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Viajar. Porque sim.

Paixão por viagens, escrita e fotografia

Viajar. Porque sim.

Paixão por viagens, escrita e fotografia

Diário de uma viagem à Costa Rica IV

Dia 4

 

Tempo para descontrair no alpendre da Casa Marbella, desfrutando de mais um óptimo pequeno-almoço e depois na companhia de um livro. O canal reflectia o cinzento do céu que ameaça chuva. A calma e a lassidão tomaram conta de nós e até mesmo de um cão de pêlo claro, que decidiu ficar por ali deitado.

 

 

Depois de mais um longo passeio pela aldeia, chegou a altura de fazermos as malas e despedirmo-nos da Gina e do seu filho mais novo, um bebé irrequieto que não gostava de dormir durante a noite. Aproveitámos também para olhar uma última vez a lindíssima paisagem da lagoa, mas fomos interrompidos pelas exclamações de entusiasmo de um homem, provavelmente um habitante local, que do alpendre da casa ao lado nos apontava algo que boiava ao sabor da corrente. Aos nossos leigos olhos de europeus habitantes de uma cidade, parecia um tronco ou um detrito qualquer. “Un perezoso!”, informou-nos. E só então percebemos que se tratava de uma preguiça, boiando de costas e deixando-se levar pela corrente para se deslocar de um lado para o outro. Estava um pouco longe e não conseguimos vê-la bem, mas descobrir que um animal supostamente tão calmo e que passa a vida nas árvores pode deslocar-se na água e, mais ainda, ter inteligência suficiente para aproveitar a corrente a seu favor, foi na verdade uma surpresa. Uma das muitas que ainda estavam para vir.

 

 

 

Às onze e um quarto iniciámos mais uma viagem de barco pelos canais de Tortuguero, por um percurso diverso daquele por onde tínhamos chegado. Depois de muitos pedidos de informação e averiguações, tínhamos acabado por chegar à conclusão de que a melhor maneira de irmos de Tortuguero ao Arenal seria em carrinha privada, pois em transportes públicos haveria que apanhar vários autocarros e seria impossível chegarmos a La Fortuna no mesmo dia. Apesar de substancialmente mais cara, é uma viagem menos cansativa e neste caso poupar-nos-ia tempo precioso.

 

O barco em que saímos de Tortuguero dirigiu-se para “La Geest”, uma plantação de bananas explorada por holandeses. Além de nós, apenas um casal de turistas alemães com uma mala enorme, que fazia as nossas parecerem simples mochilas, e alguns habitantes locais que transportavam compras e foram desembarcando ao longo do trajecto de pouco mais de uma hora. O canal era diferente daquele por onde tínhamos chegado, mais largo e com vegetação menos densa. A embarcação ruidosa foi dobrando curva após curva, o condutor evitando os ramos de árvores à deriva com a destreza de quem está familiarizado com o percurso, e para nossa emoção a passagem veloz do barco arrancou mais do que uma vez um ou outro caimão do seu descanso na margem, fazendo-o esconder-se dentro de água.

 

Depois de mais de meia hora de espera na plantação e um breve encontro com alguns macacos-uivadores, o minibus da Pura Vida Tours chegou finalmente. Condutor simpático, ar condicionado, mas estradas igualmente más até Cariari, onde retomámos o asfalto e o percurso passou a ser mais confortável. Foi uma viagem de quase quatro horas e meia sem história, com apenas uma curta paragem numa soda à beira da estrada para um café e a inevitável ida à casa de banho. As sodas são locais populares onde é possível comer uma refeição sem gastar muito dinheiro, embora na realidade a qualidade da comida e o nível dos preços varie bastante de local para local. Neste caso pagámos 400 colones por um café, o que equivale a um pouco mais de 53 cêntimos, o café mais barato de toda a viagem. A Costa Rica produz óptimo café, mas os ticos bebem-no habitualmente à americana, com muita água, embora também seja possível beber um expresso – que obviamente é mais caro. Atendendo a que é um país produtor de café e tem um nível de vida algo mais baixo que o nosso, na Costa Rica um café é caro.

 

Chegámos a La Fortuna às cinco e meia, chuviscava e já estava a escurecer. Não tínhamos hotel marcado mas bastou uma volta rápida pelas ruas que rodeiam a igreja para encontrar um hotel razoável para nos alojarmos. La Fortuna vive à sombra do vulcão Arenal e do turismo por ele gerado, e por isso a oferta hoteleira é abundante e para todas as bolsas. A recepcionista do Hotel Paraíso Tropical era uma jovem simpática, prestável e bem informada. Esclareceu amavelmente todas as nossas questões e como o hotel tinha a sua própria agência de viagens, ofereceu-nos um desconto sobre qualquer excursão que marcássemos.

 

 

O hotel fica situado em frente ao jardim, mesmo no centro de La Fortuna. É um edifício sobrecomprido com apenas dois pisos, exteriormente forrado de madeira, que lhe dá um aspecto rústico e acolhedor. Tem parque de estacionamento privado e o acesso às habitações é feito pelas varandas, também em madeira. Os quartos são simples mas muito espaçosos, têm duas camas grandes e uma kitchenette, televisão e ar condicionado. Sem excepção, todos os hotéis e albergues em que ficámos nesta viagem, independentemente da categoria, não tinham banheira mas sim uma box(geralmente grande) com chuveiro.

 

Ficar no coração de La Fortuna em vez de num dos muitos hotéis e lodges espalhados um pouco por toda a parte em redor do vulcão Arenal teve as suas vantagens. Uma delas, não de somenos importância, foi o facto de estarmos mesmo ao pé de vários restaurantes. O Lavas Rock Café fica quase ao lado do hotel, e um roteiro tinha-o indicado como um dos melhores locais para comer, por isso optámos por jantar ali mesmo. E a recomendação provou ser mais do que justa. Pedimos casados, prato típico da Costa Rica que consiste em carne de um determinado tipo (à escolha) acompanhada de batatas fritas, salada, fritos de milho e arroz (normalmente gallo pinto, arroz de feijão vermelho), que acompanhámos com sumos de fruta frescos e deliciosos.

 

Depois do jantar, uma breve volta pelo centro da cidade, que não tem muito que ver: uma igreja de linhas simples e modernas, com interior a condizer (particularmente chamativo é o efeito do chão, com mosaicos grandes em três cores) e um jardim florido à frente, lojas e hotéis em edifícios baixos e ruas não muito largas mas arejadas, onde normalmente o trânsito flui apenas num sentido. Ao fundo da estrada principal que atravessa a localidade, o vulcão – para nós apenas imaginado, pois as nuvens baixas e a escuridão não permitiam sequer ver a encosta, muito menos a lava que jorra (dizem) quase constantemente do Arenal.

 

 

Diário de uma viagem à Costa Rica III

Dia 3

Levantámo-nos mais uma vez de madrugada, o que acabou por ser uma constante durante praticamente todos os dias destas férias. Às cinco e meia da manhã já estávamos a tomar café no alpendre em frente ao rio, onde conhecemos o Alex, que nos iria guiar numa visita de bote pelos canais da reserva de Tortuguero. Já era dia claro e o calor começava a fazer-se sentir. Menos de uma hora depois encontrávamo-nos no rio, sete pessoas num bote azul claro que parecia muito pequeno para a grande dimensão da Laguna de Tortuguero.
 Depois de uma paragem para comprar os acessos ao parque (que servem para o dia inteiro) na bilheteira, que imita um barco e é acessível tanto pelo lado da aldeia como pelo lado da água, a aventura começou. O bote era impulsionado com pagaias e por isso fomos atravessando o canal devagar até à outra margem. A primeira coisa que o Alex nos mostrou foram os ninhos das oropêndulas, suspensos de árvores altíssimas e com um formato peculiar. Depois vimos um grupo de macacos-uivadores, tão disfarçados no meio dos ramos que não teríamos reparado neles se o guia não nos tivesse chamado a atenção. Entrámos a seguir num canal mais estreito, e a vegetação era de tal modo cerrada que mais uma vez me senti como se estivéssemos na selva. Tudo estava calmo e só se ouvia o barulho dos remos na água e os sons das aves. A Costa Rica tem centenas de espécies de aves diferentes, e os sons que elas emitem acompanham-nos por todo o lado, alguns deles bem estranhos. Vimos anhingas, garças-tigrinas e garças azuis. Curiosamente, as garças azuis são brancas enquanto ainda jovens. As garças-trigrinas ficam quietas nos ramos, tentando secar-se ao sol, e de vez em quando esticam o seu longo pescoço. E vimos borboletas de várias cores, entre elas as Morphos, que são muito grandes e de um azul cintilante absolutamente espectacular. Todo este ambiente era absolutamente novo para nós e a câmara não parava de disparar, numa tentativa vã de captar todos os pormenores para nada ser esquecido.


 Mais à frente, no tronco de uma árvore, imóvel como se de uma folha se tratasse, um basilisco verde. Também lhes chamam lagartos de Jesus Cristo, e têm a particularidade de correrem sobre a água. Segundo o Alex, fazem-no pouco frequentemente e só para se exibirem. Este deu-lhe razão, pois não se mexeu de onde estava, nem mesmo com uma série de pessoas a olharem para ele e a levar com flashes das máquinas fotográficas.

O guia explicou-nos que tinha chovido nos últimos dias e por isso o nível das águas estava bastante alto, entrando pela floresta adentro, pelo que muitos dos animais preferiam manter-se mais para o interior, fora da nossa vista. Como que a contrariá-lo, pouco depois uma sombra deslizou pela superfície da água, mais à frente do nosso lado esquerdo. Era nada mais nada menos do que um caimão, de um tamanho razoável mas do qual pouco estava visível a não ser o topo da cabeça e do focinho e os olhos. De início deixou-se estar imóvel, talvez tentando passar despercebido, mas depois cansou-se da atenção que lhe dispensávamos e desapareceu debaixo da densa vegetação aquática.

 Cinco minutos mais tarde parámos o barco na margem e descemos. Inesperadamente, o Alex começou a esgravatar com cuidado por baixo das inúmeras folhas mortas que cobrem o chão da floresta. E perante o nosso espanto e excitação apareceu uma rãzinha minúscula vermelha e azul. Com o nome “técnico” de dendrobates pumilio, é mais conhecida por rã blue jeans (as patas traseiras têm realmente a cor da ganga) e é venenosa. Melhor dizendo, como ele nos explicou, tóxica. Na verdade, estas rãs têm o corpo coberto com uma substância que, se em contacto com o nosso organismo (por exemplo, se lhe tocamos e levamos depois as mãos à boca sem as termos lavado primeiro) provoca um mal-estar tremendo, febre, problemas intestinais, enfim, nada de agradável, embora estritamente essa substância não seja mortal.

Avançámos um pouco mais pela floresta, por um trilho que mal se via, com muito cuidado porque aquele é um território de serpentes, algumas delas extremamente venenosas e mortais. Uma delas, de que não fixei o nome, confunde-se com os galhos das árvores e morde se por acaso sem querer lhe tocamos, e o guia contou-nos que um amigo tinha morrido uns anos antes vítima da mordedura dessa serpente. Poucos metros mais à frente alguns de nós começaram a executar uma dança estranha, com saltos e muitos “ais”. Logo a seguir percebi porquê, quando senti picadas nos pés e os vi cheios de umas formigas pequenas e escuras que me mordiam ferozmente. Conseguimos desembaraçar-nos delas (não tão rapidamente quanto quereríamos) mas as marcas das mordidelas ficaram como recordação, primeiro provocando comichões horríveis e depois sob a forma de crostas minúsculas que só desapareceram já bem depois do nosso regresso a Lisboa. Aliás, as picadelas de insectos foram uma constante durante toda a viagem, apesar das carradas de repelente que gastámos e das pulseiras que usámos religiosamente em quase todo o lado, por vezes até mesmo enquanto dormíamos. Mas nada surtiu muito efeito, parece que os bichinhos adoram picar carne estrangeira, pelo menos na opinião dos “ticos”, e não houve repelente que nos valesse.

 Pelas nove e um quarto da manhã estávamos de regresso à Casa Marbella, onde nos esperava um pequeno-almoço reconfortante com panquecas, torradas e fruta. Apesar do céu cinzento, estava já bastante calor, e soube bem relaxar na tranquilidade do alpendre da Casa, os olhos postos no canal, uma imensidão de água cinzenta em movimento limitada por árvores até onde a vista podia alcançar. À direita, distante apenas alguns quilómetros, o Cerro Tortuguero. Com os seus 119 m de altura e coberto de vegetação intensa, é o ponto costeiro mais alto a norte de Limón (a principal cidade da costa atlântica). Também se encontra integrado no Parque Nacional e tinham-nos dito que apesar da pouca elevação, a vista era merecedora, pelo que na altura pensávamos em fazer um passeio até lá. Fomos depois informados que uma parte do trilho do Cerro tinha ruído devido às chuvas, pelo que por questões de segurança não estavam a permitir visitas ao local.

Com o estômago devidamente reconfortado, decidimos aproveitar o bilhete válido para o dia inteiro e ir visitar o Parque, mas desta vez a pé. Já nos tinham avisado que os trilhos estavam muito enlameados e que não poderíamos entrar sem galochas, por isso fizemos a nossa escolha entre os muitos pares que a Casa Marbella disponibiliza para os seus hóspedes. Devidamente apetrechados, atravessámos a aldeia até à entrada do Parque, onde um jovem e simpático funcionário nos explicou as normas de segurança e deu algumas informações sobre o percurso. O único trilho autorizado, a que dão o nome de Sendero Gavilán, percorre-se em cerca de hora e meia e uma parte do seu percurso passa pela praia. Eram quase onze da manhã quando iniciámos o passeio e não se via ninguém. Apenas se ouviam os sons habituais da floresta e cheirava a terra molhada e a húmus. Lagartos centro-americanos de todos os tamanhos faziam estalar as folhas secas quando fugiam rapidamente à nossa aproximação. O sol tinha decidido aparecer mas só conseguia penetrar por entre as altas copas das árvores aqui e ali, o que era manifestamente insuficiente para conseguir secar o trilho, que estava realmente muito enlameado nalguns locais. Valeram-nos as galochas.

 Fomos avançando por entre árvores que nunca tínhamos visto, algumas com raízes enormes e troncos com formas estranhas. O verde quase uniforme era quebrado pelas cores vivas das flores, helicónias, rocas de vénus e dezenas de outras completamente desconhecidas, todas com cores vivas. De cabeça no ar, tentávamos descortinar os pássaros que íamos ouvindo, mas em vão. Os animais mais interessantes que vimos estavam mesmo ao nível do chão. Além dos inúmeros lagartos, também encontrámos aranhas nephila, enormes e com pelos nas patas, imóveis nas suas teias. Só já depois do regresso a Lisboa vim a saber que são venenosas.

 Mas o encontro mais memorável foi mesmo com uma cobra-da-vinha. Com uma linda cor verde, estava de olhos postos num lagarto que atravessava o trilho e deslocou-se lentamente atrás dele, parando de vez em quando para a fotografia. Desconhecíamos se era perigosa, pelo que optámos sensatamente por esperar que ela seguisse o seu caminho para longe de nós.

Depois de mais uma passagem pela praia, terminámos o percurso ao fim de cerca de hora e meia, detendo-nos brevemente à entrada do Parque para vermos melhor a exposição. No passadiço junto à bilheteira, um kiskadi curioso olhava alternadamente para a água e para nós, como que a pensar se haveria de ir embora ou ficar para mais uma foto.

O cansaço e o calor já pesavam e regressámos ao quarto para um bom duche seguido de uma sesta reparadora. Depois de recuperados, saímos para um almoço tardio no Budda Café. Instalámo-nos na esplanada virada para o rio e pedimos comida italiana e sumos naturais de fruta. Na Costa Rica um sumo natural é quase o mesmo preço de uma garrafa de água, e há sumos de todos os tipos de fruta, cada um mais saboroso que o outro. A comida também estava óptima e almoçámos com calma ao som da voz de – surpresa das surpresas – Cesária Évora. É uma sensação estranha, estar a vários milhares de quilómetros de casa e de repente ouvir sons inesperadamente familiares; ouvir uma língua que é a minha tem o condão de me fazer sentir menos estrangeira. Foi um almoço muitíssimo agradável e até a chuva que caiu entretanto pareceu estranhamente adequada.

 A tarde já ia avançada e aproveitámos a escassa hora e meia de luz solar de que ainda dispúnhamos para um passeio mais pormenorizado pela aldeia. Tal como no resto do país, as casas são pequenas, com paredes demadeira e telhados de chapa de zinco. Muitas estão pintadas de cores vivas, e algumas precisam urgentemente de manutenção. Aqui a maior parte das casas está assente sobre pequenos pilares de cimento, provavelmente porque as terras devem ficar alagadas durante a época das chuvas. Em certas zonas há passadiços de cimento também construídos bastantes centímetros acima do solo, decerto pela mesma razão. Existe um campo de futebol com relva mas sem vedação, onde decorria um jogo animado e totalmente amador, e um parque infantil junto a uma zona de merendas sobranceira ao canal, com bancos e muros também com cores berrantes e esculturas de animais feitas de peças de metal, pneus ou madeira pintada. Sendo uma região tão chuvosa, causa alguma estranheza ver cabos e contadores de electricidade um pouco por todo o lado, no exterior das casas ou em postes baixos e instalados de forma rudimentar, praticamente sem protecções, acessíveis até mesmo às crianças.


Embora seja um país muito pequeno (cerca de dois terços da área de Portugal), a Costa Rica tem uma diversidade cultural surpreendente. Cada região do país tem as suas próprias características, que não se resumem apenas aos aspectos geográficos. Em Tortuguero é nítida a influência das Caraíbas, não só no tom de pele mais escuro da maioria dos habitantes, mas sobretudo na estética decorativa, na gastronomia e no modo de ser das pessoas. Há uma descontracção e uma simplicidade que já se tornam estranhas para nós, animais citadinos. As portas e as janelas estão abertas durante o dia e a rua é um prolongamento da casa; a vida diária decorre dentro e fora de portas, sem que haja uma separação nítida entre os dois espaços físicos. As crianças brincam livremente por todo o lado, sem supervisão dos adultos, e sente-se que a insegurança que é hoje típica das grandes urbes ainda ali não chegou. Não há pressas, os dias existem para serem desfrutados. De facto, esta atitude em relação à vida é praticamente comum a toda a Costa Rica. As pessoas não têm muito, mas também não precisam de muito para se sentirem satisfeitas.

Diário de uma viagem à Costa Rica II

Dia 2

 

A manhã começou cedo, ao som do despertador do telemóvel. Despertador e férias não rimam lá muito bem, mas neste caso era por um bem maior. Após aturadas pesquisas na net tínhamos descoberto uma forma pouco dispendiosa e relativamente rápida de chegar a Tortuguero, mas a sequência de meios de transporte a apanhar estava cronometrada quase ao minuto, e não podíamos dar-nos ao luxo de perder nenhum deles.

Depois de um pequeno-almoço tomado a correr na cozinha do hostel e que incluiu umas gaufres deliciosas preparadas pelo recepcionista de serviço, às oito da manhã já estávamos a apanhar um táxi que nos levou ao Terminal del Caribe, de onde saímos às nove num autocarro com destino a Cariari. Um autocarro relativamente confortável mas a precisar de muita manutenção no interior e sem ar condicionado. As malas foram acomodadas no compartimento das bagagens, em baixo, e a preocupação até sairmos foi ver se elas não “saíam” do autocarro sem nós. Preocupação um bocado escusada: como fomos percebendo ao longo do resto da viagem, a Costa Rica é um país bastante seguro e as pessoas são, de um modo geral, honestas e simples.

O dia estava cinzento e os chuviscos chegaram mesmo a transformar-se em chuva copiosa enquanto atravessámos o Parque Nacional Braulio Carrillo – o nosso primeiro contacto visual com a vegetação exuberante típica da maioria dos parques naturais da Costa Rica. Verde e mais verde, e água, a água da chuva e a das muitas cascatas que se vêem pelo caminho.

O autocarro ia praticamente cheio, com muitos ticos (como os costa-riquenhos se intitulam) e alguns turistas. Durante uma boa parte do percurso de mais de hora e meia em estrada asfaltada fomos “brindados” com uma sessão de publicidade a um curso de inglês básico em versão CD+livros. Facilmente identificados como turistas pelo divulgador, fomos poupados à distribuição dos livrinhos promocionais, que afinal acabavam por ter de ser pagos por quem quisesse ficar com eles.

 Às 10.45 chegámos à Estação Nova de Cariari. Recuperámos as malas e ignorámos o quiosque que anunciava transporte directo para Tortuguero, já devidamente informados (na Internet, claro) de que aquele operador iria cobrar muito mais caro pelo serviço. Misericordiosamente, a chuva parara, pelo que pudemos fazer o percurso de pouco mais de cinco minutos a pé pela rua principal até à Estação Velha sem grandes percalços, seguindo escrupulosamente o mapa rudimentar que tínhamos no nosso caderno-guia, cheio com todo o tipo de informações que poderiam ser úteis, compiladas a partir dos inúmeros sites sobre a Costa Rica que existem na Internet.

 

 

 

 

 

Não percebi se era algum dia especial ou se era sempre assim, mas a verdade é que Cariari sendo para nós, europeus, o equivalente a uma aldeia deprovíncia, estava a abarrotar de gente, de carros e de bicicletas. No meio da confusão, lá conseguimos dar com o guiché da Coopetraca, onde comprámos os bilhetes de autocarro até La Pavona e os de barco de La Pavona para Tortuguero. Restava-nos uma hora de espera, mas não havia nem um único lugar para nos sentarmos, já para não falar na inexistência de um bocadinho de chão limpo ou seco onde colocar as malas. Entretanto a chuva decidiu dar um ar da sua graça e abrigámo-nos como pudemos debaixo do pequeno e apinhado telheiro que resguarda a zona de espera da estação.


 Felizmente que o autocarro chegou algum tempo antes da hora marcada e lá nos instalámos, as malas uma vez mais relegadas para o porão mas sempre sob vigilância apertada. Este autocarro era muito menos confortável que o anterior e a viagem para La Pavona deu-nos uma amostra de como iriam ser daí em diante quase todos os percursos nas estradas da Costa Rica: quentes, lentas e cansativas. O calor húmido colava-se à pele, os ossos eram chocalhados sem piedade por causa do mau estado da estrada sem asfalto e os meus tímpanos ameaçavam ceder ao barulho insuportável provocado pela vibração dos vidros das janelas. A chuva que caiu abundantemente durante boa parte do trajecto também não ajudou a abreviar a viagem. Uma hora de tortura até chegarmos finalmente a La Pavona, que pouco mais é do que um parque de estacionamento para os carros que ali têm de ficar a aguardar o regresso dos donos, uma vez que a Tortuguero só se chega de barco ou de avião. Nem sequer há ancoradouros para as lanchas, que partem assim que está toda a gente instalada. Também não há horários fixos: os barcos esperam pelo autocarro e saem uns atrás dos outros, à medida que vão enchendo.

 Até Tortuguero é mais uma hora de barco pelo rio lamacento, e foi aqui que a aventura verdadeiramente começou. Deslizando quase rente à agua por entre a enorme massa de vegetação, senti-me como se estivéssemos no coração da selva, subindo o rio como no filme “Apocalipse Now”, indo ao encontro do desconhecido. O que não deixava de ser verdade.

Ao aproximarmo-nos de Tortuguero o rio estreito desemboca no canal, muito mais amplo e desafogado. O barco foi largando uma pessoa aqui e outra ali, nas várias casitas espalhadas pelas margens do canal, até que chegámos finalmente à aldeia. Estávamos a viajar há seis horas e o nosso almoço tinha consistido em barras de cereais e água. Não admira que me sentisse extenuada.

 Encontrar a Casa Marbella foi fácil – fica na rua principal, quase em frente à Igreja, e está pintada de amarelo e azul. Fomos simpaticamente recebidos pela Gina, que nos falou do que poderíamos fazer e ver em Tortuguero e nos pôs à vontade. Quarto e casa de banho simples mas impecavelmente limpos e com um cheiro agradável, duas ventoinhas, espaço suficiente para as nossas coisas e colchão confortável. Após um duche quente, demos um breve passeio para “reconhecer o terreno” e tomámos uma refeição ligeira (na padaria Dorling’s, mesmo ao lado da Casa Marbella). Só então comecei a sentir-me eu novamente.

 A aldeia está aninhada entre a lagoa de Tortuguero e a praia, e é limitada a sul pela entrada para o Parque Nacional que tem o mesmo nome e a norte pelas instalações da CCC (Caribbean Conservation Corporation, uma instituição americana que se dedica à protecção das tartarugas marinhas). Consiste basicamente numa rua de terra batida, paralela ao canal, ao longo da qual se encontram os principais estabelecimentos comerciais. Há uma boa quantidade de lojas de artesanato e “souvenirs”, nitidamente destinadas aos muitos turistas que aqui são desembarcados todos os dias. Ao contrário do que nos tinham dito, há bastante oferta de alojamento na aldeia, na sua maioria “cabinas” com aspecto algo rudimentar. Os hotéis mais sofisticados são talvez uma meia dúzia e encontram-se afastados, espalhados ao longo do canal, e só são acessíveis de barco, à excepção de um deles. Não há bancos e muito menos ATMs, e poucos locais aceitam cartão de crédito, por isso há que ir bem abastecido de dólares ou colones para pagar as despesas todas.

Vários caminhos transversais ligam a rua principal da aldeia à praia, situada mais a leste e paralela ao canal. Com quase 30 Km de areia ininterrupta, não é no entanto uma praia convidativa para algo que não seja passear. A ondulação é intimidante, a corrente fortíssima, e dizem os guias que por ali se passeiam tubarões. Aqui também a praia e parte do mar estão sob a protecção do Parque Nacional de Tortuguero, por este ser um local de desova de tartarugas marinhas. Há excursões nocturnas pela praia precisamente para tentar ver as tartarugas; mas esta não era a época alta da desova (apesar de com um pouco de sorte ser possível ver alguma, como aconteceu a um casal com dois filhos que fez uma excursão nessa mesma noite) e de qualquer modo nós já tínhamos decidido deixar as pobres tartarugas porem os seus ovos em paz e sossego.

 Demos um longo passeio pelo areal, com o barulho da rebentação em fundo e alguns abutres por companhia, voando lá no alto. Ummaçarico-galego tentava encontrar alimento à beira de água, pesquisando a areia com o seu enorme bico, e troncos de árvore descascados subiam e desciam na areia ao sabor das ondas. O céu estava carregado de nuvens cinzentas e havia algum vento, que trazia consigo o cheiro forte do mar, mas a chuva não fez a sua aparição, apesar da muita humidade e de tecnicamente a costa caribenha já se encontrar no início da “estação verde” (como é turisticamente designada a época das grandes chuvas na Costa Rica).

De volta à aldeia, fizemos a nossa inevitável ronda pelas lojas de artesanato e recuerdos, em busca dos obrigatórios postais e ofertas para levar à família e amigos. Como ainda estávamos no início das férias, não quisemos comprar muita coisa com receio de mais tarde, noutros pontos da viagem, encontrarmos coisas diferentes e mais baratas, e também para andarmos menos carregados. A opção acabou por não se revelar a melhor, se não em termos de variedade pelo menos em questão de preços, porque Tortuguero é, apesar do seu isolamento e carácter turístico, uma das zonas menos caras da Costa Rica. À porta de uma destas lojas, um escaravelho-de-Hércules descansava no topo de um escaparate de postais, como se fosse um animal de estimação, e quase passaria despercebido se não fosse a dona da loja chamar a nossa atenção para a fêmea – que se distingue facilmente pela ausência das enormes mandíbulas em forma de chifre – passeando pelo chão em sério risco de ser pisada.

Como em todos os países tropicais, a noite caiu cedo e quase de repente. Cansados e com pouco para ver ou fazer, optámos por jantar cedo. Após um breve levantamento dos locais onde poderíamos comer bem, decidimos ir ao Miss Junnie’s.

É uma propriedade com um tamanho razoável, mas não tem vedações nem portão. Tem relva e muita vegetação e dois edifícios em madeira. O maior destina-se a alojamentos, e estava em obras no lado de trás, provavelmente para ampliação. O restaurante pareceu também ter sido renovado recentemente. Tem uma dimensão suficiente e um ambiente simpático, entre o rústico e o elaborado, com pormenores cuidados. Sendo o restaurante mais antigo de Tortuguero, será também provavelmente o melhor, com um menu de pratos típicos da Caraíbas feitos na hora. Comemos muito bem e bebemos uns sumos de fruta naturais absolutamente deliciosos. Talvez devido à diferença horária, ou ao cansaço acumulado das viagens (ou às duas coisas juntas), quando chegámos ao fim da refeição eu já estava a morrer de sono, e apesar da noite estar agradável, depois do jantar não houve outra alternativa a não ser ir mesmo dormir.

Diário de uma viagem à Costa Rica I

Dia 1

 

O voo estava previsto para as 8.45, e nós lá fomos para o aeroporto com as cerca de duas horas de antecedência da praxe. Ainda recordados do desaparecimento temporário de uma das nossas malas há dois anos precisamente em Barajas, optámos por só despachar uma mala e levar outra na bagagem de mão. Check-in sem fila, o que foi uma novidade. A outra novidade foram os taipais das obras na zona das lojas do aeroporto, o que reduziu drasticamente o número de montras disponíveis para nos entretermos a ver antes de embarcarmos.

A bordo, mais novidades. Como era um voo de curta duração (tivemos de ir via Madrid), nada de pequeno-almoço – nem sequer água ou café. Quem quiser beber ou comer alguma coisa, agora tem de pagar.

A viagem foi curta e em Barajas aguardava-nos mais uma experiência nova. Saímos do avião no Terminal 4, mas o voo IB 6313 para San José da Costa Rica partia do Terminal 4S. Que é nem mais nem menos que um terminal idêntico ao 4 e localizado precisamente em frente, mas do outro lado das pistas. Para ligar um ao outro, um comboio eléctrico tipo shuttle, subterrâneo, com três carruagens sem condutor. Há que descer ao subsolo do Terminal 4, entrar no comboio para uma viagem de cerca de cinco minutos que nos deixa também no subsolo do Terminal 4S, subir mais uma série de escadas rolantes, e depois percorrer grande parte do terminal até encontrar a porta de embarque. Tempo total estimado desde o desembarque e a chegada à porta de embarque pretendida no outro: 20 minutos, no mínimo, e sem paragens. A ter em conta para futuras deslocações. Como resultado, aquela hora que era suposto termos de matar no aeroporto reduziu-se a 10 ou 15 minutos, o que foi francamente uma vantagem.

A saída de Madrid estava marcada para as 12.05 (CET), e não houve atraso significativo. O avião era um Airbus 340, com câmara fixa na cauda para transmitir imagens da partida e da aterragem (também uma novidade para mim, se bem que as imagens não sejam lá muito interessantes), quatro lugares ao meio e dois de cada lado. Muito pouco espaço para as pernas – pode ser impressão minha, mas os aviões estão a ficar cada vez mais apertados. A sorte é que ficámos nos lugares do meio e os outros dois não tinham ninguém, pelo que pudemos esticar-nos cada um para seu lado durante o voo. O azar foi termos um bebé de menos de um ano atrás de nós, e outra de pouco mais de um ano à frente. Traduzido em miúdos, durante as mais de dez horas do voo houve praticamente sempre uma criança a berrar-nos aos ouvidos, ora uma, ora outra. Somado ao facto da viagem ser de dia, descansar foi quase impossível. Por sorte passaram dois filmes relativamente recentes e interessantes, e serviram duas refeições (com talheres de metal, mais uma novidade), pelo que deu para ir entretendo. Mas foi uma viagem cansativa e chegámos a San José bastante estoirados.

Aterrámos cerca das 15 horas (no Verão, a Costa Rica tem menos 7 horas do que Portugal) e o calor húmido envolveu-nos assim que saímos do avião. A mala apareceu sã e salva e depois de umas quantas filas para mostrar os documentos do costume conseguimos chegar ao guichet dos táxis. Os táxis oficiais da Costa Rica são vermelhos, mas os que fazem serviço no aeroporto Juan Santamaría são laranja-escuro. O taxista era um rapaz novo e pouco falador – connosco, porque na realidade passou uma boa parte do tempo a falar ao telemóvel com um amigo. A pronúncia costa-riquenha é bastante diferente da de Espanha e quando falam depressa pouco dá para apanhar, mas serviu para começar a adaptar-me ao espanhol da Costa Rica. O mais interessante: dizem “carro” em vez de “coche” e algumas pessoas cumprimentam com um “bom dia”; “pura vida” é uma expressão muito usada e polivalente, que tanto pode ser um cumprimento, uma despedida, ou simplesmente significar “tudo bem, não há problema”; e quando agradecemos qualquer coisa retribuem sempre “con mucho gusto”.

O aeroporto Juan Santamaría fica perto da localidade de Alajuela e a cerca de 17 Km de San José. Existe uma via rápida até à capital. Só que a dita cuja (assim como todas as outras vias rápidas que ligam San José às localidades mais próximas) termina de repente à entrada da cidade. O resultado são filas quase quilométricas de “pára-arranca” a qualquer hora do dia, como percebemos na viagem para o hotel e viemos a confirmar e sentir bem na pele mais tarde, já quase no final das nossas férias. O que, somado à quase inexistência de placas sinalizadoras da direcção a tomar, bem como à enorme concentração de gases de escape, faz com que andar de carro em San José sem conhecer bem a cidade seja verdadeiramente um pesadelo e provoque dores de cabeça.

Para agravar o caso, tínhamos reservado quarto num hostel situado na outra ponta da cidade, o que tornou o trajecto ainda mais demorado. O bónus foi a travessia ter-nos dado a possibilidade de ir vendo alguma coisa de San José.

 Fundada em 1738, San José só passou a ser a capital da Costa Rica em 1823. Situada na região do Vale Central, 1161 metros acima do nível do mar, a cidade tem um clima temperado, habitualmente com temperaturas entre os 15 e os 28ºC. É limitada a norte pelos vulcões Irazú, Barva e Poás, e a sul pelas montanhas de Talamanca. Carinhosamente apelidada de chepe pelos seus cerca de 300 mil habitantes, é hoje uma cidade em constante crescimento, onde pontificam edifícios altos e ruas perpendiculares, como que desenhadas a régua e esquadro. O monumento mais emblemático e famoso é o Teatro Nacional, concebido em 1890, cuja construção foi financiada por um imposto extraordinário lançado na época pelos barões do café sobre todas as exportações deste produto. Outras construções notáveis são o Edificio Correos, que continua a cumprir as suas funções nos dias de hoje, o Teatro Médico Salazar, a Catedral Metropolitana e o Edificio Metálico, concebido pelo arquitecto francês Charles Thirio e construído na totalidade em peças de metal moldadas na Bélgica em 1892 e montadas no local. Existem vários parques de dimensões consideráveis espalhados pela cidade, o maior dos quais é o Parque Sabana, na entrada oeste de San José, que integra um lago artificial. Mais antigos e com muitas histórias para contar, o Parque Nacional, o Parque España e o Parque Morazán. O museu mais visitado é o Museo del Oro Precolombino, que ocupa o espaço subterrâneo por baixo da Plaza de la Cultura, mesmo em frente ao Teatro Nacional, e possui uma excepcional colecção de objectos antigos em ouro, como o próprio nome indica.

No entanto, tenho de confessar que o que nos foi dado ver na nossa alongada viagem de táxi não me entusiasmou absolutamente nada. Para além do trânsito caótico, barulhento e malcheiroso, quase só vi ruas cinzentas e a precisarem de manutenção, bastante lixo espalhado, casas pequenas e cheias de gradeamentos (verdadeiras “gaiolas”), raros espaços verdes e poucos edifícios interessantes. Foi quando me convenci de que tínhamos feito bem em decidir ir embora dali logo na manhã seguinte.

Quanto ao Hostel Bekuo, que fica no bairro Yoses e é nitidamente dirigido a uma clientela jovem e pouco exigente, as opiniões dividiram-se e foram contraditórias, entre “desarrumado, pouco limpo e a precisar de manutenção” e “ambiente giro, faz-me lembrar os meus tempos de estudante, os albergues da juventude e os inter-rails”. Mas o cansaço acabou por tornar estas considerações quase irrelevantes. Eu só queria mesmo era um lugar para descansar de um longo, longo dia (por esta altura já estávamos a pé há mais de 19 horas).

Entretanto fez-se noite. Perguntámos ao rapaz simpático da recepção (não me lembro do nome dele) se havia ali por perto algum sítio bom para comer uma refeição típica; indicou-nos o “Río”, na rua do lado, uma das principais artérias da cidade. O curtíssimo trajecto a pé bastou para perceber que no que se refere a lojas e restaurantes, pelo menos aquela zona de San José não difere muito de uma qualquer cidade portuguesa de província: montras com roupa para jovens, uma pizzaria, um bar... Provavelmente pelo facto da Universidade se encontrar nas proximidades, havia muita gente jovem a petiscar nas esplanadas.

Só que nós estávamos esfomeados, e queríamos mesmo jantar. O Río pareceu ter um ambiente agradável e ficámos por ali, apesar do menu ter pouco de típico. Mas a qualidade parecia ser razoável e os preços também. Os pratos foram feitos na hora (ainda demoraram algum tempo a servir) e a comida estava saborosa q.b. Com o estômago mais calmo e a perspectiva de poder descansar em breve, comecei a sentir-me humana e a achar que dali para a frente as coisas só poderiam melhorar. Definitivamente, começar uma viagem na Costa Rica por San José não é de todo o mais aconselhável.