Portugal, é outra alternativa de paragem ainda em terras espanholas. Atravessada pelo rio Douro, o centro histórico é dominado pela catedral. Do miradouro à saída da Puerta del Obispo tem-se uma vasta panorâmica do rio e da cidade que se estende pelas suas margens, estando bem visíveis as azenhas de Olivares, em baixo, e do lado esquerdo a Puente de Piedra, que remonta ao séc. XII.

 

 

Este é apenas um dos roteiros possíveis por terras asturianas, pois muito mais há para ver nesta região espanhola. Sempre com a certeza de que não vão regressar desiludidos.

 

Outras sugestões de consulta para prepararem a viagem:

http://whereisasturias.com/picos-de-europa-national-park-asturias/

http://whereisasturias.com/

http://www.asturnatura.com/index.php

 

Primavera nas Astúrias - parte I

Agora que os dias começam a ser mais compridos e o tempo está menos agreste, é a altura ideal para ir à descoberta de uma das mais bonitas regiões da nossa vizinha Espanha: as Astúrias.

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O Principado das Astúrias localiza-se no norte de Espanha, entre a Galiza e a Cantábria. Com um território que excede os 10.000 km2 e abrange costa marítima, zonas montanhosas e cidades com história, e à distância de menos de um dia de carro, é a região perfeita para quem gosta de umas férias variadas.

 

Deixo-vos aqui a minha sugestão de roteiro para uma viagem de carro pelas Astúrias durante uma semana.

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Dia 1 – Viagem até Gijón

 

Gijón é a segunda cidade das Astúrias em importância, mas a maior em número de habitantes. Situada junto ao mar e a apenas 28 km de Oviedo e 30 de Avilés, as duas outras principais cidades das Astúrias, é por isso excelente como base para visitar parte da região sem necessidade de andar a mudar de alojamento com frequência. São 525 Km a partir do Porto e 800 a partir de Lisboa, por isso o primeiro dia vai ser ocupado com a viagem até Gijón. Parem em Salamanca para descontrair e almoçar, e aproveitem para dar um passeio pela Plaza Mayor e até à Catedral. Em Gijón, recomendo o Hotel Arena, que está muitíssimo bem situado e tem uma óptima relação qualidade-preço, além de ter parque de estacionamento privado, o que é sempre uma mais-valia para quem vai de carro.

 

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Dia 2 – Gijón-Avilés

 

Reservem a manhã para passear a pé em Gijón. Sigam pela avenida que bordeja a Playa de San Lorenzo

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e vão até à Plaza Mayor. Visitem as Termas Romanas de Campo Valdés. Passem pela Igreja de San Pedro

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e subam até ao Cerro de Santa Catalina para ver a paisagem deslumbrante e a descomunal escultura de Chillida “Elogio ao Horizonte”.

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Regressem pelo mesmo caminho, ou então desçam pelo outro lado do Cerro para ver a escultura “Nordeste” de Joaquín Vaquero Turcios e o porto desportivo. Novamente na avenida marginal, passem a ponte sobre o Rio Piles e continuem junto ao mar pelo Paseo del Rinconín até ao Monumento a la Madre del Emigrante, de Ramón Muriedas. A seguir peguem no carro e vão até ao Parque la Providencia, no Cabo San Lorenzo, de cujo miradouro vão poder ter uma visão ampla da cidade de Gijón e deste pedaço da costa asturiana. A não perder.

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Depois de almoço sigam para Avilés, a cerca de meia hora de carro. Visitem o centro histórico, com as suas ruas de pedra colorida em vários tons, a antiquíssima Igreja dos Padres Franciscanos (do período românico), o arrojado Centro Niemeyer, o edifício da Câmara Municipal (Ayuntamiento) na Plaza de España, ou o cemitério de La Carriona, com os seus elaboradíssimos jazigos.

 

 

Dia 3 – Oviedo

 

Oviedo é a capital das Astúrias e também o ponto de partida para descobrir alguns dos monumentos pré-românicos desta região. Mas para já deixem o carro no estacionamento da Plaza de la Escandalera e passeiem um pouco a pé pela cidade, que tem muitos motivos de interesse. Vão até catedral gótica, com origens no séc. XIII,

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depois sigam andando para sul e passem pela Igreja de San Isidoro

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até chegarem ao Mercado El Fontán na rua com o mesmo nome.

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Em frente ao Mercado, a Plaza del Fontán e lá dentro a colorida Casa Ramón, a única parte original desta pequena praça que comunica com as ruas limítrofes por arcadas.

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É em torno da Plaza que se realiza um mercado ao ar livre às quintas, aos sábados e aos domingos. Por aqui vão encontrar muitos restaurantes e “sidrerias”, e quando forem horas de almoço escolham qualquer um deles e peçam uma “fabada” (que é uma feijoada à moda das Astúrias) acompanhada de sidra, a bebida típica da região, servida (“escanciada”) pelos empregados de uma forma muito particular: o braço que segura a garrafa é passado sobre a cabeça, enquanto a mão que tem o copo é colocada o mais abaixo possível.

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Regressem ao carro passando pela Universidade. Durante o passeio vão encontrar inúmeras estátuas, umas mais clássicas e outras mais arrojadas: desde a “Gorda” de Botero à “Mafalda” (personagem de Quino), passando pela que homenageia Woody Allen ou pela “Regenta” que está em frente à Catedral, elas são um excelente e original pretexto para um percurso a pé (vejam o percurso completo e todas as informações em http://imanesdeviaje.com/descubre-oviedo-a-traves-de-sus-estatuas/).

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E está na hora de iniciar a rota do pré-românico. Ainda dentro da cidade, parem primeiro na Foncalada, uma fonte de água potável que remonta ao séc. IX,

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e depois na igreja de San Julián de los Prados, o maior monumento pré-românico ainda conservado. Subindo para o Monte Naranco, vão encontrar primeiro o palácio/igreja de Santa María del Naranco,

 

e um pouco mais à frente a igreja de San Miguel de Lillo, bela e isolada no meio de um prado rodeado de árvores.

 

Continuem depois a subir até ao topo do monte, onde se situa o monumento ao Sagrado Coração de Jesus e de onde se oferece uma panorâmica privilegiada sobre Oviedo – no centro da qual se destacam as formas arrojadas e brancas do Palácio de Congressos Princesa Letizia, obra monumental e polémica de Santiago Calatrava.

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Dia 4 – Ribadesella-Cangas de Onís-Covadonga-Lagos-Arenas de Cabrales

 

Despeçam-se de Gijón com uma passagem pela Universidad Laboral e rumem para leste até Ribadesella, localidade de veraneio e de desportos de aventura. Situada no estuário do rio Sella, as avenidas junto à praia são especialmente encantadoras, com as suas casas apalaçadas de cores vivas sobressaindo na paisagem verde e azul.

 

A paragem seguinte é em Cangas de Onís, uma das portas de entrada para o Parque Nacional dos Picos da Europa. Embora muito virada para o turismo, é uma localidade pequena e até pacata fora da época alta, onde as vedetas maiores são a ponte “romana” (data do séc. XIII, mas supõe-se que remonta à época romana) sobre o rio Sella e a igreja de Santa Cruz, com origens no período pré-românico e construída sobre um dólmen pré-histórico. Aproveitem para almoçar por aqui, que a tarde vai ser longa e em zonas (ainda) mais bucólicas.

 

O santuário de Covadonga fica a apenas 11 km e é o próximo local a visitar. A capela dedicada à Virgem, que é a padroeira das Astúrias há mais de 1300 anos, está situada numa gruta escavada na rocha e aberta para o exterior, por baixo da qual surge uma cascata.

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O complexo inclui um museu, jardins e uma grandiosa basílica, que data do séc. XIX e se destaca, com a sua cor alaranjada e telhados vermelhos, no meio da vegetação abundante.

 

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Sempre subindo a montanha, uma dúzia de quilómetros depois vão encontrar os lagos Enol e Ercina, fantásticos espelhos de água no meio de extensos prados verdes, onde não será invulgar um encontro imediato com algum grupo de vacas que por ali ande em busca de pasto.

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Regressem pelo mesmo caminho até encontrarem, um pouco antes de Cangas de Onís, a estrada para Arenas de Cabrales, que fica a menos de 50 km de distância. Arenas ou Poncebos, cerca de 5 km mais à frente, têm uma vasta oferta de alojamento e são ideais como base para descobrir esta vertente dos Picos da Europa.

 

Estão a gostar do roteiro? A próxima parte ainda vai ser melhor, acreditem. A conhecer num próximo post.

 

(Artigo publicado no n.º3 da revista digital INOMINÁVEL e aqui.)

 

Croácia - diário de viagem - VII - Seget Donji ou é bom fazer planos, mas às vezes é ainda melhor alterá-los

Uma das vantagens de não optar pelas viagens organizadas por agências é a liberdade de escolher o percurso que se prefere. E outra é poder alterar esse mesmo percurso a nosso bel-prazer. Porque às vezes encontramos locais onde nos apetece ficar mais tempo.

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Uma das ideias que tínhamos em mente para estas férias era fazer alguns dias de praia e aproveitá-los para descansar, e a Dalmácia é uma das regiões croatas mais conhecidas pelo bom tempo, pelas águas mornas e límpidas, e pelas suas muitas praias. O “problema” – para nós, pelo menos, que estamos habituados à areia clara e fininha – é que por aqueles lados as praias são quase todas de pedrinha, ou até mesmo de rocha, e é muito raro conseguir encontrar alguma com areia semelhante à nossa.

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Mas quando optámos por escolher alojamento em Trogir em vez de Split não estávamos a pensar em praia nem em descanso, e sim apenas num lugar simpático fora da confusão. Só que… quis o destino que nos aparecesse no Booking.com a Villa Marer. Foi assim uma espécie de amor à primeira vista: soubemos naquele instante que teríamos de ficar ali, e reservámos sem hesitações as três noites previstas.

E o apartamento onde nos instalaram não desiludiu. Sala grande com kitchenette, um sofá-cama e uma varanda, um quarto e uma casa de banho arejada. Tudo impecavelmente limpo e decorado de forma simples mas com bom gosto.

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A Villa Marer é uma casa de linhas simples, com três pisos divididos em quatro apartamentos e um pequeno espaço ajardinado à volta, onde também se estacionam os carros. Está directamente encostada a um passeio pedonal que acompanha a orla marítima, onde à distância de poucas centenas de metros existem alguns cafés e restaurantes. E à noite, quando chegámos, pouco mais deu para ver.

 

Mas quando acordámos na manhã seguinte e fomos à varanda… o cenário que nos esperava era simplesmente fabuloso. Um mar lindo e calmo com ilhas recortadas em fundo; ao longe do lado esquerdo uma marina, com a torre da Catedral de Trogir a espreitar por trás dos mastros dos barcos; e por baixo de nós uma praia estreita de pedrinha clara, serpenteando para a direita até onde a vista conseguia alcançar. Tudo iluminado por um sol brilhante e um céu sem nuvens. Um deslumbramento!

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Seget Donji -Trogir

 

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Percebem agora porque é que no post anterior eu disse que só fomos a Trogir ao final do dia? É que gostámos tanto do sítio que ficámos por ali a descansar e a apanhar sol, preparámos um almoço leve no apartamento… ou seja, basicamente não fizemos mais nada a não ser preguiçar.

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Além da vista e de uma outra razão (que fica para depois), a praia foi também o motivo que nos fez voltar a não querer sair de Seget Donji no nosso sexto dia das férias. Aproveitámos para percorrer o passeio pedonal até ao fim e conhecer a parte da praia que se estendia para o lado direito, terminando num um enorme pinhal, a cerca de 1 quilómetro do apartamento.

Seget Donji -Trogir

Seget Donji -Trogir

 

O dia estava quente e sem vento e as praias bastante frequentadas, o que de qualquer modo não se torna difícil tendo em conta que são apenas estreitas faixas de “areão” junto à água, com pontões e rochas pelo meio. O lado oposto do passeio é limitado por muros de casas particulares, zonas arborizadas, cafés, restaurantes e lojinhas, e no mar desfilam barcos a motor ou à vela e pranchas de windsurf. Uma típica e muito agradável zona de veraneio, com aquele ambiente já calmo do mês de Setembro, depois da partida das hordas de veraneantes dos meses anteriores.

Seget Donji -Trogir

 

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E a água… a água é uma delícia: límpida, com uma temperatura agradável, sem ondulação, e com tonalidades lindas de morrer. O único incómodo é realmente a falta de areia fininha, porque tudo o resto é um encanto.

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O jantar voltou a ser no Zule, mas desta vez dividimo-nos entre as pizzas e o risoto de marisco; saímos novamente de barriga cheia, o que tornou obrigatório mais um passeio alargado à beira-mar, agora pelo lado que se estende para a esquerda da Villa Marer (e termina a cerca de quilómetro e meio, perto da Marina Baotić).

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Estávamos a gostar tanto de estar em Seget Donji que por esta altura já tínhamos tomado a decisão de estender a nossa estadia ali e juntar mais três noites às que já tínhamos reservadas. Claro que isso iria implicar o “sacrifício” de uma parte dos planos de viagem, nomeadamente a ida à ilha de Korčula, onde tínhamos pensado fazer praia. Troca por troca, a praia onde estávamos era boa, apesar de não ser de areia, o alojamento era excelente, e iríamos poder visitar com mais calma alguns sítios nas redondezas.

 

Além disso, como o apartamento onde estávamos já tinha sido reservado para os dias a seguir, quando falámos sobre os nossos planos com a Renata (a dona da casa), ela disponibilizou-nos pelo mesmo preço um apartamento maior e com uma vista igualmente arrebatadora.

 

E é tão bom quando “descobrimos” um lugar onde queremos ficar mais tempo!

 

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7 lugares quase desconhecidos em Portugal continental

 

Existem em Portugal deliciosos “segredos”, alguns mais protegidos do que outros, muitos deles ao abandono e mais ainda a precisarem de urgente recuperação, outros talvez em vias de desaparecerem. São lugares únicos, diferentes, especiais. Lugares que se cruzam inesperadamente no nosso caminho e às vezes só por isso ficamos a conhecê-los, porque deles quase não se fala e permanecem injustamente ignorados, preteridos a favor de outros lugares mais “visitáveis” ou mais glamourosos.

Estes são apenas alguns deles, meros fragmentos da nossa História e da nossa tradição. A visitar antes que desapareçam ou os tornem irreconhecíveis.

 

BAIRRO DO QUELHO, SALZEDAS

 

Atravessando a rua em frente ao Mosteiro de Salzedas encontramos uma das maiores surpresas que eu já tive ao viajar pelo nosso país: um bairro medieval praticamente inalterado, em ruínas, com ruelas estreitinhas e labirínticas entre casas feitas de pedra e madeira com dois ou três pisos. Muitos alpendres em madeira, vários deles avançando sobre as ruas, unindo umas casas às outras. Deserto, silencioso, atravessá-lo é sentirmo-nos no cenário de um filme apocalíptico, ou talvez numa cidade decadente da Guerra dos Tronos.

Existe uma certa polémica em torno do Bairro do Quelho, que alguns defendem ter sido uma judiaria, teoria firmemente renegada por outros. Seja o que for, ele é o remanescente de um bairro que era nitidamente mais alargado, como o provam a maioria das casas (habitadas) nas ruas circundantes, que possuem algumas características similares.

Um bairro que é uma preciosidade do nosso património, mas para o qual não se vislumbram quaisquer esperanças de recuperação a curto prazo. Lamentavelmente.

 

 

 

CASTELO DE VIANA DO ALENTEJO

 

Na pacata vila de Viana do Alentejo, a meio caminho entre Évora e Beja, existe um castelo único no género no nosso país pela “mistura” de estilos que apresenta: gótico tardio, manuelino e mudéjar. As suas origens remontam ao reinado de D.Dinis (sécs. XIII-XIV). Tem uma planta pentagonal ligeiramente irregular, com cinco torres cónicas a fazerem lembrar os castelos medievais mais típicos da Europa central. Uma delas, a Torre da Misericórdia, é nitidamente diferente das outras e abriga o sino da igreja com o mesmo nome. No interior do Castelo, rodeada por jardins, está a belíssima igreja Matriz.

(Mais pormenores aqui)

 

 

 

ERMIDA DE NOSSA SRª DE GUADALUPE

 

A dois quilómetros de Serpa, no alto de um monte – como convém a toda a ermida que se preze – e mais propriamente na serra de S.Gens, há uma capela dedicada à Nossa Senhora de Guadalupe, também conhecida como capela do Altinho ou de S.Gens. Completamente branca no meio da paisagem verde e castanha, e com uma vista soberba sobre a planície, é um lugar tranquilo onde quase não ouvem outros sons que não os próprios da natureza, e um ponto de observação privilegiado para ver aqueles maravilhosos pores-do-sol que só o Verão alentejano nos oferece.

Presumivelmente de fundação anterior ao séc. XII, a história da ermida tem ligações à batalha do Salado e talvez também a Cristóvão Colombo, sendo uma possível razão para o nome que o navegador deu a um dos territórios que descobriu.

 

 

 

ESCAROUPIM

 

O Escaroupim é uma aldeia avieira situada à beira-Tejo, perto de Salvaterra de Magos. Nestas aldeias, as casas eram construídas sobre estacas para evitar que fossem inundadas durante as cheias frequentes do rio, e pintavam-nas de cores vivas, as mesmas cores do barco que pertencia ao seu dono. Hoje subsistem algumas dessas casas, restauradas e agora dedicadas ao comércio. O cais palafítico, também renovado, abriga os barcos dos pescadores ainda activos, e foram construídos mais alguns cais onde atracam as embarcações protegidas com toldos que se dedicam a levar grupos de pessoas em passeio pelas ilhas do Tejo. Foi criado um museu destinado a preservar e divulgar a memória da aldeia. Há um parque de merendas, lugares para estacionar, e um restaurante excelente que enche facilmente no Verão ao fim-de-semana.

 

 

 

MOINHOS DE GAVINHOS

 

São catorze os moinhos que se perfilam no alto da serra junto à aldeia de Gavinhos, ali para os lados de Penacova e do Lorvão. Apenas um deles trabalha de vez em quando, encontrando-se todos eles em vários estágios de degradação ou recuperação, vigiados pelo olhar atento da estátua religiosa do Imaculado Coração de Maria.

A vista é soberba e o vento constante, como que a pedir velas que possa fazer rodar.

 

 

 

PRAIA DA TOCHA

 

Antiga aldeia de pescadores no concelho de Cantanhede e perto da Figueira da Foz, a praia da Tocha tem, além da belíssima e longa praia que lhe dá o nome, um curioso núcleo habitacional formado pelos antigos palheiros onde eram guardados em tempos idos os materiais da actividade dos pescadores, ou que serviam de armazém para a salga do peixe. Hoje têm uma nova vida e são essencialmente recuperados para servirem como casas de férias, mas mantêm os seus traços e materiais originais, e muitos deles os seus padrões genuínos com riscas fininhas em duas cores, em contraste alegre com o tom quase branco da areia.

A designação de “palheiros” vem do facto de originariamente os telhados destas casas serem feitos de palha. Nos nossos dias, a palha deu lugar às telhas, mas o nome permanece.

 

 

 

TORRE DE CENTUM CELLAS

 

Um dos monumentos mais estranhos do nosso país, até aos anos 90 permaneceu desconhecida a origem desta torre em ruínas que se avista junto a uma das estradas na periferia de Belmonte. Sabe-se hoje que terá sido uma vila romana do séc. I d.C., propriedade de uma família que se dedicaria à exploração agrícola e de estanho, à época abundante nesta região. Há vestígios de outras construções no local, mas apenas a Torre permanece nos nossos dias orgulhosamente de pé, com a sua configuração única e facilmente reconhecível, guardadora dos segredos e mistérios dos seus dias áureos.

 

 

 

Croácia - diário de viagem - VI - Trogir ou um património da humanidade pouco conhecido

 

Ininterruptamente habitada desde a Pré-História até aos nossos dias, Trogir alia um património histórico e cultural invejáveis a uma localização geográfica privilegiada, e é uma das cidadezinhas mais encantadoras da Dalmácia. No entanto é – injustamente – pouco divulgada como destino turístico, pelo menos entre nós, mantendo-se na sombra de cidades como Split, Zadar e, obviamente, Dubrovnik. Mas (acreditem!) é um lugar imperdível.

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Por razões que explicarei no próximo post, o quinto dia da nossa viagem foi praticamente todo passado em Seget Donji. Só ao fim da tarde decidimos ir até Trogir para comprar comida no supermercado (o nosso apartamento tinha kitchenette) e jantar na cidade.

 

O centro histórico de Trogir, classificado pela Unesco como Património da Humanidade desde 1997, é uma pequena ilha quase colada ao continente, a norte, e separada da ilha de Čiovo, a sul, por um estreito braço de mar. Como em todos os centros históricos, no seu interior não há trânsito de veículos motorizados – até mesmo porque na maioria das ruas seria impossível passar algo maior do que uma simples bicicleta.

Trogir - medieval centre - viajarporquesim.blogs.p

 

Trogir - medieval centre - viajarporquesim.blogs.p

 

Por essa razão, mesmo antes de cruzar a ponte pedonal que nos leva ao centro histórico existem vários parques de estacionamento onde se pode deixar o carro – todos eles pagos, como seria de esperar, que o progresso já há muito tempo chegou à Croácia e já perceberam que o turismo é uma excepcional fonte de rendimentos em todas as vertentes. Mas adiante. Só a título de curiosidade, deixem-me dizer-vos que as cancelas do parque tinham um sistema de identificação de veículos por matrícula (que cá ainda não encontrei) que permitia não ser necessário usar qualquer ticket para sair: efectuado o pagamento na caixa, assim que nos aproximávamos da cancela ela levantava-se automaticamente ao identificar a matrícula do carro. Muito prático, e bem que podiam implementar o sistema aqui no nosso rectângulo.

Trogir - Marina and bridge - viajarporquesim.blogs

 

Da ponte pedonal vemos ao fundo, para oeste, os blocos de pedra cinzenta da Torre de São Marcos destacando-se no céu rosado do final da tarde. O canal da margem norte é uma espécie de prolongamento da marina que praticamente rodeia a ilha, e está cheio de pequenas embarcações. Num país com mais de 600 ilhas e ilhotas não podem faltar barcos, nem lugar para os atracar.

Trogir - St. Marcus Tower - viajarporquesim.blogs.

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Circunscrito por muralhas, o centro medieval de Trogir é pequeno, labiríntico e cheio de vida. Em tempos sob o domínio veneziano, entre os sécs. XV e XVIII, da época renascentista sobrevivem até hoje, muito bem preservados, inúmeros palácios, igrejas e torres. O ex libris da cidade é a Catedral de S. Lourenço (também conhecida como Catedral de S. João), com origens no séc. XIII mas cuja configuração actual data da remodelação de que foi alvo no séc. XV. Além da torre sineira que paira acima das três naves do edifício, o elemento que mais chama a atenção é a porta ocidental concebida e maioritariamente executada por Mestre Radovan, onde sobre os sempiternos leões (símbolo de Veneza) se erguem as figuras nuas de Adão e Eva, uma de cada lado da porta.

Trogir - Cathedral and statue of St. Lawrence - vi

 

Trogir - portal of St. Lawrence's Cathedral - viaj

 

Trogir - portal of St. Lawrence's Cathedral left s

 

Trogir - portal of St. Lawrence's Cathedral right

 

O largo onde se insere a Catedral está quase completamente ocupado por esplanadas, e à noite é iluminado em jeito de discoteca, com luzes psicadélicas de várias cores, às quais não escapam a Igreja de São Sebastião, a sua Torre do Relógio e a Loggia adjacente.

Trogir - St. Lawrence's cathedral  - viajarporques

 

Trogir- Loggia and Clock Tower - viajarporquesim.b

 

Mesmo em frente à Catedral ergue-se uma construção difícil de ignorar pela sua beleza: o Palácio Ćipiko, com as suas janelas em estilo gótico veneziano. Dentro do átrio, de portas abertas, está exposto um galo de madeira resgatado de uma galera turca que participou na batalha de Lepanto em 1571 – a batalha que travou definitivamente o avanço dos Otomanos pela Europa adentro.

Trogir - Ćipiko Palace - viajarporquesim.blogs.pt

 

Trogir - Ćipiko Palace- main hall - viajarporques

 

Trogir também tem uma Riva – um larguíssimo passeio pedonal à beira-mar cheio de esplanadas, limitado de um lado pelas muralhas da cidade e do outro pelos variados iates atracados na margem, com a Fortaleza Camerlengo no extremo oeste.

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Trogir - Riva and yachts - viajarporquesim.blogs.p

Trogir - Riva and city walls - viajarporquesim.blo

  

Durante a 2ª Guerra Mundial, Trogir foi bombardeada e o convento de S. Domingos, também do séc. XIII e um dos monumentos mais importantes da cidade, ficou muito danificado. Hoje completamente recuperado, é um dos edifícios que chamam a tenção quando passeamos na Riva, onde se perfilam também o Palácio Lučić, o Forte de S.Nicolau e mais à frente o Mosteiro de S.Nicolau.

Trogir - St. Dominic's monastery - viajarporquesim

 Trogir - St. dominic's Monastery and Riva - viajar

Trogir - Lucic palace - viajarporquesim.blogs.pt.j

 

Trogir - St. Nicholas' fort - viajarporquesim.blog

Trogir - St. Nicholas' convent - viajarporquesim.b

Trogir - portal - viajarporquesim.blogs.pt.jpg

  

A noite estava agradável e percorremos com calma as ruas e becos do centro medieval, até que finalmente decidimos parar para jantar no restaurante Capo (http://www.capo-trogir.com). Tem um pátio interior ao ar livre, trepadeiras nas paredes de pedra e uma decoração rústica com pormenores engraçados. A cozinha é aberta e o menu suficientemente variado. As paredes espessas resguardam o ambiente, que é tranquilo e confortável. Escolhemos o “Prato Azul”, com vários tipos de peixe marinado e salada, suficientemente leve para um jantar já um pouco tardio.

Trogir - restaurant Capo - viajarporquesim.blogs.p

 

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Trogir é uma cidade absolutamente romântica e cheia de encantos, que o seu aproveitamento turístico não consegue diminuir. Como bem o demonstra este vídeo promocional da Direcção de Turismo da cidade. Vejam… e apaixonem-se.

 

 

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