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Viajar. Porque sim.

Paixão por viagens, escrita e fotografia

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Milos, a ilha diferente

 

Quando se fala na ilha de Milos, os próprios gregos são unânimes:

é linda e diferente.

E eu concordo plenamente com eles.

 

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Milos é a ilha que se situa mais a sudoeste no arquipélago das Cíclades. Com uma área de apenas 158 km2, tem 125 km de costa e mais de 75 praias. O ponto mais alto é a montanha do Profeta Elias (751 m) e a sua população habitual é de cerca de 5000 pessoas.

É uma ilha vulcânica que emergiu do mar Egeu há mais de dois milhões de anos em consequência da redução da placa tectónica africana por pressão da placa eurasiática, e esta sua origem confere-lhe características naturais de grande beleza e originalidade. Verde e florida, com praias e formações rochosas multicoloridas, oferece uma diversidade de paisagens e locais de interesse que a tornam adequada como destino simultaneamente de praia e de viagem cultural.

Berço da civilização ocidental desde tempos pré-históricos, Milos atingiu o pico da sua importância no período clássico grego e romano, e é local de origem daquela que é sem dúvida a estátua de mármore mais famosa do mundo: a muito comentada Vénus de Milo, actualmente em exposição no Museu do Louvre em Paris.

As principais actividades económicas de Milos são a exploração mineira - os vastos depósitos minerais são a maior riqueza da ilha - e o turismo, que tem vindo progressivamente a adquirir maior importância.Milhos ilha.jpg

É possível voar para Milos pela Olympic Air (www.olympicair.com), com partida de Atenas. Há no mínimo um voo diário, e mais do que um em certos dias da semana na época alta. Para um bilhete de ida e volta, os preços variam entre cerca de 90€ e acima de 120€, dependendo do mês em que se viaja, e o voo demora 45 minutos.

A outra forma de chegar a Milos é de barco, seja ele ferry ou catamarã. Existem ligações diárias de e para o Pireu (o porto de Atenas) e com as principais ilhas das Cíclades, e semanais com muitas outras ilhas gregas. Para quem viaja do Pireu, uma viagem de ferry demorará um pouco mais de 7 horas, mas como o nome indica os ferries oferecem a possibilidade de levar carro, e disponibilizam quartos para quem quiser dormir no percurso (existem partidas nocturnas, em certos dias). Os “speed boats” são mais rápidos (cerca de 3-4 horas de viagem), mas obviamente mais caros – a viagem de ida e volta fica em 110-120€, contra cerca de 75€ num ferry.

Adámas é o porto principal, uma grande baía que é considerada o porto natural mais seguro do Egeu. A sua importância estratégica é tão grande que os alemães decidiram usar este porto como entreposto naval durante a Segunda Grande Guerra e só o libertaram mesmo no final, no mesmo dia que Berlim.

De Adámas partem autocarros para os pontos mais visitados da ilha, e perto do porto há sempre meia dúzia de táxis à espera de potenciais clientes. No entanto, a melhor maneira de ver a ilha é mesmo alugando um carro, pois há vários sítios onde só assim será possível chegar.

Milos não é das ilhas mais famosas, mas bem que o poderia ser, pois abriga alguns lugares absolutamente fabulosos e possuidores de um encanto muito próprio. Se decidir dar um pulinho até lá numas férias próximas, aqui fica uma lista do que não deve perder.

 

 

PLAKA

É a capital da ilha e situa-se na encosta de um monte, 220 metros acima do nível do mar, oferecendo a quem a visita vistas deslumbrantes de grande parte de Milos. Dista apenas cinco quilómetros do porto de Adámas e tem bastante oferta hoteleira, pelo que é uma boa opção como base para visitar toda a ilha. Tem casas brancas com janelas e portas coloridas de ferro forjado, varandas floridas, ruas íngremes bordejadas por buganvílias e hibiscos, e escadinhas feitas com pedras cinzentas contornadas com grossos riscos de tinta branca. Do adro da Panaghia Korfiatissa, a Catedral, é possível observar o espectáculo do sol a pôr-se lentamente sobre o Mar Egeu, tingindo de cores quentes um céu azul brilhante. O castelo veneziano no topo do monte data do séc. XIII e abriga no interior da sua muralha a igreja Messa Panaghia, também conhecida como Panaghia Skiniotissa. Na encosta, sobre um maciço de rocha escura, ergue-se a belíssima Panaghia Thalassitra, dedicada ao patrono dos marinheiros.

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ADÁMAS

Situada num dos maiores golfos naturais do Mediterrâneo, Adámas (palavra grega para diamante) é o principal porto e centro de actividade da ilha. Também conhecida pelo nome de Adamantas, mantém bem preservada a sua arquitectura do séc. XIX, que hoje está harmoniosamente misturada com as lojas, restaurantes e cafés típicos de todos os centros turísticos. Passeando ao longo da marginal que bordeja o porto a paisagem vai variando, desde a praia de Lagada no extremo norte, passando pelo cais dos veleiros destinados aos passeios turísticos e pelas esplanadas com móveis pintados nas cores do arco-íris, até à estreita faixa de areia onde barcos a remos e patos convivem por entre ancoradouros periclitantes de madeira e ferro. O mar parece um lago e no seu espelho verde-escuro reflectem-se as muitas embarcações ancoradas, com a zona montanhosa da ilha a servir de pano de fundo.

Em Adámas encontramos as igrejas Aghia Triada (Santíssima Trindade) e Aghia Haralambos, o cemitério francês usado nos anos da guerra da Crimeia, o Museu Mineiro e o Museu Marítimo.

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Mas o local a não perder é certamente o “bunker” construído pelas forças de ocupação alemãs durante a 2ª Grande Guerra para servir de abrigo nos bombardeamentos. Constituído por um túnel ramificado com mais de um quilómetro de comprimento e por doze câmaras, possuía um tanque de água e máquinas de dessalinização, que asseguravam a sua autonomia. É usado desde 2013 como galeria de exposição de trabalhos de jovens artistas – pintura, fotografia, instalações – muitos destes trabalhos concebidos especificamente para o espaço em questão e sobre a sua própria temática. Fresco, silencioso e apenas iluminado a espaços, proporciona-nos uma experiência sensorial diferente e inesperada.

 

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POLLONIA

Pequena vila turística que abriga o segundo porto da ilha, tem uma praia de areia delineada por tamarindos, igrejas brancas debruadas a azul estrategicamente colocadas para servirem de miradouro sobre as águas, com a ilha de Kimolos ao fundo, e agradáveis restaurantes e cafés com esplanadas mesmo à beira de água. Come-se bom peixe, além de outros pratos tradicionais gregos, enquanto alguns gatos pachorrentos se passeiam por entre as mesas, e a oferta de lojas e ruas para passeio é suficiente e variada quanto baste.

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KLIMA

É a aldeia piscatória mais bem conservada e pitoresca da ilha, e o que a torna tão especial são as “syrmata”: casas escavadas na rocha junto à linha de água cujo piso inferior servia de abrigo para proteger os barcos do mau tempo, e o superior para habitação dos pescadores. Pintadas de branco e com portas e janelas de madeira de cores vivas, a partir de meados do séc. XX estas habitações passaram a ser usadas como casas de fim-de-semana e depois foram convertidas em residências de Verão. O cais irregular de pedra e cimento e o aspecto ainda algo rudimentar das habitações encavalitadas umas nas outras, como que a apoiarem-se mutuamente para não caírem, compõem o seu ambiente de aldeia decrépita e meio abandonada com um charme particular.

 

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TRÍPITI

Entre Klima e Plaka encontramos a vila de Trípiti, situada numa área rica em história e sobranceira ao mar. Acima do casario branco destaca-se a imponente igreja de Agios Nikolaos, que data de 1888 e tem como característica peculiar o facto de a sua largura ser maior do que o seu comprimento, devido à falta de espaço no local onde foi erguida. No ponto mais alto da vila despontam vários moinhos de vento, alguns dos quais estão actualmente convertidos em habitações que podem ser alugadas para férias. Foi perto de Trípiti que em 1820 um camponês encontrou enterrada a famosa escultura da Vénus de Milo, num local que está actualmente assinalado com uma placa.

 

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AS CATACUMBAS

Descobertas em 1844, as Catacumbas de Milos são o segundo monumento paleocristão mais importante do mundo. Calcula-se que tenham sido construídas no final do séc. I e foram usadas não só como cemitério cristão mas também como igreja, na altura das perseguições por parte dos romanos. Situadas a sudoeste de Trípiti, foram escavadas num subsolo de pedra-pomes cerca de 150 metros acima do nível do mar. Existem três catacumbas no total, interligadas entre si, formando um labirinto com um comprimento explorado de 184 metros. Não é possível visitá-las em toda a sua extensão, mas apenas percorrer uma das câmaras (ou arcada).

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(foto de protothema.gr)

 

CABO VANI

Designando o ponto oeste de entrada no Golfo de Milos, há milhões de anos atrás o Cabo Vani era o fundo da cratera de um vulcão submarino. Por esse motivo, formaram-se ali grande depósitos de manganésio, que começaram a ser explorados em 1898. Encerradas as minas em 1928, subsistem a suas ruínas e as marcas dessa exploração no solo e na paisagem: abruptos cortes verticais na rocha, uma área a céu aberto coberta de areia amarela e avermelhada e edifícios reduzidos a pouco mais do que paredes de pedra. O que resta do porto de atracação apenas pode ser visto quando se chega de barco. Existe ainda uma pequena praia entre as paredes rochosas, raramente visitada.

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PALIOREMA

De difícil acesso (apenas por barco ou por uma estrada de terra batida), a praia de Paliorema é a mais estranha de toda a ilha. Até meados do séc. XX existiu junto à praia uma exploração mineira de enxofre, hoje completamente desactivada e em ruínas. Os edifícios destelhados e sem janelas ou portas expõem aos elementos a maquinaria que nunca foi retirada do local. Está tudo ao abandono e sem quaisquer condições de segurança, por isso há que ter extremo cuidado ao visitar estas ruínas, pois o risco de colapso das estruturas é grande. Pela mesma razão se desaconselha a entrada nos túneis subterrâneos.

Na praia, a areia é dourada e cheia de pedrinhas multicoloridas, e o mar é profundo e apresenta uma cor ciano pouco vulgar, influências nítidas da alta concentração mineral do solo.

 

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(foto de balazsbea)

 

SARAKÍNIKO

A praia de Sarakíniko é o postal ilustrado mais bonito da ilha de Milos e justamente considerada uma das mais belas (e invulgares) praias do mundo. Rochas completamente brancas, fortemente erodidas pelos ventos e pela água, projectam-se horizontalmente sobre um mar turquesa cristalino. A ausência de vegetação contribui para dar ao local um aspecto lunar. Entre as rochas esconde-se uma pequeníssima praia de areia clara com uma enseada de águas pouco profundas, um local particularmente agradável para descansar, apanhar sol e tomar banho. Subindo ao topo das rochas é possível avistar, para a direita, os vestígios de um navio ali naufragado.

Outra faceta particularmente encantadora de Sarakíniko é revelada em noites de lua cheia, com o luar a reflectir-se vividamente no branco-de-neve das rochas, criando uma paisagem inesquecível.

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KLEFTIKO

Vale a pena fazer um passeio de barco em torno da ilha para visitar Kleftiko, que só é acessível por mar. Local de imponentes formações rochosas que escondem uma baía de águas cristalinas e uma pequena praia, é um dos mais impressionantes cenários que Milos tem para oferecer. Consta que em tempos idos foi esconderijo de piratas, em virtude das várias cavernas naturais que se encontram disfarçadas por entre as rochas.

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(foto de patlakas.wordpress.com)

 

PAPAFRAGAS

Perto de Pollonia encontramos as cavernas submersas de Papafragas, com uma estreita tira de praia rodeada por um fiorde rochoso longo e estreito formando uma espécie de piscina que desagua no mar aberto. A rocha é branco-acinzentada e as águas límpidas e brilhantes, de um azul sulfúrico, vão mudando de tonalidade consoante o tempo e a luz.

 

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