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Viajar. Porque sim.

Paixão por viagens, escrita e fotografia

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10 razões para visitar a Roménia

 

Quem também me segue no Facebook e no Instagram já percebeu que nos últimos tempos tenho andado pela Roménia.*

E porquê a Roménia? O que é que tem de especial? – perguntam vocês. Vale a pena vir até cá?

A minha resposta é só uma: vale, e muito. É um país grande com séculos e séculos de história e uma variedade impressionante de culturas e paisagens. As infra-estruturas turísticas estão já bastante desenvolvidas, embora não de maneira uniforme em todas as regiões, e os preços praticados estão muito ao alcance das magras bolsas portuguesas. É verdade que ainda têm bastante que crescer no que respeita ao turismo vindo do exterior (sobretudo na questão da língua e, em muitos casos, da simpatia e da eficiência), mas de um modo geral posso afiançar que não é um país demasiado complicado para viajar de forma independente, mesmo nesta altura do ano, que já é época alta.

 

Castelo de Corvinilor

 

 

Para vos abrir o apetite, aqui estão as minhas dez razões (por ordem inversa de preferência) pelas quais vale a pena visitar a Roménia.

 

 

10 – As igrejas de madeira de Maramureş

 

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As igrejas de madeira típicas da região de Maramureş, no norte do país, são construções de madeira em forma de arca, com um telhado maciço que quase “abafa” a parte inferior e uma torre sineira alta e esguia num dos extremos. Ao todo existem quase cem. São igrejas ortodoxas ou, nalguns casos, greco-católicas. As mais antigas ainda preservadas datam dos sécs. XVII a XIX, mas continuam a ser construídas actualmente. Pelas suas características especiais, oito destas igrejas estão classificadas pela UNESCO como Património Mundial: Bârsana, Budești, Desești, Ieud, Plopiș, Poienile Izei, Rogoz e Șurdești. Singelas de aparência, cativam pela sua originalidade e pelo ambiente que as rodeia.

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9 – O Parlamento de Bucareste

 

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Projecto megalómano do ditador Ceaucescu, o Palácio do Parlamento em Bucareste é o segundo maior edifício administrativo do mundo, e o mais pesado. Tem 84 metros de altura divididos em 12 andares, e mais de mil divisões espalhadas por 365.000 m2 de área. Apenas cerca de 30% do espaço está efectivamente ocupado, não só pelo Parlamento romeno como também por outras instituições oficiais e pelo Centro de Conferências – a parte do palácio que o público pode actualmente visitar. Impressionante pelo seu volume exterior, a grandeza e magnificência do interior deixam-nos de boca aberta.

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8 – O Castelo de Corvinilor

 

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Também conhecido como Castelo de Hunedoara, as suas origens remontam ao séc. XV. De estilo gótico-renascentista, foi construído sobre pedra no local de uma antiga fortificação junto ao rio Zlaşti. É uma estrutura imponente com torres altas, tanto circulares como quadradas, janelas e varandas trabalhadas, telhados coloridos, o todo constituindo uma composição muito harmoniosa e atraente. Apesar de ser menos bonito no interior, tem algumas características interessantes que merecem a visita.

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7 – As igrejas fortificadas da Transilvânia

 

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Construídas entre os sécs. XIII e XVI, um período em que a Transilvânia pertenceu ao reino da Hungria e foi frequentemente obrigada a lutar contra as invasões otomanas, são mais de 150 as igrejas fortificadas que ainda subsistem actualmente naquela região. Colonizadas por alemães da Saxónia, a vida comunal das pequenas localidades da Transilvânia gravitava em torno das suas igrejas, razão pela qual as rodearam de muralhas e torres que serviam não só para a sua defesa mas também como armazéns de víveres e bens essenciais, que os ajudavam a suportar longos cercos sempre que necessário. Apesar de serem todas igrejas evangélicas e terem muitas características em comum, os tipos de fortificação são bastante diversificados e cada uma tem o seu estilo especial. A UNESCO classificou sete destas igrejas como Património Mundial: Biertan, Câlnic, Dârjiu, Prejmer, Saschiz, Valea Viilor e Viscri. Como igreja, a que tem um interior mais bonito é sem dúvida a de Dârjiu, decorada em tons de azul e com uns lindíssimos frescos nas paredes, enquanto que as mais interessantes em termos de conjunto fortificado são sem dúvida as de Viscri e de Prejmer.

 

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6 – O Castelo de Bran

 

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Talvez muito devido ao facto de ser conhecido como o Castelo de Drácula – foi a imagem deste castelo que Bram Stoker usou para descrever o local onde habita o seu Conde – o Castelo de Bran é o local onde a ambição turística da Roménia mais se faz notar, pelo menos por enquanto. No entanto, se fecharmos os olhos a esse facto, este castelo acaba por ser uma agradável surpresa. Não sendo particularmente espectacular quando visto de fora, por dentro é um labirinto de salas e salinhas ligadas por escadas, galerias e varandas abertas para um pátio interior, de onde se tem uma vista dos volumes irregularmente atraentes do edifício, que acaba por se revelar surpreendentemente intimista.

 

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5 – Os mosteiros pintados da Bucovina

 

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Na Bucovina, uma região no nordeste da Roménia, existe um grande número de igrejas/mosteiros pintados com coloridíssimos frescos não só no interior mas também nas paredes exteriores. As igrejas mais antigas datam do séc. XV e foram construídas, na maioria dos casos, para servirem como lugar de enterro de nobres e príncipes. As cenas pintadas (à maneira iconográfica típica da religião cristã ortodoxa) descrevem episódios bíblicos e a sua finalidade era ao mesmo tempo religiosa e didáctica: promoviam a religião e educavam os iletrados. Os seus autores originais permanecem maioritariamente desconhecidos.
Oito destes monumentos estão classificados como Património Mundial pela UNESCO: Arbore, Humor, Moldovita, Patrauti, Probota, Suceava (Igreja de S.Jorge), Sucevita e Voronet.

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4 – O Cemitério Feliz de Sapanţa

 

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É um lugar único. Também na região de Maramureş, quase na fronteira com a Ucrânia, este cemitério celebra as vidas das pessoas que ali estão enterradas, em vez de chorar a sua morte. As cruzes de madeira pintadas com um azul característico e outras cores vivas ilustram cenas que caracterizam a pessoa que morreu, ou a forma como morreu, em conjunto com uma descrição divertida ou um poema. Stan Joan Patras foi o artista local que deu origem a esta tradição, que foi depois continuada por um dos seus aprendizes. A igreja do cemitério está actualmente a ser remodelada, e por aquilo que já é possível ver o resultado final promete ser uma maravilha.

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3 – A Catedral de Curtea de Arges

 

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Localizada no perímetro do mosteiro de Curtea de Arges, a catedral dedicada a São Nicolau é uma jóia rara. Concluída em 1517 e restaurada em 1885, mistura de forma muito feliz os estilos bizantino e mourisco. Se o exterior, em pedra calcária muito clara ornamentada em tons pálidos, já é por si atraente, o interior é simplesmente mesmerizante. As pinturas nas paredes e tectos, as colunas trabalhadas, a profusão de dourado em mistura com cores vibrantes… tudo é encantador.

 

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2 – A estrada Transfagaraşan

 

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Se quiserem conhecer uma das estradas mais bonitas da Europa (e talvez do mundo) esqueçam as vias principais e percorram a Transfagaraşan, de preferência no sentido sul-norte.

São 90 km de curvas e contracurvas, onde na melhor das hipóteses a velocidade média será de 40 km/h. Nas altitudes mais baixas, a estrada desenvolve-se entre uma vegetação cerrada e abundante onde predominam as coníferas. Mas nas zonas mais altas (a estrada chega aos 2042 m de altura) as árvores desaparecem e dão lugar a vegetação rasteira onde pastam centenas de ovelhas – o que nos proporciona vistas de cortar a respiração. Mas só é possível percorrê-la entre Junho e Outubro, normalmente, pois no resto do ano está fechada devido às condições climatéricas e à neve.

 

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1 – O Castelo de Peleş

 

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E finalmente, a cereja no topo do bolo é aquele que é hoje em dia considerado o castelo mais bonito da Europa: o Castelo de Peleş. Mais palácio do que castelo, na minha opinião – que não é de todo relevante para o caso – é um belíssimo edifício de estilo renascentista mandado construir nos Cárpatos, perto de Sinaia, pelo rei Carlos I da Roménia. É também outro fortíssimo pólo turístico do país, e as filas para as visitas guiadas podem até fazer-nos estar de pé, à espera, durante uma hora ou mais. Mas todo o incómodo é esquecido quando começamos a percorrer as salas, cada uma decorada em seu estilo e todas elas lindíssimas. Sendo um castelo recente (construído em 1873 e 1914), foram magistralmente criados ambientes de muitas épocas remotas, que nos fazem andar de cabeça no ar e à roda durante todo o tempo (uma hora, ou mais) que dura a visita. Simplesmente imperdível.

 

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* Por azar, um problema técnico que demorou algum tempo a ser resolvido impediu-me de ir publicando posts aqui no blogue.

 

 

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