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Viajar. Porque sim.

Paixão por viagens, escrita e fotografia

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A outra face de Ios - Parte 3

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Já falei aqui sobre a simpatia e a eficiência dos gregos que trabalham na indústria hoteleira, e tivemos mais uma prova disso na manhã seguinte, quando voltámos a Hora com a intenção de comprar os bilhetes do ferry que nos levaria a Milos, a ilha para onde queríamos viajar a seguir.

À entrada da vila parámos no “Thai Palace”, uma espécie de snack-bar que tinha um alpendre apetecível com vista sobre a encosta de Hora. A fome apertava, por isso optámos por um pequeno-almoço inglês completo, que foi servido após pouco tempo de espera e nos deixou prontas para mais uma caminhada.

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A Acteon Travel (www.acteon.gr) tem um dos seus escritórios quase ao lado de Aghia Ekaterini. O rapaz atrás da secretária parecia um bocado embrenhado demais no seu computador e cumprimentou-nos com um olho no ecrã e sem grandes sorrisos. Dissemos ao que íamos, ele fez uns esgares, teclou rapidamente e disse-nos que iria necessitar de confirmar se havia realmente bilhetes disponíveis. Fez um telefonema e depois pediu-nos para esperarmos uns minutos pela resposta. Entretanto entraram mais umas pessoas, que ele atendeu enquanto nós nos entretínhamos a olhar para cartazes e folhetos. Ao fim de uns bons dez minutos lá chegou a confirmação, e os bilhetes foram emitidos. Perguntou-nos se já tínhamos onde ficar em Milos, sugeriu-nos um hotel, mostrou-nos as fotos no computador, e telefonou para reservar. Isto tudo em menos de nada. Depois falámos do ferry de Milos para Atenas, dissemos que pensávamos apanhar um barco que iria fazer a viagem de noite, e aí ele voltou a franzir o sobrolho. Mais uns toques no teclado, e deu-nos uma má notícia: esse ferry nocturno tinha sido suprimido recentemente. Teríamos de ir num outro mais cedo e passar uma noite em Atenas. Aparentemente, é comum fazerem estas alterações aos horários dos barcos com pouco tempo de antecedência, por isso aqui fica o meu conselho: é preferível comprar as passagens entre ilhas com alguma folga, para evitar que os bilhetes esgotem, sobretudo na época alta e quando os barcos são pequenos, mas não demasiado tempo antes, para evitar surpresas desagradáveis se fizerem alterações de última hora. Creio que o ideal será dois ou três dias antes da viagem, ou até mesmo de véspera, se o percurso não for muito concorrido.

Abreviando a história: acabámos por reservar também os bilhetes de ferry entre Milos e o Pireu, e ainda um hotel para passarmos a última noite em Atenas, tudo isto enquanto o diabo esfregou um olho. Para quem ia apenas comprar os bilhetes para uma viagem … A verdade é que a primeira (menos boa) impressão que tivemos do empregado da agência acabou por se revelar totalmente infundada, e ele foi na realidade muitíssimo prestável e eficiente.

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Problemas logísticos resolvidos, voltámos a percorrer as ruelas de Hora, desta vez de dia e com sol alto. As lojas estavam todas abertas, muitas delas com mercadoria exposta no exterior para chamar os passantes. Hora tem um certo ambiente “hippie chic”, as paredes das casas imaculadamente brancas a reflectirem a luz do sol, as portas e janelas em tonalidades variadas de verde e azul aqui e ali quebradas por outras cores, buganvílias a competirem pelo protagonismo ao lado de roupas coloridas. A calma sonolenta da noite anterior prolongava-se pela manhã, havia pouca gente a passear, a vila estava posta em sossego.

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Numa lojinha minúscula comprámos fotos com paisagens da ilha transformadas em postais pela própria fotógrafa e vendedora, uma jovem simpática e cheia de talento.

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Entretanto o calor já apertava, e regressámos ao hotel para umas horas de descanso e para aproveitarmos a excelente piscina do hotel. A tarde passou-se na preguiça habitual das férias, entre mergulhos na água fresca da piscina e leituras na espreguiçadeira à sombra do chapéu-de-sol, intercalados com dois dedos de conversa e uma breve sesta. O prazer de não fazer nada…

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Ao fim da tarde, com o crepúsculo a adensar-se lentamente, descemos mais uma vez até à praia de Mylopótas para um passeio na marginal até ao outro lado da baía. O mar parecia um espelho onde se reflectiam os tons alaranjados do céu e se imobilizavam pequenos veleiros brancos. Adolescentes jogavam à bola na areia, e os bares à beira da estrada estavam desertos. Um deles, o Free Beach Bar, chama a tenção pela sua originalidade. É um espaço muito amplo totalmente ao ar livre, com apenas algumas zonas cobertas. Piso branco pontilhado de pedaços irregulares de pedra da região, onde as palmeiras se misturam com cadeiras e grandes candeeiros de metal recortado e pintado com cores fortes, espreguiçadeiras almofadadas, mesas e balcões também coloridos. Um verdadeiro bar de praia, preparado para a animação sobretudo nocturna, mas que estava completamente posto em sossego, pelo menos àquela hora.

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O nosso destino final era a Drakos Fish Taverna, um restaurante situado no extremo da praia de Mylopótas com uma esplanada instalada num cais de cimento mesmo sobre a água. Visto de longe à medida que nos aproximávamos, com os seus candeeiros altos de recorte clássico e as muitas mesas e cadeiras já quase totalmente ocupadas, silhuetas negras sobre o céu crepuscular e o brilho nacarado da água parada, tive a sensação de que estava a olhar para um quadro veneziano. Apaixonada que já estava pela ilha, aquele ambiente encantador foi o detalhe que faltava para colocar Ios na minha lista de lugares especiais – aqueles que quero rever e onde poderia viver sem problemas e sentir-me em casa.

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O jantar também não podia ter corrido melhor. O Drakos é um restaurante despretensioso e decorado com simplicidade. O serviço é simpático e suficientemente rápido, e uma janela grande completamente aberta para a esplanada permite ver uma parte da cozinha onde são preparadas as refeições. O menu é essencialmente constituído por pratos de peixe e outros produtos marinhos, peixe esse que é amanhado ali mesmo, numa mesa colocada à beira do pontão, e com água retirada do mar com um balde.

Escolhemos choco assado e petinga frita, tudo acompanhado de salada e de um vinho branco bem geladinho. A comida estava divinal, absolutamente fresquíssima e com aquele sabor intenso a mar que eu adoro mas infelizmente hoje em dia não é frequente conseguir encontrar. Eu que nem sou apreciadora de petinga, comi até não poder mais, e ainda lambi os dedos no fim. Para sobremesa trouxeram-nos alperces colhidos das árvores dos próprios donos do restaurante, que estavam doces, doces. A conta foi outra agradável surpresa, uns meros 25 euros no total, o que é francamente muito em conta para um jantar daquela qualidade para duas pessoas. Fiquei completamente rendida àquela refeição, que foi o remate perfeito para um dia de férias mais-que-perfeito.

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Era infelizmente a nossa última noite em Ios e já estávamos com pena de não termos reservado mais dias para permanecer na ilha, onde a nossa curta estadia ultrapassou de longe as expectativas. No dia a seguir ainda tivemos uma manhã inteira para aproveitar o sol e a belíssima paisagem de Ios antes de partirmos para outras paragens, mas a verdade é que saímos de lá com a vontade – e a promessa! – de voltar.

Porque há lugares assim, que nos cativam de forma inexplicável…