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Viajar. Porque sim.

Paixão por viagens, escrita e fotografia

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Paixão por viagens, escrita e fotografia

A Grécia em onze minutos

Continuando o tema da Grécia, a Aegean Airlines (a operadora aérea grega low cost) fez um pequeno mas muito inspirado filme que divulga alguns locais e aspectos turísticos deste país (embora na verdade algo enganador quanto à identificação dos locais mostrados). Para abrir o apetite para umas próximas férias.

 

 

ILHAS GREGAS - Notas de viagem

 

 

Fuso horário

A Grécia está duas horas adiantada em relação a Portugal.

 

 

Quando ir

Esqueçam Julho e Agosto. Além de ser tudo mais caro, há multidões de gente em todo o lado. Em Junho os dias são grandes e o tempo já está habitualmente muito agradável, embora seja bom contar com alguma variação de temperatura e por vezes mesmo um chuvisco. Setembro também é um mês excelente para visitar as ilhas gregas: o tempo ainda está quente e conseguem-se algumas boas promoções nos hotéis. No Outono e no Inverno muitos estabelecimentos hoteleiros encerram, e o clima instável não favorece as viagens de barco entre ilhas.

 

O que comer

Há de tudo um pouco, desde fast-food até comida asiática, mas recomendo sem dúvida os pratos típicos. O queijo é presença quase constante na comida tradicional grega, sobretudo o feta, muito usado nas saladas. As carnes grelhadas são excelentes, desde o porco ao frango, e há souvlaki (espetadas grelhadas) de tudo – de peixe, de marisco, de todos os tipos de carne, e com misturas várias. Gyros é carne grelhada em espetos giratórios (de forma idêntica ao doner kebab turco), depois cortada em lascas e misturada com tomate, cebola e molho tzatziki (feito com iogurte e pepino), por vezes também com batata frita, e enrolada em pão pita. Moussaka é um tipo de empadão de carne moída misturada com batata, beringelas e molho de tomate, com uma “tampa” de molho branco, tudo cozinhado no forno (de preferência em tachinhos de barro). Uma entrada popular é imam bayildi, beringela recheada com tomate, cebola, alho e salsa e depois assada no forno. A influência italiana nota-se no pastitsio, uma espécie de lasanha feita com macarrão, carne picada, molho de tomate e béchamel. Quanto às sobremesas, a dificuldade está em escolher. Desde a deliciosa baklava (massa filo recheada com frutos secos e mel) ao kataifi (também com frutos secos e mel, mas com uma massa filo na forma de fios fininhos), passando pelas pequenas tartes com cremes variados e frutas envoltas em mel, ou o pudim halva, há todo um mundo doce a descobrir. Os gelados italianos e os de iogurte grego, todos nos mais variados sabores, são também omnipresentes.

    

 

Onde ficar

A dificuldade está na escolha, pois há ofertas para todos os gostos e bolsas, desde hotéis de luxo com todo o tipo de comodidades e extras até aos alojamentos mais baratos – a relação qualidade é quase sempre correcta, e mesmo os pequenos hotéis mais em conta são confortáveis e bem arranjados. Na grande maioria será necessário pagar o pequeno-almoço à parte, ou então optar por tomá-lo fora; há inúmeros cafés e snack-bars por todo o lado, e normalmente disponibilizam menus com vários tipos de pequeno-almoço, a preços idênticos ou até ligeiramente mais baixos do que os dos hotéis. Em contrapartida, todos ou quase todos oferecem transfer gratuito de e para o porto (ou aeroporto, quando existe) que serve a ilha, bastando para isso avisar com alguma antecedência. Também todos, mesmo os mais modestos, disponibilizam rede sem fios para os seus clientes, embora nalgumas ilhas a velocidade possa ser algo baixa. Mesmo fora da época alta, convém fazer marcação com pelo menos um ou dois dias de antecedência, seja pela net, seja numa das inúmeras pequenas agências de viagem locais que há em todas as ilhas e que tratam de tudo, desde a venda de bilhetes para os ferries até à organização de excursões.

         

 

O que comprar

A parafernália habitual das zonas turísticas é abundante e imensamente variada. Mas há muito mais para além disso: joalharias com peças de design elaborado (e preços a condizer…), artesanato original e primorosamente executado, obras de arte com grande qualidade – em resumo, tudo o que se desejar, e mais ainda. Difícil é resistir às tentações, por isso convém deixar algum espaço livre ao fazer a mala, porque de certeza virá cheia no regresso.


  
  

 

As pessoas

Os gregos que trabalham na indústria hoteleira e da restauração são, quase sem excepções, extremamente simpáticos, prestáveis e eficientes. Falam inglês pelo menos o suficiente para nos entenderem, e alguns até mesmo um inglês excelente. São bem-dispostos e educados, e mesmo as pessoas mais velhas parecem estar habituadas ao turismo e não dispensam aos estrangeiros mais do que uma leve curiosidade. Nas zonas mais movimentadas, onde os restaurantes competem uns com os outros, oferecem os seus serviços à porta do estabelecimento, mas nunca se tornam inconvenientes.

 

   

 

Os transportes

Os ferries e os barcos rápidos (habitualmente catamarãs) são a forma mais prática de viajar dos portos de Pireu e Rafina para as ilhas, e entre as próprias ilhas. Há ligação de Atenas para o Pireu por metro (vinte minutos de viagem a partir do centro) e para Rafina por autocarro (cerca de uma hora e meia a partir do centro, menos tempo se for a partir do aeroporto de Eleftherios Venizelos). As ilhas maiores têm ligações mais frequentes, enquanto que as pequenas às vezes apenas têm uma por semana. Há catamarãs que apenas transportam passageiros (não fazem serviço de ferry) e todos eles são bastante mais caros do que os barcos regulares, mas cobrem as distâncias em metade do tempo ou menos e são extremamente confortáveis. A bordo das embarcações existem snack-bars que servem bebidas várias, sanduíches, pastéis variados e tartes, bolos, aperitivos salgados, e mesmo saladas e hambúrgueres – enfim, o suficiente para nãos e passar fome durante a viagem. A oferta é proporcional ao tamanho das embarcações e à duração dos trajectos, sendo que alguns podem demorar oito horas ou até mais. Os ferries maiores têm vários pisos, decks abertos para fumadores e para quem quer apreciar a paisagem e o ar fresco, zonas de refeição, áreas com sofás e pequenas poltronas confortáveis, airseats (poltronas estofadas, com braços e reclináveis), cabinas para dormir (alguns barcos fazem o percurso durante a noite), lojas, jogos electrónicos e – porque é permitido levar animais – até mesmo canis! Há também lugares especiais para deixar a bagagem mais pesada e que, apesar de serem abertos, são absolutamente seguros. Os telemóveis têm sempre rede. Há tomadas para ligar carregadores e até mesmo rede wifi – mediante o pagamento de uma quantia. As tripulações são simpáticas e prestáveis, e todos os membros falam inglês.

 

    

 

Para as deslocações dentro de cada ilha, tudo depende do que se pretende ver e do tamanho da ilha. Os autocarros são uma boa escolha para deslocações esporádicas, e nalgumas ilhas a oferta é frequente e cumprem os horários. No entanto, noutras já não será tanto assim. Os táxis não são caros e poderão ser uma boa opção para certas situações. Mas se a ilha for maiorzinha e pretenderem visitá-la de uma ponta à outra, então o melhor mesmo é alugar um carro. Os alugueres são em conta, mesmo que seja só para um dia (são mais baratos do que em Portugal), e alugar um carro permite liberdade de movimentos e horários, e muitas vezes acesso a locais que de outra forma será impossível visitar.

 

O que fazer 

Cada ilha tem as suas particularidades e os seus encantos, mas há características comuns a todas elas. Praias das mais variadas, para aproveitar desenfreadamente ou apenas em pequenas doses, passeios de barco à volta da ilha (por vezes há praias onde só se chega de barco) ou a ilhas próximas, enchendo os olhos com aquele mar cor de esmeralda, ruínas milenárias, capelas e igrejas (o interior das igrejas ortodoxas é habitualmente fascinante). Os centros históricos das cidades e vilas mais antigas, com as suas ruazinhas estreitas e sinuosas, por vezes cheias de degraus, com mais ou menos comércio, e com agradáveis surpresas ao virar de uma qualquer esquina insuspeita. Seja grande ou pequena a ilha que se visita, monotonia é palavra que não tem cabimento. Mesmo para os espíritos mais exigentes.

    

ILHAS GREGAS para todos os gostos

Para quem acha que as ilhas gregas se resumem a Santorini, Mikonos e Creta e que a melhor maneira de as visitar é em cruzeiro, aqui fica um aviso à navegação: na Grécia há um admirável mundo de pérolas que as agências de viagem parecem desconhecer e que vale absolutamente a pena visitar e explorar. Afinal, são quase 1400 ilhas, das quais 227 habitadas, embora apenas 78 tenham mais de 100 habitantes. Suficientes para muitas e boas descobertas.

Segundo aviso: viajar nas ilhas gregas é uma agradável surpresa. Falo por mim, que há poucos meses não tinha a Grécia como destino preferencial de viagem e agora estou ansiosa por lá voltar. Embora tenha visitado poucas ilhas – afinal, foram apenas 12 dias… – vim de lá completamente rendida ao encanto daquelas paisagens meio áridas cheias de casas brancas, de igrejas também brancas com cúpulas azul-vivo, de areias de várias cores e águas em tons turquesa e esmeralda. E rendida também à simpatia e ao profissionalismo dos gregos, e à excelente cozinha típica (e não só) que oferecem em todo o lado, a preços absolutamente acessíveis.

O principal senão de viajar até à Grécia sem ser em pacote de viagem comprado numa agência (porque o leque de escolhas que as agências oferecem é reduzido e dispendioso) é a ausência de voos directos entre Lisboa e Atenas. É sempre preciso fazer escala em qualquer cidade pelo meio, o que aumenta para 9 ou 10 horas no mínimo uma viagem que se faria normalmente em não mais do que 5 horas. De onde resulta que é quase uma impossibilidade conseguir chegar a uma ilha grega sem ter de ficar uma noite em Atenas (ou noutra cidade) – embora nalguns casos, e nalgumas datas, seja possível fazer de noite a viagem de ferry até à ilha escolhida. No entanto, qualquer que seja a opção, é um pequeno sacrifício facilmente esquecido assim que chegamos ao nosso destino.

Com tantas ilhas, a tarefa mais difícil é mesmo escolher qual delas visitar primeiro. A minha sugestão é eleger uma que tenha ligações diárias ao Pireu ou a Rafina (os portos mais perto de Atenas) e depois visitar outras ilhas que estejam geograficamente próximas. Uma boa opção são as Cíclades, um arquipélago com mais de 200 ilhas no Mar Egeu onde encontramos provavelmente as características mais típicas das ilhas gregas distribuídas pela maior variedade de paisagens.

É nas Cíclades que se incluem Santorini, Mikonos e Naxos (a ilha com maior área). De cada uma destas três ilhas é possível chegar a pelo menos oito outras ilhas habitadas do arquipélago, o que oferece uma imensa gama de possibilidades de escolha.

Como aperitivo, aqui ficam fotografias e um breve resumo sobre algumas delas.

 

SANTORINI

 
 

Na verdade, a ilha que conhecemos como Santorini chama-se Fira. É uma ilha em forma de crescente lunar e a maior do pequeno arquipélago que sobrou de uma enorme erupção vulcânica ocorrida há cerca de 3500 anos. A lagoa que banha a costa ocidental da ilha esconde a 400 metros de profundidade a cratera do vulcão original. A cidade de Fira, a capital, é uma vertigem de branco e azul encarrapitada nos penhascos 300 metros acima do mar. Disputa o lugar de cidade mais visitada e fotografada com Oia (lê-se Ía), situada no extremo noroeste da ilha, famosa pelo seu pôr-do-sol, que todos os dias atrai centenas e centenas de turistas ansiosos por encontrarem o melhor lugar para assistirem ao espectáculo gratuitamente proporcionado pela mãe-natureza. Do arquipélago fazem ainda parte as ilhas de Thirasía, Nea Kameni e Palea Kameni, e o ilhéu Aspronisi.

 

THIRASÍA

 

NEA KAMENI

 

NAXOS

  

É a maior ilha das Cíclades e uma das mais populares em termos de turismo. Com uma geografia acidentada de grandes elevações e vales profundos, Naxos é dona de uma herança arqueológica que data da pré-história, de uma arquitectura própria modelada pelos hábitos culturais de diferentes povos, e de inúmeras praias de todos os géneros, desde as mais familiares ou ideais para a prática de desportos náuticos, até às mais resguardadas e românticas, perfeitas para descansar longe das multidões.

 

PAROS

 

Ilha montanhosa, onde o Monte Marpissa atinge os 724 metros de altura, Paros tem um lugar importante na História principalmente devido às suas pedreiras de mármore, de onde na Antiguidade se extraiu a pedra para muitas esculturas e construções. A ilha tem excelentes infra-estruturas turísticas e boas praias e, sendo bastante ventosa, é particularmente procurada para a prática da vela e do windsurf. Vilarejos com casas caiadas de branco e ruazinhas estreitas, igrejas, ruínas e típicos portos de pesca compõem o tradicional quadro de ilha grega a que Paros também não foge.

 

IOS

 

Ios tem a fama de ser uma ilha vocacionada para o turismo jovem, onde a animação e o desassossego são constantes – e isto até pode ser verdade nos meses de Julho e Agosto. Mas esta ideia divulgada de Ios não podia ser mais redutora. É uma ilha pequena mas cheia de encanto, que possui uma mão cheia de óptimas praias e o impressionante número de 365 igrejas e capelas, muitas delas concentradas em Hora, a capital, uma vilazinha que é simultaneamente típica e cosmopolita.

 

MILOS

 

O melhor adjectivo para descrever Milos é “diferente” – e são os próprios gregos que o dizem. Geologicamente distinta das outras ilhas cicládicas, devido à sua origem vulcânica, oferece a quem a visita uma paleta de paisagens muito variadas e cheias de beleza, formações rochosas únicas e uma miríade de tons de água. Habitada desde há 12000 anos, foi aqui encontrada a famosa Vénus de Milo, e uma das principais atracções da ilha são as Catacumbas cristãs de Trípiti, entre outros vestígios arqueológicos igualmente importantes. Fica em Milos aquela que é provavelmente a praia mais original das Cíclades, e uma das mais bonitas do mundo – a praia calcária de Sarakíniko.

 

SERIFOS

 

Serifos é uma ilha pacata com apenas cerca de 1500 habitantes fixos, mas que pode orgulhar-se de ter uma das mais bonitas Hora (“aldeia” em grego, sendo actualmente o nome dado à capital de várias ilhas) das Cíclades e, além disso, nada mais, nada menos do que 72 praias. A de Psili Ammos é a mais famosa e considerada uma das melhores da Europa. A ilha desenvolveu-se no final do séc. XIX devido à exploração mineira dos seus extensos depósitos de ferro, mas as minas foram encerradas nos anos 60 do século passado, sendo o turismo e alguma agricultura as suas principais actividades económicas nos dias de hoje.

 

SIFNOS

 

A montanhosa Sifnos é visualmente surpreendente e distinta da maioria das outras ilhas. Sossegada e familiar, tem uma variedade de praias de areia branca, de pedrinhas ou rochosas, algumas delas com bandeira azul. Uma das melhores é Kamares e, por mais estranho que pareça, é também o porto principal da ilha. Apesar disso, é uma praia com águas límpidas e um extenso areal bem cuidado, resultado visível do facto de a ilha ter sido a primeira, há já muitos anos, a ligar os seus esgotos a um sistema de tratamento de águas residuais. A ilha é também conhecida por ser, nas Cíclades, aquela onde se come melhor.