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Viajar. Porque sim.

Paixão por viagens, escrita e fotografia

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12 conselhos para viagens de carro

 

Viajar de carro é uma das melhores maneiras de passar umas férias inesquecíveis. Dá-nos a liberdade de escolhermos o que queremos visitar, quando e durante quanto tempo, e não são poucas as vezes em que nos permite descobrir locais cheios de encanto e completamente fora dos roteiros turísticos. Mas as surpresas podem não ser sempre agradáveis, e por isso deixo-vos aqui uma dúzia de sugestões a ter em conta antes de uma viagem de carro.

 

Playa Conchal (690) cópia.jpg

 

Sempre gostei de viajar de carro (tenho a sorte de não enjoar!) e grande parte das melhores viagens que fiz envolveram, na totalidade ou em parte, o uso de um carro. Se por vezes pode tornar-se cansativo, principalmente se for só uma pessoa a conduzir ou quando as distâncias são muito grandes, as vantagens de uma viagem deste tipo suplantam em muito as desvantagens. Sendo uma opção óbvia quando viajamos no nosso país ou até mesmo se vamos aqui ao lado (e por “ao lado” estou a referir-me a Espanha, pois claro), em terras mais distantes há quem prefira os circuitos organizados (normalmente em autocarro) e nem sequer considere a hipótese de alugar um carro para percorrer o país ou a região que vai visitar.

 

E no entanto, a não ser que se trate de alguma zona instável ou com muita criminalidade, é suficiente um pouco de organização para assegurar que qualquer viagem de carro vai correr “sobre rodas”. As minhas experiências recentes têm-me levado a optar cada vez mais por ir de avião até ao destino escolhido e depois alugar um carro, para poder passear a meu bel-prazer e sem as desagradáveis condicionantes que todos os circuitos turísticos sempre têm. E agora que estou precisamente a preparar o roteiro das minhas próximas férias, lembrei-me de partilhar convosco algumas lições que já aprendi com as minhas viagens de carro.

 

Planear o percurso

Parece óbvio, mas tem muito que se lhe diga, e é a peça mais importante para o sucesso da viagem. Decidir de antemão a rota a seguir, o que se vai visitar, a extensão de viagem em cada dia e os locais de pernoita permite rentabilizar ao máximo o tempo disponível e a deslocação. Mas é preciso ter cuidado para não cair em certas armadilhas, como por exemplo ter mais olhos que barriga e querer ver demasiadas coisas num só dia, ou uma região grande demais para o tempo de que se dispõe, ou ter um calendário tão rígido que não permita qualquer alteração e perder por isso a oportunidade de ver algo de fantástico ou aproveitar um local especialmente cativante. Há por isso que tentar não sobrecarregar o planeamento, e deixar algum espaço para a aventura.

 

Escolher o carro

Na hora de alugar o carro é preciso ponderar bem a escolha. A tendência é ir sempre para o mais barato, mas depois corre-se o risco de não haver espaço suficiente para as malas na bagageira, ou o carro ser demasiado “acatitado” para toda a gente poder ir à vontade. Ou então escolhe-se um carro de cidade e depois a maior parte do percurso acaba por ser feita em estradas não alcatroadas e zonas com muita areia ou muita lama; ou está um calor de rachar e o carro não tem ar condicionado. Enfim, isto são só exemplos de como a escolha precipitada do tipo de veículo pode estragar ou pelo menos diminuir o gozo da viagem.

 

Sierpe-ponte de acesso ao hotel (1273) cópia assi

 

Não exagerar na bagagem

Convém que as malas e sacos caibam todos na bagageira. Mesmo nos sítios mais seguros, quando se pára em qualquer lado para ir dar uma volta convém que o carro dê a impressão de não ter nada lá dentro, para evitar tentações de assalto. Além disso, um carro muito pesado gasta mais combustível, e carregar um montão de malas do carro para o alojamento e vice-versa de cada vez que se fica num sítio diferente também não é lá muito agradável – até porque por vezes não é possível estacionar mesmo “à porta”.

 

Prever surpresas

Há sempre surpresas. Na sua maioria serão agradáveis: uma cidade onde apetece ficar mais um dia, uma localidade em festa, a visita a um local interessante que foi aconselhado por alguém que se conheceu entretanto… um mar de possibilidades. Mas também pode haver outras que se dispensariam e vão transtornar os planos feitos, como uma estrada cortada pelo mau tempo, uma fila de trânsito interminável, ou até uma avaria. É bom tentar obter algumas informações sobre o percurso junto dos habitantes locais – o recepcionista do hotel, o dono do café… – antes de iniciar a jornada. Cinco ou dez minutos de conversa podem poupar várias horas de viagem.

 

Alternar o ritmo

Sair de manhã, andar o dia quase todo no carro, parar para visitar um local e dormir, repetir o mesmo no dia a seguir, e no outro, e no outro ainda… às tantas já não se aguenta de cansaço e a viagem torna-se aborrecida. Para evitar a monotonia, há que tentar variar a duração dos percursos de carro e alterná-los com paragens suficientes em tempo e variedade. Uma boa opção é escolher uma localidade como base para alojamento durante duas ou três noites (ou até mais) e a partir daí visitar os lugares de interesse que fiquem a distâncias razoáveis de carro. Ou aproveitar um dia para fazer uma caminhada, visitar um parque de atracções ou simplesmente descansar num hotel ou apartamento que se revele particularmente agradável.

 

Reservar o alojamento durante a viagem

Se for possível – porque na época alta e em zonas de muito turismo isso se torna impraticável – o ideal será marcar o alojamento apenas de véspera ou quando muito com dois dias de antecedência, precisamente para haver mais flexibilidade de movimentos. Quando já tenho definidos o roteiro e os locais que parecem mais indicados para pernoitar, costumo dar uma vista de olhos ao Booking ou ao Airbnb e coloco os sítios que mais me agradam numa lista pessoal em cada site. Depois, durante a viagem, basta-me ir consultando as disponibilidades e o preço de cada sítio e marcar online, normalmente na véspera. Claro que isto nem sempre é possível, mas se tiver de reservar algum alojamento muito tempo antes dou preferência àqueles que se pagam directamente no local, ou então cujo pagamento é reembolsável se a reserva for cancelada até 24 ou 48 horas antes da data marcada.

 

Pensar em entretenimento

Em percursos com muitos quilómetros seguidos, e sobretudo quando se viaja com crianças ou adolescentes, há que evitar o aborrecimento. É bom levar um jogo, um livro, eventualmente um leitor de DVD portátil ou um tablet, para que eles possam entreter-se de vez em quando. Adivinhas, jogos de palavras e contar histórias também são boas opções para distrair os mais pequenos. Ou cantar, para quem gosta e não desafina demasiado.

 

Ouvir música

E a propósito de cantar, a música também é importante numa viagem. A rádio é sempre uma hipótese, mas na maioria das vezes não vamos perceber nada do que dizem, e a música pode não ser aquela que mais apreciamos. A solução será levar alguns CDs, ou uma pen com a nossa playlist preferida – ou em alternativa ouvir o que temos gravado no telemóvel (mas neste caso é melhor levar uma bateria portátil e tê-la sempre carregada, caso contrário não haverá música por muito tempo).

 

Levar comida e bebida

Indispensável é, pelo menos, levar sempre água para ir bebendo no carro, mesmo que não esteja calor. Alguns snacks também vão dar jeito se a fome apertar e não houver nenhum sítio para parar nas proximidades. E para aqueles dias em que o tempo é curto para grandes refeições e tempos de espera em restaurantes, o melhor mesmo é levar algumas sandes, fruta, sumos ou iogurtes líquidos. Um pequeno saco térmico (que se espalma facilmente dentro de uma mala) será suficiente para manter frescos os alimentos mais delicados; e para a frescura se aguentar por mais algum tempo, o truque é colocar o saco durante a noite anterior dentro do minibar ou do frigorífico, e levá-lo na zona menos quente do carro.

 

Não esquecer mapas, gps e etc.

Tudo faz falta e na dúvida é preferível levar informação a mais do que a menos. Alugar um gps pode ser uma boa opção, se não for demasiado caro e a agência o disponibilizar numa língua que se entenda. Mas será sempre necessário levar um bom mapa, e preferencialmente os percursos diários já impressos e com todas as informações necessárias. O Google Maps também é uma ferramenta excelente, mas convém carregar previamente o percurso num local onde haja wifi, porque o sistema pode por vezes não conseguir aceder ao sinal de satélite.

 

Vigiar o depósito

Sei que é um bocado redundante estar a falar nisto, mas há que ter o cuidado de manter o depósito sempre com bastante gasolina. Nem todos os países são como o nosso, e por vezes há zonas em que se fazem muitos quilómetros sem encontrar uma bomba de combustível. Aconteceu-me isso o ano passado, e vi o nível do gasóleo chegar à reserva antes de finalmente aparecer uma bomba no caminho. Por isso o melhor é não facilitar, e de preferência saber de antemão os locais no percurso onde será possível abastecer.

 

Praia da Tocha (65) cópia assin.jpg

 

Respeitar o orçamento

Tal como já expliquei neste post, as viagens que faço têm um orçamento limitado, e penso que isto sucede com quase toda a gente. Mesmo pesquisando tudo o que é necessário com antecedência e tendo uma ideia aproximada do total das despesas previstas, a liberdade de uma viagem de carro faz com que seja mais fácil cair na tentação de comprar sempre mais uma coisinha, ou visitar mais um sítio pago, ou fazer mais alguma actividade que não estava no programa. Quando no fim se fazem as contas, descobre-se que os gastos excederam o previsto, e essa sensação nunca é agradável. Por isso é bom ir tomando nota de todas as despesas, mesmo aquelas que são pagas com o cartão de crédito, para ter uma ideia concreta do que se vai gastando e travar os ímpetos consumistas quando necessário.

 

Têm mais dicas úteis para quem viaja de carro? Então contem lá…